quinta-feira, 8 de julho de 2010

Valery - Chapter 1 [EDITADO]

Juro que é a última vez que eu edito o 1º capítulo HAHA :)
Dessa vez, eu li várias vezes e corrigi todos os erros e acrescentei algumas coisas :)
Espero que gostem!! (:

“Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.

Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”

Prólogo: Eu não conseguia acreditar no que via. Ela estava ali, radiante, como eu nunca a vira. Sua aura me iluminava e me encantava. Não me importava que fosse o meu fim, eu estava imensamente feliz por finalmente saber a verdade. Eu a amava e a amarei mesmo agora no momento de minha morte. Valery!

Capítulo 1

Meus pés descalços machucavam-se no chão esburacado. Eu estava correndo desesperado, sozinho na noite, pelas ruas de Nashville. Não sabia muito bem para onde eu estava indo. Eu só sabia que tinha que chegar lá para ajudá-la e rápido.

Eu não consegui chegar a tempo. Clair estava ali no chão, morta. Corri para abraçar forte seu corpo sem alma, e fiquei lá abraçando-a, esperando que ela pudesse voltar.

Eu gritava seu nome, Clair, e pedia a Deus que ela me ouvisse e me respondesse, mas nada acontecia.

O tempo foi passando e eu continuava com ela em meus braços. Nada mais me importava. Eu ficaria ali até que eu a tivesse comigo novamente.

O chão começou a ceder. Parecia que estávamos em uma areia movediça. Enquanto íamos afundando, pude ver aquelas criaturas negras, encapuzadas se aproximando. Elas vieram para levar a minha irmã. Mas eu não permitiria isso.

-Saiam daqui! Deixem-nos em paz! – eu berrava, tentando afugentá-los.

Não adiantavam de nada as minhas súplicas.

O frio dominou meu corpo. A areia me afundava cada vez mais. As criaturas encapuzadas estavam agora ao nosso redor, falando coisas aos meus ouvidos e sugando minhas energias. O buraco da terra não tinha fim. Eu não tinha mais forças para segurá-la em meus braços. Eles a estavam levando.

-Não! Ela está viva! Deixem-na aqui comigo! – agora eu simplesmente sussurrava. Ela já estava longe, meus olhos fracos iam se fechando, sem forças...

-Charles, acorde!

Charles abriu os olhos. Mais uma vez, ele havia sonhado com a noite em que perdera sua irmã, e sabia que jamais esquecerá esse pesadelo. Ele ainda o perseguiria por muito tempo.

Agora, era mais uma manhã que sua mãe o acordava com socos na porta e gritos estridentes. Ele continuou ali, parado, observando o teto do quarto cheio de cupins. Era possível sentir o cheiro de mofo que estava em todo o seu pequeno e bagunçado quarto.

Vestiu a mesma camisa que havia vestido no dia anterior, e foi escovar os dentes. Sua mãe o chamou novamente e ele respondeu

-Eu já acordei, mãe! Já estou indo

Enquanto procurava seu caderno de desenhos, que ele nunca saía sem ele, no meio da bagunça que era seu quarto, Charles calçava suas botas e vestia um macacão velho e surrado por cima da camisa.

Não havia muitas coisas no quarto. Somente uma cama, um armário pequeno, um ventilador de teto e um banheiro que mais parecia uma caixa de tão pequeno que era.

Ainda meio sonolento, andou pela pequena casa até a mesa da cozinha e sentou-se perto de seu pai, enquanto sua mãe estava varrendo a casa.

-Bom dia, mãe. Bom dia, pai.

-Bom dia, meu filho – Disse Marie. Seu pai, Edgar, não fala nada.

Charles observa que seu pai estava segurando um jornal em suas mãos. Ele tentara ver a manchete principal, mas a única coisa que conseguira ver foi “Depois da falência da família Parker, Richard Walker é o novo...”

-Esse desgraçado. – Edgar resmungava enquanto lia o jornal.

-Vamos parar com isso! Não quero começar o dia com essas suas intrigas. – reclamou Marie. – Mas, você dormiu bem, meu filho?

