sábado, 31 de julho de 2010
Won't you lead me?
Guie-me com mãos fortes.
Fique firme quando eu não conseguir.
Não me deixe morrendo por amor, caçando sonhos, o que será de nós?
Mostre-me que és capaz de lutar, que eu ainda sou o amor da sua vida.
Eu sei que chamamos isso aqui de nosso lar, mas eu ainda me sinto sozinho.
Oh father, show me the way!
sexta-feira, 30 de julho de 2010
-Yes, I do!
Do you care if I don't know what to say?
That there's someone out there who feels just like me.
With every single letter in every single word, there will be a hidden
message about a boy that loves a girl.
ninguém precisa nos entender +1
That there's someone out there who feels just like me.
With every single letter in every single word, there will be a hidden
message about a boy that loves a girl.
ninguém precisa nos entender +1
quarta-feira, 28 de julho de 2010
No, I won't give in
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante,
chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a
peça termine sem aplausos."
chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a
peça termine sem aplausos."
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Virgo
Virgem é o segundo signo de elemento Terra e é regido pelo planeta Mercúrio. As pessoas que nascem quando o Sol passa pelo signo da Virgem são práticas, metódicas, analíticas e caracterizam-se por um grande perfeccionismo, tanto no que respeita às próprias ações e talentos, quanto aos dos outros. São conhecidas por sua facilidade para memorizar detalhes de objetos e atitudes que observam em seu meio ambiente. São, também, bastante críticas, e nada escapa ao olhar arguto e perspicaz de um nativo de Virgem. Muitas vezes, ouvimos Virginianos se queixando de sua forma rápida de avaliar situações e pessoas, por se sentirem invadidos pela quantidade de detalhes que conseguem perceber e que não esquecem. A praticidade e um certo ceticismo são marcantes nos nativos desse signo. Acreditam no que vêem e naquilo que é executado de forma terrena e realista. A característica mais notável dos Virginianos é sua disposição para o trabalho e a dedicação aos outros; costumam não medir esforços na prestação de serviços. Amam a rotina, gostam da pontualidade e é através de tarefas muitas vezes repetidas que podem crescer em seus empregos e funções. São inteligentes mas de uma forma prática; não são teóricos e costumam realizar as ideias de outros signos de forma decidida e com grande habilidade. Muitos profissionais da área da saúde, tais como médicos, enfermeiros, analistas laboratoriais e veterinários podem ser do signo de Virgem ou ter seus Ascendentes ou a Lua nesse signo.
ELEMENTO: Terra
VERBO: Trabalhar, Analisar
PALAVRAS CHAVE: Perfeccionismo
DIA DA SEMANA: Quarta-Feira
NÚMERO: Quatro
ELEMENTO: Terra
VERBO: Trabalhar, Analisar
PALAVRAS CHAVE: Perfeccionismo
sábado, 24 de julho de 2010
Shooting Stars
Eu passei alguns dos melhores dias da minha vida essa semana com pessoas que eu nunca imaginei que fosse gostar tanto.
Foram dias normais, como qualquer outro.
Shopping (muitas vezes), praia, piscina, filme em casa... Coisas que eu poderia fazer com qualquer pessoa e em qualquer momento, mas que tornaram-se dias especiais pelas pessoas que estavam comigo.
É impressionante como a gente cresce e muda. Como a cada ano nós somos pessoas diferentes do ano passado, e que precisamos ser conhecidos e conquistar as pessoas novamente.
De todas as vezes que essas pessoas especiais vieram aqui na minha cidade, essa foi a melhor. Essa foi a fase em que, mais uma vez, nos conhecemos melhor. Crescemos. Tivemos coisas mais interessantes para fazer e conversar. Aprendemos um com o outro e, com certeza, deixamos falta para todos.
Mesmo sem eu conhecê-las tão bem, ou elas me conhecerem, eu tenho certeza da falta que elas estão e ainda vão me fazer. Eu tenho certeza do meu amor por elas e de que vai durar por muito tempo, não importa a distância.
Eu não preciso saber a cor favorita delas, a comida favorita, o que mais gosta de fazer, o que menos gosta de fazer, situações da vida delas, segredos... Nada.
Saber isso tudo, é bom, mas não significa que só assim que se forma uma amizade verdadeira.
Eu não sei quase nada delas mas elas são as pessoas que mais me fazem falta e as únicas que me fizeram chorar por saudade.
Deixaram em mim um vazio, um aperto no coração, mas que é preenchido a cada minuto pela esperança de que a gente possa viver tudo o que vivemos nessa semana novamente. Várias vezes.
Eu amo muito vocês, Natália e Amanda.
As melhores primas do mundo <3
"Can we pretend that airplanes in the night sky are like shooting stars! I can realy use a wish right now, wish right now, wish righ now!"
Foram dias normais, como qualquer outro.
Shopping (muitas vezes), praia, piscina, filme em casa... Coisas que eu poderia fazer com qualquer pessoa e em qualquer momento, mas que tornaram-se dias especiais pelas pessoas que estavam comigo.
É impressionante como a gente cresce e muda. Como a cada ano nós somos pessoas diferentes do ano passado, e que precisamos ser conhecidos e conquistar as pessoas novamente.
De todas as vezes que essas pessoas especiais vieram aqui na minha cidade, essa foi a melhor. Essa foi a fase em que, mais uma vez, nos conhecemos melhor. Crescemos. Tivemos coisas mais interessantes para fazer e conversar. Aprendemos um com o outro e, com certeza, deixamos falta para todos.
Mesmo sem eu conhecê-las tão bem, ou elas me conhecerem, eu tenho certeza da falta que elas estão e ainda vão me fazer. Eu tenho certeza do meu amor por elas e de que vai durar por muito tempo, não importa a distância.
Eu não preciso saber a cor favorita delas, a comida favorita, o que mais gosta de fazer, o que menos gosta de fazer, situações da vida delas, segredos... Nada.
Saber isso tudo, é bom, mas não significa que só assim que se forma uma amizade verdadeira.
Eu não sei quase nada delas mas elas são as pessoas que mais me fazem falta e as únicas que me fizeram chorar por saudade.
Deixaram em mim um vazio, um aperto no coração, mas que é preenchido a cada minuto pela esperança de que a gente possa viver tudo o que vivemos nessa semana novamente. Várias vezes.
Eu amo muito vocês, Natália e Amanda.
As melhores primas do mundo <3
"Can we pretend that airplanes in the night sky are like shooting stars! I can realy use a wish right now, wish right now, wish righ now!"
where will it ends?
Sorte de hoje: Ninguém pode voltar e criar um novo início, mas todo mundo pode começar hoje e criar um novo final.
Antisocial
/antes que alguém me mate dizendo que o título tah escrito errado... É INGLÊS, SUA ANTA! /falei
terça-feira, 20 de julho de 2010
Friend's Day
Amigos são coragem nos momentos difíceis,
Aão luz nos momentos de desânimo.
São estrelas e, ser estrela nesse mundo de cometas, é um
desafio, mas, acima de tudo, é uma recompensa.
É nascer e ter vivido e não apenas...
... Existido
Foto: Eu e Lallys *-* Minha melhor amiga (:
Eu poderia fazer um post grande e emocionante e
preguiça '-'
mas acho que só isso basta =)
Eu te amo, Lallys <3
/e esse post não foi só pra ti, hein '-' é pra todos os amigos e
Feliz Dia dos Amigos, galere :)
domingo, 18 de julho de 2010
PARAMORE!
Eu estava na comunidade da melhor banda do mundo, Paramore, e vi um tópico que criaram com a discografia/videografia da banda para pessoas que quisessem conhecê-la e talz! Resolvi então postá-la aqui! Espero que gostem :)
Eu ia adicionar mais algumas coisas, como explicar as histórias dos clips e outras coisas mais, mas tô com preguiça rs
WE ARE PARAMORE!
All We Know Is Falling
Disco de estréia da banda Paramore. Foi gravado em Orlando, EUA. Na época, Jeremy Davis resolveu deixar a banda, por isso, o albúm refletiu sobre a perda do integrante, como explica Hayley Williams: "O sofá (na capa do All We Know Is Falling) com ninguém lá e a sombra à curta distância, é sobre Jeremy nos deixando e nós nos sentindo como se tivesse um espaço vazio".All We Know Is Falling foi lançado em 24 de julho de 2005 e alcançou a posição #30 no Heatseekers Chart da Billboard.
A banda então lançou seu primeiro single: Pressure. O vídeo representa a pressão de ser um adolescente. O vídeo foi dirigido por Shane Drake.
http://www.youtube.com/watch?v=y-MaaxgdUT4
Emergency foi o segundo single de All We Know Is Falling. Também dirigido por Shane Drake. O vídeo mostra a banda toda "ensanguentada" tocando a música.
http://www.youtube.com/watch?v=mgJ8BZi3vTA
All We Know foi o último single do CD, o clipe mostra o grupo tocando em uma pequena sala escura, se apresentando e interagindo com os fãs.
http://www.youtube.com/watch?v=4EHIpDcZvB0
The Summer Tic EP
É um EP, que foi vendido durante a Warped Tour 2006 pela gravadora Fueled by Ramen. O EP contava com 4 faixas: Emergency (com screamos do guitarrista Josh Farro); Oh, Star; Stuck on You (cover da banda The Failure) e This Circle.
RIOT!
No começo de 2007 Paramore começou a gravar seu 2° álbum de estúdio: RIOT!. Em 12 de Junho de 2007 foi lançado e pegou a posição #20 na Billboard 200 e #24 nas paradas do Reino Unido. O nome RIOT! singifica "uma súbita explosão de emoção descontrolada", e era uma palavra que "resumia tudo".
O primeiro single foi uma das musicas de maior sucesso da banda: Misery Business. É dirigido por Shane Drake, que também dirigiu os vídeos de "Pressure" e "Emergency". O clipe é voltado sobre a vida no colégio. O single alcançou a posição #26 na Billboard Hot 100.
http://www.youtube.com/watch?v=aCyGvGEtOwc
Hallelujah foi o segundo single do álbum. O clipe é semelhante ao de All We Know.
http://www.youtube.com/watch?v=_TYlOXVdVcQ
Crushcrushcrush, uma música de grande sucesso da banda, é lançada mundialmente como single dia 15 de Janeiro de 2008. O Clipe mostra a banda tocando em um ambiente desértico e três pessoas a espiar neles com binóculos. O vídeo foi dirigido por Shane Drake.
http://www.youtube.com/watch?v=ei8hPkyJ0bU
O quarto e último single de RIOT! foi That's What You Get. O clipe mostra a banda performando junto com os amigos com clips de uma relação de dois amantes. Video dirigido por Marcos Siega. O single conseguiu na Billboard Hot 100 posição #66.
http://www.youtube.com/watch?v=1kz6hNDlEEg
Live in the UK 2008
Live in the UK 2008 é um álbum ao vivo. O álbum é uma edição estritamente limitada, com apenas três apresentações ao vivo em Manchester, Brixton e Birmingham. Originalmente, haveria uma opção em cada um dos concertos de escolher qual o álbum ao vivo que poderia ser comprado. Isto foi mudado somente no álbum de Manchester ao vivo que está disponível em cada turnê. Os álbuns ao vivo de Brixton e de Birmingham tiveram que ser comprados desde 5 de Fevereiro.
Os fãs poderiam ou reservar o álbum online por concerto ao vivo ou poderiam comprar o álbum do próprio concerto. Havia uma opção para comprar o álbum por si só, ou comprá-lo com a reliberação do compacto "Misery Business" no Reino Unido. Os duzentos primeiros que reservaram o álbum com os compactos online receberam uma versão assinada de "Misery Business", ao mesmo tempo que compram os compactos num concerto significava que cada pessoa tivesse a chance de 20% de receber uma cópia assinada.
Twilight Soundtrack
A banda teve participação na trilha sonora de Crepúsculo. O single proncipal da trilha sonora foi Decode, canção da banda.
O clipe mostra uma performance da banda numa floresta escura e sombria em Nashville (cidade de origem da banda), Tennessee.
http://www.youtube.com/watch?v=RvnkAtWcKYg&playnext_from=TL&videos=fCOAb3me5Do&feature=rec-LGOUT-exp_fresh%2Bdiv-1r-5-HM
Outra canção chamada I Caught Myself também entrou na trilha sonora do filme.
The Final RIOT!
É o segundo álbum ao vivo de Paramore. O DVD foi filmado no dia 12 de Agosto de 2008, no Congress Theater em Chicago como parte da The Final RIOT! Tour.
Foi lançado em 25 de novembro de 2008. O CD/DVD tem 15 faixas.
brand new eyes
É o terceiro álbum de estúdio da banda, lançado em 29 de setembro de 2009. É o novo rumo que Paramore está tomando. O álbum conseguiu posição #2 na Billboard 200.
A canção Ignorance é o primeiro single do álbum. O video mostra Hayley Williams cantando no meio do grupo e sendo ignorada pelos demais.
http://www.youtube.com/watch?v=OH9A6tn_P6g
Brick by Boring Brick é lançado como segundo single do Brand New Eyes. O clipe mostra a banda em uma espécie de "terra de conto de fadas", segundo Jeremy (baixista da banda).
http://www.youtube.com/watch?v=A63VwWz1ij0
O terceiro single do álbum é um dos mais lindos e que fez mais sucesso, principalemente no brasil, da banda. The only Exception. O vídeo foi lançado em 17 de Fevereiro de 2010, mas vazou antes.
http://www.youtube.com/watch?v=-J7J_IWUhls
Sai o quarto single de brand new eyes: Careful. O clipe mostra a banda em shows, bastidores, em momentos divertidos nos ensaios e em diversos lugares, é semelhante ao All We Know e Hallelujah. O video era esperado para dia 5 de Julho, mas foi lançado antes, dia 7 de Junho.
http://www.youtube.com/watch?v=f5howHv3F54
Eu ia adicionar mais algumas coisas, como explicar as histórias dos clips e outras coisas mais, mas tô com preguiça rs
WE ARE PARAMORE!
All We Know Is Falling
Disco de estréia da banda Paramore. Foi gravado em Orlando, EUA. Na época, Jeremy Davis resolveu deixar a banda, por isso, o albúm refletiu sobre a perda do integrante, como explica Hayley Williams: "O sofá (na capa do All We Know Is Falling) com ninguém lá e a sombra à curta distância, é sobre Jeremy nos deixando e nós nos sentindo como se tivesse um espaço vazio".All We Know Is Falling foi lançado em 24 de julho de 2005 e alcançou a posição #30 no Heatseekers Chart da Billboard.
A banda então lançou seu primeiro single: Pressure. O vídeo representa a pressão de ser um adolescente. O vídeo foi dirigido por Shane Drake.
http://www.youtube.com/watch?v=y-MaaxgdUT4
Emergency foi o segundo single de All We Know Is Falling. Também dirigido por Shane Drake. O vídeo mostra a banda toda "ensanguentada" tocando a música.
http://www.youtube.com/watch?v=mgJ8BZi3vTA
All We Know foi o último single do CD, o clipe mostra o grupo tocando em uma pequena sala escura, se apresentando e interagindo com os fãs.
http://www.youtube.com/watch?v=4EHIpDcZvB0
The Summer Tic EP
É um EP, que foi vendido durante a Warped Tour 2006 pela gravadora Fueled by Ramen. O EP contava com 4 faixas: Emergency (com screamos do guitarrista Josh Farro); Oh, Star; Stuck on You (cover da banda The Failure) e This Circle.
RIOT!
No começo de 2007 Paramore começou a gravar seu 2° álbum de estúdio: RIOT!. Em 12 de Junho de 2007 foi lançado e pegou a posição #20 na Billboard 200 e #24 nas paradas do Reino Unido. O nome RIOT! singifica "uma súbita explosão de emoção descontrolada", e era uma palavra que "resumia tudo".
O primeiro single foi uma das musicas de maior sucesso da banda: Misery Business. É dirigido por Shane Drake, que também dirigiu os vídeos de "Pressure" e "Emergency". O clipe é voltado sobre a vida no colégio. O single alcançou a posição #26 na Billboard Hot 100.
http://www.youtube.com/watch?v=aCyGvGEtOwc
Hallelujah foi o segundo single do álbum. O clipe é semelhante ao de All We Know.
http://www.youtube.com/watch?v=_TYlOXVdVcQ
Crushcrushcrush, uma música de grande sucesso da banda, é lançada mundialmente como single dia 15 de Janeiro de 2008. O Clipe mostra a banda tocando em um ambiente desértico e três pessoas a espiar neles com binóculos. O vídeo foi dirigido por Shane Drake.
http://www.youtube.com/watch?v=ei8hPkyJ0bU
O quarto e último single de RIOT! foi That's What You Get. O clipe mostra a banda performando junto com os amigos com clips de uma relação de dois amantes. Video dirigido por Marcos Siega. O single conseguiu na Billboard Hot 100 posição #66.
http://www.youtube.com/watch?v=1kz6hNDlEEg
Live in the UK 2008
Live in the UK 2008 é um álbum ao vivo. O álbum é uma edição estritamente limitada, com apenas três apresentações ao vivo em Manchester, Brixton e Birmingham. Originalmente, haveria uma opção em cada um dos concertos de escolher qual o álbum ao vivo que poderia ser comprado. Isto foi mudado somente no álbum de Manchester ao vivo que está disponível em cada turnê. Os álbuns ao vivo de Brixton e de Birmingham tiveram que ser comprados desde 5 de Fevereiro.