Charles estranhou o comportamento de sua mãe. Há tempos que ela não parecia tão amigável e hospitaleira com as pessoas. Ele só imaginava o que havia acontecido para ela estar tão feliz assim, mas não deixava de aproveitar enquanto podia.

-Sim, e eu acordei com uma fome, mãe! Tem alguma coisa pra comer?

D. Marie demonstra certa tristeza ao ouvir isso, e responde em uma voz baixa a Charles.

-Nós não temos nada hoje, meu filho. Você vai ter que segurar um pouco.

Charles nada respondeu, ele já estava acostumado a passar o dia com fome.

-Claro que tem, mulher! Pare de mentir! – disse Edgar

-Não, Edgar. Nós não temos nada! Nossa colheita não tem produzido, e é culpa sua por sempre gastar em bebida. – reclamou Marie.

-Pare de reclamar! Você não sabe do está falando. – Edgar respondeu demonstrando raiva.

-Parem com isso! Eu não me importo se não tem comida. Posso ir trabalhar agora e arranjo alguma coisa pra comer. – Charles tentou evitar uma briga entre seus pais.

-Não meu filho! Você devia estar na escola! Não posso permitir que você trabalhe pelo seu pai, só porque ele não consegue superar uma coisa do passado.

Marie sabia o quanto seu marido sofreu com a perda da filha. Ele havia mudado muito após isso. E ela, depois da morte de Clair, demonstrava ter superado mais rápido. Por isso, sempre o acusava de ser fraco e não seguir a vida como ela fez.

Edgar, então, levanta-se e vai em direção a Marie. Charles sabia o que seu pai tinha em mente.

-Cale a boca! – Edgar estava agora com o punho fechado, prestes a golpear sua mulher.

-Não pai! Pare! – Charles segurou seu pai antes que ele fizesse alguma coisa.

Edgar empurra Charles e olha para a cara de Marie com desprezo.

Marie fica encolhida no chão. Ela tenta segurar o choro o máximo que ela pode. Edgar continua observando-a e Charles encosta-se ao lado dela.

-Vagabundo! Imprestável! Bêbado nojento! Saia daqui! Vá embora! – Marie parecia vomitar essas palavras, de tanto ódio que ela colocava em sua voz.

-Cale a boca! – disse Edgar aproximando sua mão para tentar bater nela novamente.

-Não! – Charles o impediu – Pare com isso pai! Você não vê o que está fazendo com a nossa família? Pare! Por favor!

-Família? De onde você tirou isso? Nós não somos mais uma família. – disse Edgar.

-Não, pai! Nós somos! Não é porque Clair morreu que...

-Nunca mais fale no nome dela! – Edgar interrompeu o que Charles ia falar.

-Ela é minha irmã! Eu também sofro por ela, pai!

Edgar emanava raiva. Era como ele ficava sempre que falavam de sua filha morta. Para ele, somente Clair era sua família. Como se ela fosse um laço que os unia e, depois de sua morte, ele soltou-se e acabou com tudo.

-Pra onde você vai? – Charles grita para seu pai que estava saindo pela porta da cozinha.

-Não tenho hora pra voltar! – Foi o que Edgar respondeu

Charles volta a atenção para sua mãe e a observa chorando. Em uma tentativa de consolá-la, ela diz que não precisa e se tranca em seu quarto.

Chateado com tudo isso, Charles sai pela porta esbarrando em tudo pela frente.

O Sol do lado de fora da casa, estava quente. Ali, na fazenda da família de Charles, ele parecia estar pior. Há tempos que Charles não possui bons instrumentos de trabalho ou até alguma coisa pra fazer na fazenda. Agora, ela era pequena e sem muitas plantações. Mas isso não o impedia de trabalhar. Charles já estava com os pés na terra, com uma enxada trabalhando na pequena plantação.

Passaram-se horas, e depois de ter arado a terra, colhido alguns ovos, um pouco de leite e alimentado os animais que, Charles encostou-se na grande árvore que ficava no nível mais alto da fazenda.

Naquele lugar, observando a paisagem, os animais, o lago e a imensidão do céu azul, Charles pegou seu caderno e um lápis no bolso e começou a desenhar tudo o que via.