Os fãs poderiam ou reservar o álbum online por concerto ao vivo ou poderiam comprar o álbum do próprio concerto. Havia uma opção para comprar o álbum por si só, ou comprá-lo com a reliberação do compacto "Misery Business" no Reino Unido. Os duzentos primeiros que reservaram o álbum com os compactos online receberam uma versão assinada de "Misery Business", ao mesmo tempo que compram os compactos num concerto significava que cada pessoa tivesse a chance de 20% de receber uma cópia assinada.
Twilight Soundtrack
A banda teve participação na trilha sonora de Crepúsculo. O single proncipal da trilha sonora foi Decode, canção da banda.
O clipe mostra uma performance da banda numa floresta escura e sombria em Nashville (cidade de origem da banda), Tennessee.
http://www.youtube.com/watch?v=RvnkAtWcKYg&playnext_from=TL&videos=fCOAb3me5Do&feature=rec-LGOUT-exp_fresh%2Bdiv-1r-5-HM
Outra canção chamada I Caught Myself também entrou na trilha sonora do filme.
The Final RIOT!
É o segundo álbum ao vivo de Paramore. O DVD foi filmado no dia 12 de Agosto de 2008, no Congress Theater em Chicago como parte da The Final RIOT! Tour.
Foi lançado em 25 de novembro de 2008. O CD/DVD tem 15 faixas.
brand new eyes
É o terceiro álbum de estúdio da banda, lançado em 29 de setembro de 2009. É o novo rumo que Paramore está tomando. O álbum conseguiu posição #2 na Billboard 200.
A canção Ignorance é o primeiro single do álbum. O video mostra Hayley Williams cantando no meio do grupo e sendo ignorada pelos demais.
http://www.youtube.com/watch?v=OH9A6tn_P6g
Brick by Boring Brick é lançado como segundo single do Brand New Eyes. O clipe mostra a banda em uma espécie de "terra de conto de fadas", segundo Jeremy (baixista da banda).
http://www.youtube.com/watch?v=A63VwWz1ij0
O terceiro single do álbum é um dos mais lindos e que fez mais sucesso, principalemente no brasil, da banda. The only Exception. O vídeo foi lançado em 17 de Fevereiro de 2010, mas vazou antes.
http://www.youtube.com/watch?v=-J7J_IWUhls
Sai o quarto single de brand new eyes: Careful. O clipe mostra a banda em shows, bastidores, em momentos divertidos nos ensaios e em diversos lugares, é semelhante ao All We Know e Hallelujah. O video era esperado para dia 5 de Julho, mas foi lançado antes, dia 7 de Junho.
http://www.youtube.com/watch?v=f5howHv3F54
sábado, 17 de julho de 2010
fall
E o que eu posso pensar agora?
Mais uma vez, eu continuo tropeçando em tudo na vida!
Tropeço por me arrepender de quase tudo que eu fiz, tropeço por não ter feito muita coisa, tropeço por errar, por acertar, por não tentar!
Se eu pudesse, eu mudaria essa situação!
Não acredito que pensam que eu gosto disso, que eu me acostumei com isso!
Eu não os odeio de verdade, eu os quero bem e queria que fôssemos mais unidos.
Talvez, eu só esteja com um certo interesse.
Porque o que eu quero, é alguém pra quem eu possa correr e abraçar.
Alguém que só vai me ouvir, não vai chamar a minha atenção por eu estar errado.
As pessoas a quem eu naturalmente deveria correr, são as que eu mais me afasto.
O que me resta, então?
I've been trying hard to do what's right
Mais uma vez, eu continuo tropeçando em tudo na vida!
Tropeço por me arrepender de quase tudo que eu fiz, tropeço por não ter feito muita coisa, tropeço por errar, por acertar, por não tentar!
Se eu pudesse, eu mudaria essa situação!
Não acredito que pensam que eu gosto disso, que eu me acostumei com isso!
Eu não os odeio de verdade, eu os quero bem e queria que fôssemos mais unidos.
Talvez, eu só esteja com um certo interesse.
Porque o que eu quero, é alguém pra quem eu possa correr e abraçar.
Alguém que só vai me ouvir, não vai chamar a minha atenção por eu estar errado.
As pessoas a quem eu naturalmente deveria correr, são as que eu mais me afasto.
O que me resta, então?
I've been trying hard to do what's right
quinta-feira, 15 de julho de 2010
Ignorance is your new best friend
Eu não tô procurando nada com a porra desse blog.
Não quero que muitas pessoas olhem e, se olharem, aceito críticas mas que sejam críticas que me ajudem a melhorar! Que a pessoa saiba do que está falando!
Eu posto O QUE EU QUISER NESSA MERDA!
Eu escrevo O QUE EU QUISER!
Não preciso copiar ninguém! Não copio ninguém! Principalmente Paramore! ¬¬
Se eu um dia copiar, ninguém tem nada a ver com isso! Eu não sou famoso, não ganho nada com isso aqui, então não tem importância se eu copiar! (EU NÃO COPIEI)
Eu não sou poeta... Poeta profissional! Não sei de caralho nenhum de literatura! Tenho 15 anos e tô no 1º ano do ensino médio! O máximo que eu sei de literatura, é o que o meu professor ensina em sala e quando eu presto atenção!
Não tenho que escrever perfeitamente bem, porque eu não sou e nem nunca disse que sou poeta!
Eu escrevo o que eu quero e quando tenho vontade! No máximo, o que eu faço é escrever um monte de versos e colocar palavras que rimem no final! Não metrifico, não faço nada!
Se você tem conhecimentos em literatura, ÓTIMO! Use isso pra você ou, se quiser, critique os outros de uma forma boa! Use para ajudar, para passar seu conhecimento e não pra mostrar "eu sou melhor que você" porque tu vai estar sendo um IDIOTA!
Eu estou expressando coisas minhas aqui nesse blog, e isso ninguém tem que julgar bom ou ruim!
FODAM-SE TODOS U_U
é
"Next time you point a finger I'LL POINT YOU TO THE MIRROR!"
Não quero que muitas pessoas olhem e, se olharem, aceito críticas mas que sejam críticas que me ajudem a melhorar! Que a pessoa saiba do que está falando!
Eu posto O QUE EU QUISER NESSA MERDA!
Eu escrevo O QUE EU QUISER!
Não preciso copiar ninguém! Não copio ninguém! Principalmente Paramore! ¬¬
Se eu um dia copiar, ninguém tem nada a ver com isso! Eu não sou famoso, não ganho nada com isso aqui, então não tem importância se eu copiar! (EU NÃO COPIEI)
Eu não sou poeta... Poeta profissional! Não sei de caralho nenhum de literatura! Tenho 15 anos e tô no 1º ano do ensino médio! O máximo que eu sei de literatura, é o que o meu professor ensina em sala e quando eu presto atenção!
Não tenho que escrever perfeitamente bem, porque eu não sou e nem nunca disse que sou poeta!
Eu escrevo o que eu quero e quando tenho vontade! No máximo, o que eu faço é escrever um monte de versos e colocar palavras que rimem no final! Não metrifico, não faço nada!
Se você tem conhecimentos em literatura, ÓTIMO! Use isso pra você ou, se quiser, critique os outros de uma forma boa! Use para ajudar, para passar seu conhecimento e não pra mostrar "eu sou melhor que você" porque tu vai estar sendo um IDIOTA!
Eu estou expressando coisas minhas aqui nesse blog, e isso ninguém tem que julgar bom ou ruim!
FODAM-SE TODOS U_U
é
"Next time you point a finger I'LL POINT YOU TO THE MIRROR!"
terça-feira, 13 de julho de 2010
canureadmymindd
On the corner of main street
Just tryin' to keep it in line
You say you wanna move on and
You say I'm falling behind
Can you read my mind?
Can you read my mind?
[...]
Oh well I don't mind
If you don't mind
Cause I don't shine
If you don't shine
Before you jump
Tell me what you find
When you read my mind
[...]
Put your back on me
Put your back on me
Put your back on me
The stars are blazing
Like rebel diamonds
Cut out of the sun
When you read my mind
segunda-feira, 12 de julho de 2010
English
EYE: Interjeição de dor: EYE que dor de cabeça!
HIM: Órgão: Eye que dor no HIM!
FAIL: Oposto de bonito: ele é FAIL.
RIVER: Pior que FAIL: ele é O RIVER.
CAN'T: Oposto de frio: a água está CAN'T.
MORNING: Nem CAN'T, nem frio: a água está MORNING.
WINDOW: Usado em despedidas: Bom, já vou WINDOW!
FRENCH: Dianteira: sai da FRENCH, por favor.
HAND: Entregar-se, dar-se por vencido: você se HAND?
FEEL: Barbante: me dá um pedaço desse FEEL para eu amarrar aqui.
MICKEY: Afirmativo de queimadura: MICKEY may.
BOTTOM: Colocar: Eles BOTTOM tudo no lugar errado.
MONDAY: Vocabulário usado para ordenar: Ontem MONDAY lavar o carro.
MUST GO: Signifiga mastigar: Ele colocou a pastilha na boca e MUST GO.
PART: Lugar para onde mandamos as pessoas: Vá para o raio que o PART!
SO FREE: Expressão que denota sofrimento: Como eu SO FREE pra ganhar esse dinheiro.
HELLO: Esbarrar: Ele HELLO o braço na parede.
GOOD: Bolinha usada pra jogar: Eu gosto de jogar bolinha de GOOD.
UHASHUASUASUHASHUAS AAAAH EURI MUITO UHSAUSUHASHUASHUASHUAS rs
HIM: Órgão: Eye que dor no HIM!
FAIL: Oposto de bonito: ele é FAIL.
RIVER: Pior que FAIL: ele é O RIVER.
CAN'T: Oposto de frio: a água está CAN'T.
MORNING: Nem CAN'T, nem frio: a água está MORNING.
WINDOW: Usado em despedidas: Bom, já vou WINDOW!
FRENCH: Dianteira: sai da FRENCH, por favor.
HAND: Entregar-se, dar-se por vencido: você se HAND?
FEEL: Barbante: me dá um pedaço desse FEEL para eu amarrar aqui.
MICKEY: Afirmativo de queimadura: MICKEY may.
BOTTOM: Colocar: Eles BOTTOM tudo no lugar errado.
MONDAY: Vocabulário usado para ordenar: Ontem MONDAY lavar o carro.
MUST GO: Signifiga mastigar: Ele colocou a pastilha na boca e MUST GO.
PART: Lugar para onde mandamos as pessoas: Vá para o raio que o PART!
SO FREE: Expressão que denota sofrimento: Como eu SO FREE pra ganhar esse dinheiro.
HELLO: Esbarrar: Ele HELLO o braço na parede.
GOOD: Bolinha usada pra jogar: Eu gosto de jogar bolinha de GOOD.
UHASHUASUASUHASHUAS AAAAH EURI MUITO UHSAUSUHASHUASHUASHUAS rs
Valery - Chapter 3
Acho que meu relógio está atrasado. Hoje não é madrugada do dia 9 de julho UHASHUASUHAS /eu disse que ia postar nesse dia xD
Espero que gostem :)
-
A escola continuava quase do mesmo jeito de quando eu estudava lá. Não faz muito tempo, uns três anos. Logo após a morte de Clair.
Ainda tinha a mesma pintura cinza sem graça, os mesmos bancos velhos na porta, e eu ainda tropeçava no mesmo ponto do asfalto mal feito.
Era estranho chegar lá sem a mochila nas costas, os cadernos nas mãos e Clair do meu lado. Dessa vez, eu ficaria somente até ali, naquele portão velho.
-Hey, Charles, bom dia. Você chegou cedo! – Jannet passou do meu lado com o seu carro modelo 2005.
-Bom dia, Jannet. – retribuí com um sorriso no rosto – eu não sabia que horas eu tinha que chegar, e não queria me atrasar.
-Entendo – ela estava agora saindo do carro já estacionado. – Encontrou algum velho amigo?
Estávamos andando, em direção ao portão principal da escola. Olhei ao redor, e não encontrei ninguém.
-Não! Eu não tinha muitos amigos aqui. Andava mais com a Clair. – respondi, e esqueci que ela não sabia quem era a minha irmã.
-Clair era sua amiga? – perguntou
-Minha irmã...
-Ah, você tem outra irmã? Ela ainda estuda aqui?
Pensei se seria bom dizer logo o que acontecera com Clair. Tinha esperanças de que Jannet não fosse me fazer mais perguntas sobre o assunto.
-Ela... A Clair já morreu. – respondi de cabeça baixa.
Esperei pela resposta dela, mas não veio, ao invés disso, uma mulher que vestia um tipo de uniforme aproximou-se de nós. Agradeci mentalmente por ela nos interromper e me livrar de mais um “eu sinto muito pela sua perda, Charles”. Eu já havia me cansado disso.
-Bom dia, D. Jannet. – a mulher agora estava falando diretamente com Jannet, ela tinha um ar superior e, para ela, eu parecia invisível. – Você já organizou seus documentos no cartório? – perguntou.
-Bom dia, Sra. Smith. Sim, já fui ao cartório e fiz tudo o que tinha que fazer. – Jannet respondeu. Nós dois percebemos que, agora, a Sra. Smith estava olhando para mim.
-Muito bem. E, quem é este rapaz? – perguntou Sra. Smith
-Este é Charles. Um amigo meu e ex-aluno da sua escola. Ele gostaria de preencher a vaga de porteiro. Soube que você estava procurando por um.
Sra. Smith estava agora me analisando de ponta a cabeça. Seus olhos eram arregalados e pareciam não dormir a dias. Era difícil ter que encarar seu rosto tão de perto.
-Você já trabalhou antes, garoto? – perguntou
Ela estava falando comigo? Estranhei, pois antes eu nem parecia estar ali entre ela e Jannet. Eu não sei por que, mas me senti nervoso perto da Sra. Smith.
-Ér, mais ou menos. Eu...
-Ele já trabalhou para mim. Tenho certeza de que irá gostar dele, Sra. Smith.
Esse era um momento importante para mim. Não sei o motivo de eu estar tão tenso. Não era uma coisa que eu estivesse esperando há tanto tempo para conseguir. Foi algo repentino, que surgiu ontem. Eu não morreria se não tivesse esse emprego. Mas eu queria tanto estar ali na escola, no meio dos estudantes, dos livros. Para mim, conseguir permanecer em uma escola era um desafio. Era mais um medo que eu tinha que enfrentar e que Clair se sentiria orgulhosa de mim. A cada dia que eu saísse da escola, do meu trabalho, eu teria a mais deslumbrante vista do Sol: o sorriso de Clair em minha mente.
-Ótimo. Pelo menos agora não é um porteiro velho e arrogante. Você pode pegar sua farda amanhã. Hoje você começa com essa roupa que você está mesmo. Só o que você precisa fazer é ficar ali sentado na porta – ela apontara para o grande portão na entrada principal da escola. Ele era de ferro e sua pintura já estava gasta demais - abrindo e fechando o portão para as pessoas passarem. Não deixe as crianças saírem, não saia do seu posto, não fume, não beba, não converse muito com os alunos, pois alguns pais não gostam que seus filhos se relacionem com funcionários, enfim, não faça nada de errado. Você receberá seu salário no dia 5 de cada mês comigo mesma no meu escritório, você é um ex-aluno, não é? Então já deve conhecer a escola. Meu nome é Elizabeth Smith, diretora daqui. Tudo resolvido?
Não sei se eu tinha entendido todas as ordens que ela me deu. E não sei se eu me acostumaria com ordens. É bom que o salário valha à pena e que eu não tenha que cruzar muitas vezes com essa... Elizabeth. Ela fala demais. Deixou-me confuso.
-Sim, sim... Tudo bem.
-Certo! Você pode começar agora, então. Eu vou indo que eu tenho muito que fazer.
Elizabeth saiu rebolando pela minha frente – se é que ela sabe rebolar, ela parecia desconfortável naquele salto alto e eu tinha a impressão de que a qualquer momento ela iria cair – Jannet olhou para mim com um sorriso no canto da boca. Imaginei que ela estivesse rindo do mesmo motivo que eu estava internamente.
-Bom você entendeu não é? – perguntou Jannet – Eu vou pegar alguns livros que eu esqueci no carro e você pode começar seu trabalho, Charles. Amanhã eu lhe apresento a escola, tudo bem?
-Sim, tudo bem. Obrigado, Jannet. Nem sei como lhe agradecer. Muito obrigado – eu realmente, era muito grato a ela por me dar essa oportunidade – eu só não sei se quero conhecer a escola. Ainda não. É... Me trás algumas lembranças que... Eu preferia esquecer.
-Tudo bem, eu entendo. Não precisa agradecer. Você já me retribui com essa sua felicidade contagiante, Charles. Então, bom trabalho.
-Obrigado.
Jannet fez uma cara como quem diz “eu disse que não precisava agradecer” e saiu em direção ao seu carro.
Fui para o portão da escola e sentei-me no banco. Imaginei logo de início que seria preciso um concerto nele, pois ele ficava balançando, quicando de um lado para o outro e o acento já estava desparafusado.
De onde eu estava não era possível ver muito da escola, ainda tinha um longo corredor em direção às salas e tudo o mais. Confesso que tinha uma leve vontade de ir lá, mas, além de eu ter que permanecer no meu posto, não sei se eu estava pronto para isso.
Jannet já havia entrado para dar suas aulas. Ela era professora de História.
Quando eu estudava, essa era a minha matéria favorita. Aquelas “notícias antigas” como meu velho professor costumava brincar ao referir-se à sua matéria, me encantavam e me faziam imaginar milhões de sociedades diferentes ao mesmo tempo. Sempre gostei de aprender sobre novas culturas.
Era apenas o início do dia. Muitos alunos passaram e passam por mim agora. Era gratificante receber um “Bom dia” dos adolescentes, e estranho ouvir um “Bom dia, tio” das crianças.