Seu caderno era repleto de desenhos. Quase sempre, ele desenhava belas paisagens que ele encontrava na estrada, mas havia muitos desenhos de Clair, sua irmã. Ele poderia dizer cada detalhe dos dias que os desenhos foram feitos. Era uma forma que ele encontrara pra guardar coisas boas na memória. Os desenhos o faziam sentir-se especial. Não era só mais um passatempo. Ele era bom no que ele fazia, e o reconfortava saber que ele tem outras opções na vida além de trabalhar na terra.

No meio do seu mais novo desenho, ele errou uma coisa e revolveu parar. Pela primeira vez em tantos anos que ele desenhava Charles não sentiu vontade de continuar. Ele simplesmente não tinha mais motivação para isso. Talvez seja por conta do seu pai. Era triste vê-lo naquele estado. Antigamente, Edgar era a maior inspiração de Charles. Seu pai era como um herói para ele, pois sempre foi muito bem sucedido na vida, era um dos mais importantes e ricos fazendeiros da região. De repente, todo esse reinado caiu e o herói de Charles, morreu, deixando somente um pai alcoólatra.

Charles decidiu então, voltar para a terra. Ainda tinha muito que fazer.

Mal pegara na enxada novamente, quando uma mulher o interrompe buzinando de seu carro, e gritando pela sua atenção.

-Com licença, por favor, você pode me dar uma informação? – a mulher dentro do carro berrava para que Charles a ouvisse de longe.

Primeiramente, ele pensou em fingir que não estava ouvindo, mas percebeu que a mulher continuaria ali até que ele fosse falar com ela. Mesmo contra sua vontade, ele foi lá saber o que ela queria.

-Ah, obrigada! Pensei que você não estava me ouvindo!

-Você está procurando alguém? – Charles perguntou, sem saber exatamente o que falar com aquela desconhecida.

-Sim. Na verdade, não exatamente. Talvez! – ela parecia muito confusa. Percebendo isso, Charles inclinou-se um pouco para olhar dentro do carro e, ao ver embalagens de fast-food, livros, papéis e outras coisas que ele não conseguiu identificar porque ela levantara o vidro, concluiu que ela era mesmo confusa e desorganizada.

-Desculpe, eu sou nova aqui na cidade.

Charles não falou nada, só deu um sorrisinho com o canto da boca.

-Você não é de falar muito, é?

Ele permaneceu calado.

-Está bem, eu já entendi. Espero que você possa me ajudar. Bem, eu estou procurando uma escola, fiquei sabendo que é a única que tem por essa região. Eu sou professora, não sou daqui, fui transferida para trabalhar nessa escola, mas eu perdi as instruções para chegar lá. Você saberia me dizer onde ela fica, por favor?

Os pensamentos de Charles começaram a se misturar, a ficarem confusos. Ele sempre ficava assim quando falavam de escola com ele.

-Não, eu não sei senhora. – Charles respondeu de cabeça baixa. Ele estava mentindo.

-Não me chame de senhora, por favor! Deixa eu me apresentar. Meu nome é Jannet, prazer!

Jannet ofereceu sua mão a Charles. Ele apertou dizendo:

-Prazer, Jannet. Meu nome é Charles.

O motor do carro dela, até agora, estava ligado. Ela então o desligou. Charles pensou no motivo dela ter feito isso, já que ela estava a caminho da escola e só parara para pegar uma informação.

-Mas... Charles, não é?

Ele fez que ‘sim’ com a cabeça

-Quantos anos você tem, rapaz?

-16 – ele respondeu, sem entender a razão da pergunta.

-E você não sabe mesmo aonde é a escola? – Jannet perguntou, tentando tirar alguma informação de Charles.

-Bem, faz tempo que eu não vou lá.

-Você não estuda mais, é isso?

Ela não devia ter perguntado isso. A escola era mais uma das grandes feridas de Charles, e doía muito a ele ter que tocar nesse assunto.

-Olha, eu não sei aonde é a escola, ta bom? E eu tenho que trabalhar, se você não se importa.

Houve um momento de silêncio entre os dois. Jannet analisava bem a situação antes de falar alguma coisa.