Perdi a conta de quantos alunos passaram por aquele portão. Vinte, trinta, quarenta... Mil. Não sei. Neste momento, depois de quase uma hora no abre-e-fecha do portão, a entrada de alunos cessou.
Acredito eu, que todos estavam em suas salas. As aulas haviam começado.
Coloquei a mão no bolso à procura do meu caderno. Ele não estava lá. Devo ter esquecido em casa por conta da ansiedade que eu estava hoje cedo. Essa é a primeira vez que isso acontece.
Pensei em desenhar a escola, as pessoas, a farda dos alunos, qualquer coisa pra passar o tempo mais rápido.
Observei, então, que mais um carro estava parado diante de mim. Era um carro comum, popular, mas parecia ser bem conservado.
No momento, alguém estava saindo do banco do carona. Era uma menina. Não me lembro de tê-la visto na cidade. Ela era diferente, bonita demais. Acanhei-me com a sua beleza, pois ela já estava bem à minha frente, rindo.
-Bom dia. Meu nome é Jennyfer, Jennyfer Lee, 1º ano. Eu cheguei tarde demais? – perguntou.
-Sim... Quer dizer... Não... Você... Pode entrar. – por que mesmo eu gaguejei ao falar?
Jennyfer estava rindo de mim.
-Ah, obrigada. – ela disse isso e deu um beijo em meu rosto.
-De nada. – foi só o que eu consegui falar.
Seus cabelos estavam agora batendo em meu rosto, estava virando para entrar na escola. Ela disse 1º ano, não foi? Deve ter a minha idade, ou 15 anos no máximo. Há tempos que eu não me interesso por uma garota. Não tinha muito contato com outras pessoas enquanto eu trabalhava na fazenda, principalmente com garotas bonitas como ela. A última menina que eu gostei, foi a Nichole, na 6ª série, um ano antes de eu sair da escola. Nós brincávamos juntos e eu a defendia. Os outros meninos da turma zoavam com ela, por ela ser gorda e não conseguir ler em voz alta quando a professor pedia. Eu não me importava com isso. Pra mim, Nichole era a menina mais linda, engraçada, inteligente, amiga e interessante do mundo. Mas meu pequeno-grande amor acabou quando ela foi embora ao final do ano. Seu pai fora transferido para trabalhar em outra cidade.
Jennyfer tinha uma beleza única. Uma voz doce, olhos verdes, cabelos ruivos e ela me transmitia uma tranquilidade que nenhuma outra pessoa além de Clair e Valery me transmitiam. Eu sei, foram poucos segundos em sua presença, mas foi o bastante para eu me interessar por ela. Pelo menos por sua beleza.
-
Passaram-se 3 horas, imagino que agora seja o intervalo das aulas. Quarenta minutos de intervalo, se é que não foi mudado. Na minha época, eram os melhores quarenta minutos que eu passava entre aquelas paredes beges claro.
Todos estavam descendo pela escada para irem lanchar. Meus olhos scaneavam o local à procura de Jennyfer. Não encontrei nada. Só o que vi foi um menino, gordo, no chão. Resolvi ajudá-lo.
-Está tudo bem? Você se machucou? – perguntei – pode levantar?
-Sim, estou bem. Largue-me. Eu me levanto sozinho! – o menino respondeu rispidamente.
-Como você quiser.
Ele estava se levantando, parecia ter dificuldades para isso. Seu lanche estava esmagado no chão. Sua farda estava completamente suja. Seus óculos quebrados e seu cabelo bagunçado. Ele não pode ter simplesmente escorregado na escada sozinho.
-Ei você aí! – ouvi alguém me chamando, eu acho – quer que a gente te jogue no chão também, é?
Virei o rosto para ver quem era.
George Walker. Filho de Richard Walker. Meu pai gostaria de estar aqui no meu lugar para dar-lhe uns murros e um recado para seu pai.
Com o meu rosto virado para o dele, pude ouvir risos.
-Charles Parker! Filho do maior perdedor da região. Como vai seu pai? Quer que eu dê algumas moedas para ele comprar mais bebida? – todos agora estavam rindo. O menino que eu tentei ajudar, ainda estava no chão e calado. – Vai dizer que você voltou a estudar? Cansou de trabalhar na terra?
Suas palavras, por mais ofensivas que fossem não me abalavam. Aprendi a lidar com pessoas como ele desde muito cedo.
-Ele está bem, obrigado. E não precisamos do seu dinheiro, Walker. – eu o encarava bem de perto – voltar a estudar? Ainda não. Mas pelo menos eu estudei pra poder voltar um dia, não é? Você continua aqui e... Quando que você pegou em um livro mesmo? – pude ouvir os “uooou” que seus amigos faziam agora.
-Quer dar uma de machão agora, é? Cale sua boca, seu perdedor, ou eu acabo logo com você.
Sua mão estava fechada em um punho. Não era grande coisa. Trabalhando na terra eu ganhei músculos, força, coisa que George não chegava perto. Se ele resolvesse me bater, eu estaria preparado para revidar.
-Ei, meninos! Podem parar. – Jannet encontrava-se no meio de nós dois, afastando-me de George – o que vocês pensam que estão fazendo? E você, Billy, porque está no chão? – Billy levantava-se com a ajuda de Jannet – Isso é uma escola! Não é lugar para brigas.
A ‘gangue’ de George já não estava mais lá. Era incrível como eles o apoiavam nos momentos difíceis.
-Desculpe D. Jannet. – disse George.
-Vá lanchar. O intervalo já está acabando. Vamos, antes que eu o leve para a sala da Sra. Smith. E você, Charles, volte para o portão se não quiser perder o emprego, por favor.
-Portão? – perguntou George, que continuava parado ao nosso lado.
-Você ainda está aqui, Walker? – perguntou D. Jannet
-Parker está trabalhando como porteiro, é isso? Porteiro! – risos – Bem pensado para um perdedor como você!
George percebeu a raiva nos olhos de D. Jannet e correu para longe.
-Desculpe-me, Jannet. Eu só estava tentando ajudar.
-Não tente ajudar, Charles. Faça o que você tem que fazer e pronto. Eu gosto muito de você, mas não costumo desobedecer a regras e nem gosto quando alguém desobedece. Você não pode nunca deixar o portão sozinho, entendido?
-Entendido. – abaixei a cabeça. Jannet subiu a escada e eu caminhei até meu único companheiro da escola: o portão velho.
Pude ver que Jennyfer estava ali perto, antes de Jannet sair, nos observando.
Será que ela viu a confusão toda? Será que eu estava bonito? Será que ela gostou do que eu falei? E se ela tiver ouvido sobre o meu pai?
Era estranho voltar a ter essas incertezas de adolescente. Seria mais difícil ainda ter que me acostumar com elas novamente.
O intervalo já estava acabando. Mais uma vez, estudantes e mais estudantes passavam pelos meus olhos. Virei a cara para não ter que encarar George novamente.
Ser porteiro é uma das coisas mais chatas que existem. E eu demorei pra perceber isso. Não aguento permanecer aqui sentado sem fazer nada. No momento, eu estaria em casa, fazendo o que eu sempre fiz, observando a natureza e desenhando. Nem um relógio eu tinha para poder saber quanto tempo faltava para eu ir embora.
No tédio que eu estava, meu pensamento foi longe.
Imaginei o que minha mãe estava fazendo em casa. Espero que seja qualquer outra coisa diferente de infernizar meu pai sobre devolver Valery, ou trancar-se em seu quarto. Era um mistério para mim e para Edgar – se bem que ele nem se importava com Marie – o que mamãe fazia lá dentro. Rezar já está muito clichê para mim. Ela não pode também viver rezando. Costurar? Não! O último barulho da máquina de costura que ecoou em nossa casa, foi quando Clair reparou alguma coisa em sua roupa antes de sair pela última vez em sua vida.
Marie simplesmente não falava mais com outras pessoas, não sorria mais, não ouvia música no rádio enquanto cozinhava. Ela tornou-se uma pessoa seca, e esforçava-se para esconder isso.
Edgar devia estar cuidando de Valery. O médico foi lá novamente hoje de manhã, antes de eu vir para cá. Ele ficou surpreso com a rapidez que a febre dela passou e com o comportamento dela. Disse ser um comportamento bastante avançado para uma criança de sete ou oito meses. Valery já até arriscava dar alguns longos passos sozinha e falar coisas além de incompreensíveis barulhos de bebês.
Ah, como eu queria chegar logo em casa e abraçá-la. Com ela, eu esquecia todos os problemas, mesmo que ela fosse um desses.
-
O tempo passou. Já estava no final do dia e eu finalmente terminaria meu primeiro, e intediante, dia de emprego. Jannet disse que a escola só funcionava de manhã. Haviam poucas turmas de tarde e eu não precisaria trabalhar nesse turno, somente quando eu fosse chamado para isso.
Tive que esperar até o último aluno e o último professor sair da escola para eu ir embora também.
Tranquei o portão com a chave que estava no trinco desde o início. Vi outros funcionários trancando portas e janelas lá dentro da escola. Espero que eles tenham outra forma de saída, porque eu já estava indo embora.
De início eu estava sozinho, até que ouvi a voz doce me chamando.
-Espere-me, por favor.
Jennyfer andava logo atrás de mim com seus cadernos nos braços. Ela estava mais bonita ainda agora que éramos só nós dois na rua. Minha atenção estava totalmente em seu rosto. Não tive que esperar muito até que ela chegasse do meu lado.
-Meu pai me ligou dizendo que não poderia me pegar, terei que ir de ônibus. Ainda bem que te encontrei. Eu posso andar com você, não posso? – Jennyfer tinha uma carinha de coitada estampada em seu rosto. Mesmo que eu quisesse, era impossível dizer não.
-Claro que pode! – respondi.
-Obrigada. – disse Jennyfer
“Pra você, eu faço tudo! Não precisa agradecer.” Pensei e, como sempre, muito exagerado.
Calado. Sem falar nenhuma palavra. Esse era o meu estado no exato momento.
-Seu nome é Charles, certo? – perguntou Jennyfer, quebrando o silêncio.
-Sim. E o seu? – “Que pergunta idiota, Charles! Ela vai pensar que você não prestou atenção nela hoje de manhã” pensei novamente comigo mesmo.
-Jennyfer! – risos – Eu lhe disse hoje de manhã! Você não se lembra?
Idiota. Eu sou um completo idiota!
-Ah, sim. Eu lembro – coloquei uma mão atrás da cabeça e dei um sorriso meio forçado – Jennyfer Lee, 1º ano! – completei.
-Isso mesmo!
E agora? O que eu falo? – eu estava desesperado e não conseguia pensar em nada para falar.
-Você estuda lá desde criança? – “Ãn? Eu perguntei mesmo isso? Idiota, idiota, idiota”.
-Não, entrei esse ano. Eu não sou daqui. Sou de Franklin, Tennessee. Conhece?
-Não, eu não sou muito de viajar.
-Ah!
Jennyfer e eu estávamos completamente sem assunto. Encontrei-me de cabeça baixa chutando uma pedra do chão.
-A parada de ônibus é longe daqui? – mais uma vez, Jennyfer estava lutando contra o silêncio entre nós dois, ou simplesmente sendo educada com um estranho. Prefiro a primeira opção.
-Estamos quase chegando. – respondi.
-Ainda bem, não aguento mais andar com esse tênis, já entra água nele quando eu piso em uma poça.
Olhei para os seus pés, mas, antes disso, vi seu corpo por inteiro. Ela era realmente linda. Seus cabelos ruivos passavam um pouco dos ombros, sua altura era quase igual à minha, não passava de 1, 60, ela não era gorda nem magra. Normal. Mas eu não me importava com isso. Vestia-se de forma diferente das outras meninas. Não usava maquiagem muito forte, roupas femininas demais, brincos grandes, etc. Eu gosto de meninas assim. Além de tudo isso, é claro que não pude deixar de notar como seu corpo é bonito.
-Haha – eu ri – os meus também já estão assim – na verdade, eu só me lembro deles sendo assim. – Chegamos.
-Ah, finalmente.
Sentamos no banco do ponto de ônibus. Um homem estava sentado lá sozinho. Ele parecia ser normal, exceto pelas suas roupas sujas. O ônibus de Jennyfer era diferente do meu, por isso, espero que os nossos cheguem ao mesmo tempo ou o dela chegue primeiro, pois aquela área era perigosa e eu não queria deixá-la sozinha.
-Vi a sua briga, discussão, que seja, com o George hoje no intervalo.
-Ah, você viu? Eu fui ridículo. – tentei parecer envergonhado.
-Que nada. Você falou o que muitos não teriam coragem de dizer a ele. Você foi corajoso. Gosto de meninos assim.
Seria isso um sinal para mim? Uma chance? Como eu devo interpretar isso? Que confusão.
-George zoa com todos naquela escola, mas nunca olha para si mesmo. Idiota. Eu o odeio.
Perguntei-me o porquê dela odiá-lo! Será que ele já fez algo ruim a ela?
-Ele te fez alguma coisa? Posso te defender, se você quiser. – eu sempre muito afobado, querendo me intrometer em tudo.
-Sim, eu tenho alguns problemas e ele... Não interessa agora. Obrigada, Charles, mas não precisa. – ela sorriu e seu sorriso era lindo – vamos mudar de assunto?
Eu espero que ela comece um novo assunto, porque se depender de mim vai sair mais alguma besteira da minha boca.
-Sabe, até que você é legal! Gostei de você. – disse Jennyfer
Senti uma felicidade me invadindo por completo.
-Ah... Obrigado... Você também... Eu gostei de você!
Jennyfer ria alto agora.
-Está com vergonha? – risos – Desculpe. Não precisa ficar com vergonha de mim.
Dei um sorriso amarelo. Sem graça.
Jennyfer então se levantou do banco para ver se o ônibus estava chegando.
-Ainda vai demorar. – disse ela
-Alguns motoristas de ônibus estão em greve. – o homem que estava sentado na parada antes da gente chegar, manifestou-se pela primeira vez desde que sentamos lá.
Automaticamente, nós dois viramos o rosto para ele.
Ele tinha uma longa barba, olheiras profundas e fedia à cerveja. Suas roupas, como eu já disse, eram velhas, rasgadas e sujas. Ele estava descalço e com uma garrafa vazia na mão.
-Ah, eu não sabia disso. – disse Jennyfer – vou ver se tenho dinheiro pra um táxi então. Não quero chegar muito tarde em casa.
O homem pareceu interessar-se mais em Jennyfer quando ela colocou a mão na bolsa e abriu sua carteira. Seus olhos estavam totalmente na carteira. No dinheiro.
-Moça, você pode me dar um dinheiro? É que ontem eu fui pra alguma festa, não sei... E acordei aqui. E como você pode ver, estou acabado. Sem nada.
-Ah, claro! Ér... Vou ver se eu tenho dinheiro sobrando.
-Obrigado.
Eu não tinha dinheiro no bolso, somente o suficiente para pagar o ônibus. Eu rezava para que ele não me pedisse dinheiro também, não queria parecer um pobre na frente de Jennyfer.
-Ah, moço... Eu não tenho. Só o dinheiro pra eu pegar um táxi. Desculpa.
-Tudo bem, não tem problema.
O celular de Jennyfer tocou e ela o atendeu. Era seu pai.
-Alô? Pai, eu ainda estou aqui na parada de ônibus. Não, eu não estou sozinha. Eu não vou demorar mais, vou pegar um táxi. Sim, eu lhe ligo quando chegar em casa. Beijos.
-Esse seu celular é muito bonito. – disse o homem.
Jennyfer e eu achamos isso muito estranho. Ela ficou meio sem jeito.
-Obrigada...
-Eu poderia pagar um táxi pra mim também com ele, sabia? Você não quer me dar?
Isso já foi demais. Aquele cara queria roubar o celular dela. Eu tinha que fazer alguma coisa.
-Não, ela não quer. – levantei-me, cheguei perto de Jennyfer e falei baixo em seu ouvido – vamos sair daqui. Agora.
Ela entendeu e nós começamos a dar os primeiros passos a caminho do outro lado da rua.
-Calma! Vocês já estão indo embora? Mas por quê? Esperem-me!
O homem levantou-se e alguma coisa caiu de seu bolso. Um saco plástico transparente. Tinha algum tipo de pó branco dentro dele, mas que agora estava esparramado no chão.
A raiva era nítida em seu rosto.
-Viram o que vocês fizeram? Agora vocês vão ter que pagar por isso, meus amigos.
É claro! Ele era John, um antigo dono de um dos melhores bares daqui. Há uns tempos ele começou a usar drogas e viciou-se. Desde então, ele vive nas ruas bebendo e se drogando. Quando precisa, rouba para poder comprar seu vício.
-Vamos embora! – falei para Jennyfer
-Não tão cedo! – John puxou um canivete do bolso e nos ameaçou com ele – Vamos, passem tudo que vocês tiverem.
Ficamos parados perplexos. Eu nunca tinha sido assaltado e sempre tive medo que isso acontecesse comigo. Eu tinha que mostrar coragem para Jennyfer, mas eu não sabia mesmo o que fazer.
-Vocês me ouviram. Vamos, eu quero tudo! E nada de gracinhas ou alguém vai sair machucado daqui.
Como eu fui burro por não ter percebido logo de início quem era aquele cara. Por isso, estávamos nessa enrascada agora.
Jennyfer não demonstrava estar com medo. Parecia até que estava mais calma do que eu. Ela começou a tirar o tênis, imaginei que ela fosse mesmo querer se livrar logo dele, colocar os brincos, pulseiras, cordão, tudo dentro da sua bolsa para entregar a John.
Nesse pouco tempo, observei que a perna de John estava manca e que ele era feio e magro. Sua aparência era de alguém doente. Imagino que são esses os efeitos das drogas, além de muitos outros.