-Eu posso lhe ajudar garoto! Posso falar com seus pais pra você voltar a estudar! Você não tem idade para trabalhar.

-Você não tem nada que me ajudar! Eu não estou sendo obrigado a nada, estou trabalhando porque quero.

Jannet surpreendeu-se com a resposta de Charles e, antes que pudesse falar alguma coisa, foi interrompida por um grito que vinha de longe.

-Charles! – D. Marie, mãe de Charles, gritava da porta da cozinha. – Entre depressa, que vai chover.

Charles virou-se para a mãe e gritou em resposta que já estava indo. Aliviado, despediu-se de Jannet.

-Tenho que ir. Boa sorte na escola e seja bem-vinda a Nashville. – Ele tentou ser simpático com ela.

-Obrigada, Charles. E pense no que eu lhe disse, por favor.

Charles não ouviu a última coisa que Jannet havia dito, pois já estava quase chegando a casa. Jannet ficou ali, observando-o com a enxada na mão, imaginando como seria se aquilo fosse um monte de livros e cadernos.

-Venha logo, menino! Você não pode pegar chuva! –Marie estava na porta esperando por Charles.

-Não levei o guarda-chuva, porque pensei que não fosse chover. O Sol estava fervendo hoje.

Charles foi entrando na casa, olhando para a sala à procura de seu pai.

-Papai já chegou? – perguntou esperançoso

-O que você acha? – respondeu Marie, que parecia estar chorando até agora.

-Porque ele se comporta assim, mãe? Será que ele nunca vai conseguir superar algo que aconteceu a tanto tempo?

-Não sei Charles. Mas nós temos que continuar nossas vidas, mesmo que seu pai não nos acompanhe nisso.

Charles não concordava com isso. Ele queria ajudar seu pai. Queria tirá-lo da tristeza em que ele se encontrava.

-Tudo bem. Vou pro meu quarto, descansar um pouco.

Ele mal sobe a escada, e volta.

Seu pai estava à porta, gritando.

-Marie! MARIE! Venha aqui agora, mulher! – Edgar, pai de Charles, gritava à porta.

Charles desceu a escada correndo e foi para fora da casa falar com seu pai.

-Pai, o que você está fazendo? – Seu pai estava tonto, descalço e sua roupa estava rasgada. Mais uma vez, ele havia se embriagado.

-Eu não estou fazendo nada! Só quero falar com a sua mãe! Onde ela está? – seu bafo entrava no nariz de Charles e o deixava enjoado.

-Vamos entrar pai, por favor.

-NÃO! Eu quero falar com a sua mãe. Eu preciso falar pra ela.

-Falar o que, pai? Fale lá dentro, vamos, por favor.

-A Clair, meu filho. Faz três anos que ela morreu! Minha filha morreu!

Charles parou por um segundo. Ele sabia que hoje fazia três anos que sua irmã havia morrido, mas preferia não ficar lembrando disso a todo momento. Ele não queria sofrer mais ainda.

-Você ainda se lembra dela, não é Charles? Sua irmãzinha. Eu a amava tanto, Clair, minha filha.

Marie apareceu na janela da casa, ela estava segurando um terço, rezando para que Edgar parasse. Ao vê-la, Edgar empurra Charles e grita mais alto.

-Nossa filha, Marie! Você não se lembra dela? Ela morreu e você não fez nada! É culpa sua.

Marie chorava ao ouvir aquelas palavras.

-E agora não me resta mais nada, sem minha princesa, minha filha. –As lágrimas de Edgar confundiam-se com a água da chuva, que estava piorando com fortes relâmpagos. –Senhor, devolva minha filha, meu senhor! Traga-a de volta para mim. – Edgar suplicava aos céus.

-Pare de dizer isso, pai! Todos nós sofremos com a morte de Clair, mas você tem que aceitar isso. Tem que deixar passar. – Charles tentava acalmar seu pai. –Vamos para casa descansar.

-Não! Eu vou ficar aqui. Vou esperar por ela! Deus vai me devolve-la, eu sei que vai! Minha filha, CLAIR! – ele gritava com todas as suas forças, como se esperasse que ela pudesse ouvir e responde-lo.