Eu poderia facilmente segurá-lo por trás e pegar o canivete da sua mão. Ele não poderia lutar contra mim. Eu sou nitidamente mais forte.
-Você também. Dê-me seu tênis, sua roupa e dinheiro. E se tiver celular, também quero. E é bom que você seja rápido.
Abaixei-me para desamarrar o cadarço do tênis. Fui devagar, olhando para sua perna manca, para eu saber aonde eu deveria chutar. Jennyfer esticara seu braço e entregara sua bolsa a ele que parecia uma criança recebendo doces enquanto olhava tudo de valor que tinha lá dentro. Essa era a hora certa.
Agachei-me e dei uma rasteira no ponto que eu acreditava ser o mais fraco de sua perna. Ele perdeu o equilíbrio e caiu deixando o canivete escapar de sua mão. Peguei o canivete e o joguei para longe. Não gosto de usar nada em uma briga além das minhas próprias mãos.
-O que você fez? – Jennyfer perguntou
-Salvei nossas coisas, ué.
John estava no chão. Sem seu canivete, ele não era nada. Não estava lúcido e era uma pessoa fraca por conta das drogas e do álcool.
-Pegue sua bolsa e seu tênis. Vamos embora daqui. – falei para Jennyfer.
Saímos correndo e rindo.
-Você é louco, Charles! Obrigada!
-Não precisa agradecer! E seus tênis? Você deixou lá! Quer que eu volte pra pegar?
-Não! Deixa lá pro nosso amigo. Eu não gostava mais deles mesmo.
Nós dois riamos e corríamos sem parar. Era tão bom.
Chegamos a um ponto de táxi e Jennyfer abriu sua bolsa para pegar a carteira.
-Devo a você, hein! – disse ela enquanto pegava o dinheiro.
-Que nada!
-Então, te vejo amanhã na escola? – perguntou Jennyfer
-Claro! É só você não chegar atrasada de novo.
-Engraçado.
Beijamos um o rosto do outro e nos despedimos. Ela entrou no táxi e saiu.
Olhei para a rua e para as pessoas. Perto delas, eu era um rei. Era a pessoa mais feliz dentre todas. Dois beijos em um dia. O que mais eu poderia pedir?
-
Cheguei em casa e vi Edgar com Valery sentados na porta.
-Como foi no trabalho?
-Melhor impossível – eu estava me referindo à Jennyfer, mas tudo bem. Eu não iria explicar agora o quão intediante foi ficar sentado naquele portão.
-Que bom, meu filho!
Peguei Valery no colo e brinquei um pouco com ela. Era impressionante como ela estava crescendo. Em apenas dois dias, ela já parecia bem maior desde o dia em que nós a encontramos. Deve ser loucura da minha cabeça. Isso é impossível.
Entrei em casa, passei pela sala e vi Marie assistindo televisão. Dei bom dia a ela e fui para o meu quarto.
Estava louco para desenhar.
Meu caderno estava bem em cima da minha cama, peguei-o e comecei a passar todas as imagens que eu tinha de Jennyfer em minha memória. Queria poder registrar isso e ver sempre que eu sentir falta de seu lindo rosto. Passei o dia e a tarde inteira no meu quarto desenhando.
Clair diria que eu estava apaixonado. E talvez eu esteja mesmo.
Espero que gostem :)
-
A escola continuava quase do mesmo jeito de quando eu estudava lá. Não faz muito tempo, uns três anos. Logo após a morte de Clair.
Ainda tinha a mesma pintura cinza sem graça, os mesmos bancos velhos na porta, e eu ainda tropeçava no mesmo ponto do asfalto mal feito.
Era estranho chegar lá sem a mochila nas costas, os cadernos nas mãos e Clair do meu lado. Dessa vez, eu ficaria somente até ali, naquele portão velho.
-Hey, Charles, bom dia. Você chegou cedo! – Jannet passou do meu lado com o seu carro modelo 2005.
-Bom dia, Jannet. – retribuí com um sorriso no rosto – eu não sabia que horas eu tinha que chegar, e não queria me atrasar.
-Entendo – ela estava agora saindo do carro já estacionado. – Encontrou algum velho amigo?
Estávamos andando, em direção ao portão principal da escola. Olhei ao redor, e não encontrei ninguém.
-Não! Eu não tinha muitos amigos aqui. Andava mais com a Clair. – respondi, e esqueci que ela não sabia quem era a minha irmã.
-Clair era sua amiga? – perguntou
-Minha irmã...
-Ah, você tem outra irmã? Ela ainda estuda aqui?
Pensei se seria bom dizer logo o que acontecera com Clair. Tinha esperanças de que Jannet não fosse me fazer mais perguntas sobre o assunto.
-Ela... A Clair já morreu. – respondi de cabeça baixa.
Esperei pela resposta dela, mas não veio, ao invés disso, uma mulher que vestia um tipo de uniforme aproximou-se de nós. Agradeci mentalmente por ela nos interromper e me livrar de mais um “eu sinto muito pela sua perda, Charles”. Eu já havia me cansado disso.
-Bom dia, D. Jannet. – a mulher agora estava falando diretamente com Jannet, ela tinha um ar superior e, para ela, eu parecia invisível. – Você já organizou seus documentos no cartório? – perguntou.
-Bom dia, Sra. Smith. Sim, já fui ao cartório e fiz tudo o que tinha que fazer. – Jannet respondeu. Nós dois percebemos que, agora, a Sra. Smith estava olhando para mim.
-Muito bem. E, quem é este rapaz? – perguntou Sra. Smith
-Este é Charles. Um amigo meu e ex-aluno da sua escola. Ele gostaria de preencher a vaga de porteiro. Soube que você estava procurando por um.
Sra. Smith estava agora me analisando de ponta a cabeça. Seus olhos eram arregalados e pareciam não dormir a dias. Era difícil ter que encarar seu rosto tão de perto.
-Você já trabalhou antes, garoto? – perguntou
Ela estava falando comigo? Estranhei, pois antes eu nem parecia estar ali entre ela e Jannet. Eu não sei por que, mas me senti nervoso perto da Sra. Smith.
-Ér, mais ou menos. Eu...
-Ele já trabalhou para mim. Tenho certeza de que irá gostar dele, Sra. Smith.
Esse era um momento importante para mim. Não sei o motivo de eu estar tão tenso. Não era uma coisa que eu estivesse esperando há tanto tempo para conseguir. Foi algo repentino, que surgiu ontem. Eu não morreria se não tivesse esse emprego. Mas eu queria tanto estar ali na escola, no meio dos estudantes, dos livros. Para mim, conseguir permanecer em uma escola era um desafio. Era mais um medo que eu tinha que enfrentar e que Clair se sentiria orgulhosa de mim. A cada dia que eu saísse da escola, do meu trabalho, eu teria a mais deslumbrante vista do Sol: o sorriso de Clair em minha mente.
-Ótimo. Pelo menos agora não é um porteiro velho e arrogante. Você pode pegar sua farda amanhã. Hoje você começa com essa roupa que você está mesmo. Só o que você precisa fazer é ficar ali sentado na porta – ela apontara para o grande portão na entrada principal da escola. Ele era de ferro e sua pintura já estava gasta demais - abrindo e fechando o portão para as pessoas passarem. Não deixe as crianças saírem, não saia do seu posto, não fume, não beba, não converse muito com os alunos, pois alguns pais não gostam que seus filhos se relacionem com funcionários, enfim, não faça nada de errado. Você receberá seu salário no dia 5 de cada mês comigo mesma no meu escritório, você é um ex-aluno, não é? Então já deve conhecer a escola. Meu nome é Elizabeth Smith, diretora daqui. Tudo resolvido?
Não sei se eu tinha entendido todas as ordens que ela me deu. E não sei se eu me acostumaria com ordens. É bom que o salário valha à pena e que eu não tenha que cruzar muitas vezes com essa... Elizabeth. Ela fala demais. Deixou-me confuso.
-Sim, sim... Tudo bem.
-Certo! Você pode começar agora, então. Eu vou indo que eu tenho muito que fazer.
Elizabeth saiu rebolando pela minha frente – se é que ela sabe rebolar, ela parecia desconfortável naquele salto alto e eu tinha a impressão de que a qualquer momento ela iria cair – Jannet olhou para mim com um sorriso no canto da boca. Imaginei que ela estivesse rindo do mesmo motivo que eu estava internamente.
-Bom você entendeu não é? – perguntou Jannet – Eu vou pegar alguns livros que eu esqueci no carro e você pode começar seu trabalho, Charles. Amanhã eu lhe apresento a escola, tudo bem?
-Sim, tudo bem. Obrigado, Jannet. Nem sei como lhe agradecer. Muito obrigado – eu realmente, era muito grato a ela por me dar essa oportunidade – eu só não sei se quero conhecer a escola. Ainda não. É... Me trás algumas lembranças que... Eu preferia esquecer.