-Eu o ordeno Senhor, que devolva minha filha!

Charles, vendo o estado de loucura em que seu pai se encontrava, joga-se ao chão e tapa os ouvidos o máximo que podia.

Aos gritos de Edgar, a tempestade parecia piorar. Os relâmpagos pareciam vir em resposta às suas súplicas. Charles e seu pai estavam distantes um do outro quando um raio, o maior e mais radiante que eles já viram em suas vidas, atingiu a floresta próxima à fazenda.

Edgar fica encantado com a luz, e corre em sua direção.

-Pai, volte aqui! – Charles foi atrás dele, com os olhos na forte luz que emanava da floresta.

Enquanto os dois se aproximavam cada vez mais da floresta, Marie continuava observando-os até onde ela conseguia e, então, ajoelhou-se perto da imagem de cristo e rezou fervorosamente.

Charles encontrou seu pai ao chão próximo a um enorme fogo que se alimentava das árvores.

-Pai, pare!

-Não! Eu devo continuar aqui! Deus me ouviu! É a Clair, meu filho! Eu sei que é ela.

-Não! Não é a Clair! Ela morreu pai! Ela se foi e não vai voltar!

-Cale a boca! Você não sabe o que você está falando! Eu vou tê-la de volta.

Edgar entra no fogo e Charles se desespera ao ver que ele não estava voltando.

Depois de alguns minutos, a chuva volta forte e apaga o fogo. Edgar, então, aparece com algo na mão.

-É a Clair, meu filho! Eu te disse! Ela voltou pra mim.

Charles não podia acreditar no que via. Um bebê estava ali, no colo de seu pai, e ela era idêntica à sua irmã quando era criança.

O bebê, que estava manchada de sangue e enrolada em um pano dourado que cheirava a cinzas, tinha os olhos azuis mais profundos e lindos que qualquer outro na Terra. Seu cabelo loiro era de uma cor brilhante e tinha uns cachinhos perfeitos que parecia até impossível. Ela estava calma, não chorava, e sorria a todo o momento para Edgar, que estava maravilhado com sua beleza e semelhança a Clair.

Agora os três encontravam-se debaixo de uma forte chuva e Edgar preocupava-se em proteger a criança.

-Nós temos que sair daqui - disse Edgar

Charles, que estava confuso e extasiado, concordou sem nem pensar no que estava fazendo.

No caminho, Charles se lembrou do dia em que sua irmã morreu. Era uma sexta-feira. Ela tinha saído com uns amigos pra assistir um filme no cinema, que ficava longe de casa. Ela tinha ligado pra ele quando o filme começou. Disse que não ia demorar e que estava sentindo a falta dele (Charles e sua irmã eram muito amigos). Esse foi o último contato que ele teve com ela. Depois, a polícia não soube explicar o que realmente aconteceu, pois não houve sobreviventes. Algo perverso acabou com a vida de todos que estavam no cinema naquela noite. Clair se foi para sempre.

Eles chegaram a casa e encontraram Marie ainda rezando. Quando ela viu o que Edgar tinha nas mãos, ela não acreditou.

-O que é isso, homem? Quem é esta criança? O que você fez? - ela implorava por respostas.

-Saia daqui! Não encoste nela. Não encoste na minha filha. - Edgar respondia rispidamente

-Sua filha? Você está louco, Edgar? A Clair morreu! Entenda isso de uma vez! Devolva esta criança para quem você a roubou.

Edgar não quis ouvir o que sua mulher dizia e se trancou no antigo quarto de Clair que, mesmo pertencendo agora a Charles, ainda estava com as coisas dela.

Marie batia à porta do quarto e Charles saiu pela cozinha.

Dentre todos naquela casa, ele era o que mais sofria com a perda de sua irmã. E agora que ele teve alguns segundos para pensar no que acabara de acontecer, perguntou-se como é possível seu pai ter encontrado essa criança no meio da floresta em uma tempestade como aquelas. De onde ela surgiu e como ela ainda estava viva?

Charles balançou a cabeça, não queria ter que pensar nisso no momento. Ele estava ocupado com as fortes lembranças de Clair que o invadiam e o atormentava agora.

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