-Tudo bem, eu entendo. Não precisa agradecer. Você já me retribui com essa sua felicidade contagiante, Charles. Então, bom trabalho.
-Obrigado.
Jannet fez uma cara como quem diz “eu disse que não precisava agradecer” e saiu em direção ao seu carro.
Fui para o portão da escola e sentei-me no banco. Imaginei logo de início que seria preciso um concerto nele, pois ele ficava balançando, quicando de um lado para o outro e o acento já estava desparafusado.
De onde eu estava não era possível ver muito da escola, ainda tinha um longo corredor em direção às salas e tudo o mais. Confesso que tinha uma leve vontade de ir lá, mas, além de eu ter que permanecer no meu posto, não sei se eu estava pronto para isso.
Jannet já havia entrado para dar suas aulas. Ela era professora de História.
Quando eu estudava, essa era a minha matéria favorita. Aquelas “notícias antigas” como meu velho professor costumava brincar ao referir-se à sua matéria, me encantavam e me faziam imaginar milhões de sociedades diferentes ao mesmo tempo. Sempre gostei de aprender sobre novas culturas.
Era apenas o início do dia. Muitos alunos passaram e passam por mim agora. Era gratificante receber um “Bom dia” dos adolescentes, e estranho ouvir um “Bom dia, tio” das crianças.
Perdi a conta de quantos alunos passaram por aquele portão. Vinte, trinta, quarenta... Mil. Não sei. Neste momento, depois de quase uma hora no abre-e-fecha do portão, a entrada de alunos cessou.
Acredito eu, que todos estavam em suas salas. As aulas haviam começado.
Coloquei a mão no bolso à procura do meu caderno. Ele não estava lá. Devo ter esquecido em casa por conta da ansiedade que eu estava hoje cedo. Essa é a primeira vez que isso acontece.
Pensei em desenhar a escola, as pessoas, a farda dos alunos, qualquer coisa pra passar o tempo mais rápido.
Observei, então, que mais um carro estava parado diante de mim. Era um carro comum, popular, mas parecia ser bem conservado.
No momento, alguém estava saindo do banco do carona. Era uma menina. Não me lembro de tê-la visto na cidade. Ela era diferente, bonita demais. Acanhei-me com a sua beleza, pois ela já estava bem à minha frente, rindo.
-Bom dia. Meu nome é Jennyfer, Jennyfer Lee, 1º ano. Eu cheguei tarde demais? – perguntou.
-Sim... Quer dizer... Não... Você... Pode entrar. – por que mesmo eu gaguejei ao falar?
Jennyfer estava rindo de mim.
-Ah, obrigada. – ela disse isso e deu um beijo em meu rosto.
-De nada. – foi só o que eu consegui falar.
Seus cabelos estavam agora batendo em meu rosto, estava virando para entrar na escola. Ela disse 1º ano, não foi? Deve ter a minha idade, ou 15 anos no máximo. Há tempos que eu não me interesso por uma garota. Não tinha muito contato com outras pessoas enquanto eu trabalhava na fazenda, principalmente com garotas bonitas como ela. A última menina que eu gostei, foi a Nichole, na 6ª série, um ano antes de eu sair da escola. Nós brincávamos juntos e eu a defendia. Os outros meninos da turma zoavam com ela, por ela ser gorda e não conseguir ler em voz alta quando a professor pedia. Eu não me importava com isso. Pra mim, Nichole era a menina mais linda, engraçada, inteligente, amiga e interessante do mundo. Mas meu pequeno-grande amor acabou quando ela foi embora ao final do ano. Seu pai fora transferido para trabalhar em outra cidade.
Jennyfer tinha uma beleza única. Uma voz doce, olhos verdes, cabelos ruivos e ela me transmitia uma tranquilidade que nenhuma outra pessoa além de Clair e Valery me transmitiam. Eu sei, foram poucos segundos em sua presença, mas foi o bastante para eu me interessar por ela. Pelo menos por sua beleza.
-
Passaram-se 3 horas, imagino que agora seja o intervalo das aulas. Quarenta minutos de intervalo, se é que não foi mudado. Na minha época, eram os melhores quarenta minutos que eu passava entre aquelas paredes beges claro.
Todos estavam descendo pela escada para irem lanchar. Meus olhos scaneavam o local à procura de Jennyfer. Não encontrei nada. Só o que vi foi um menino, gordo, no chão. Resolvi ajudá-lo.
-Está tudo bem? Você se machucou? – perguntei – pode levantar?
-Sim, estou bem. Largue-me. Eu me levanto sozinho! – o menino respondeu rispidamente.
-Como você quiser.
Ele estava se levantando, parecia ter dificuldades para isso. Seu lanche estava esmagado no chão. Sua farda estava completamente suja. Seus óculos quebrados e seu cabelo bagunçado. Ele não pode ter simplesmente escorregado na escada sozinho.
-Ei você aí! – ouvi alguém me chamando, eu acho – quer que a gente te jogue no chão também, é?
Virei o rosto para ver quem era.
George Walker. Filho de Richard Walker. Meu pai gostaria de estar aqui no meu lugar para dar-lhe uns murros e um recado para seu pai.
Com o meu rosto virado para o dele, pude ouvir risos.
-Charles Parker! Filho do maior perdedor da região. Como vai seu pai? Quer que eu dê algumas moedas para ele comprar mais bebida? – todos agora estavam rindo. O menino que eu tentei ajudar, ainda estava no chão e calado. – Vai dizer que você voltou a estudar? Cansou de trabalhar na terra?
Suas palavras, por mais ofensivas que fossem não me abalavam. Aprendi a lidar com pessoas como ele desde muito cedo.
-Ele está bem, obrigado. E não precisamos do seu dinheiro, Walker. – eu o encarava bem de perto – voltar a estudar? Ainda não. Mas pelo menos eu estudei pra poder voltar um dia, não é? Você continua aqui e... Quando que você pegou em um livro mesmo? – pude ouvir os “uooou” que seus amigos faziam agora.
-Quer dar uma de machão agora, é? Cale sua boca, seu perdedor, ou eu acabo logo com você.
Sua mão estava fechada em um punho. Não era grande coisa. Trabalhando na terra eu ganhei músculos, força, coisa que George não chegava perto. Se ele resolvesse me bater, eu estaria preparado para revidar.
-Ei, meninos! Podem parar. – Jannet encontrava-se no meio de nós dois, afastando-me de George – o que vocês pensam que estão fazendo? E você, Billy, porque está no chão? – Billy levantava-se com a ajuda de Jannet – Isso é uma escola! Não é lugar para brigas.
A ‘gangue’ de George já não estava mais lá. Era incrível como eles o apoiavam nos momentos difíceis.
-Desculpe D. Jannet. – disse George.
-Vá lanchar. O intervalo já está acabando. Vamos, antes que eu o leve para a sala da Sra. Smith. E você, Charles, volte para o portão se não quiser perder o emprego, por favor.
-Portão? – perguntou George, que continuava parado ao nosso lado.
-Você ainda está aqui, Walker? – perguntou D. Jannet
-Parker está trabalhando como porteiro, é isso? Porteiro! – risos – Bem pensado para um perdedor como você!
George percebeu a raiva nos olhos de D. Jannet e correu para longe.
-Desculpe-me, Jannet. Eu só estava tentando ajudar.
-Não tente ajudar, Charles. Faça o que você tem que fazer e pronto. Eu gosto muito de você, mas não costumo desobedecer a regras e nem gosto quando alguém desobedece. Você não pode nunca deixar o portão sozinho, entendido?
-Entendido. – abaixei a cabeça. Jannet subiu a escada e eu caminhei até meu único companheiro da escola: o portão velho.
Pude ver que Jennyfer estava ali perto, antes de Jannet sair, nos observando.
Será que ela viu a confusão toda? Será que eu estava bonito? Será que ela gostou do que eu falei? E se ela tiver ouvido sobre o meu pai?
Era estranho voltar a ter essas incertezas de adolescente. Seria mais difícil ainda ter que me acostumar com elas novamente.
O intervalo já estava acabando. Mais uma vez, estudantes e mais estudantes passavam pelos meus olhos. Virei a cara para não ter que encarar George novamente.
Ser porteiro é uma das coisas mais chatas que existem. E eu demorei pra perceber isso. Não aguento permanecer aqui sentado sem fazer nada. No momento, eu estaria em casa, fazendo o que eu sempre fiz, observando a natureza e desenhando. Nem um relógio eu tinha para poder saber quanto tempo faltava para eu ir embora.
No tédio que eu estava, meu pensamento foi longe.
Imaginei o que minha mãe estava fazendo em casa. Espero que seja qualquer outra coisa diferente de infernizar meu pai sobre devolver Valery, ou trancar-se em seu quarto. Era um mistério para mim e para Edgar – se bem que ele nem se importava com Marie – o que mamãe fazia lá dentro. Rezar já está muito clichê para mim. Ela não pode também viver rezando. Costurar? Não! O último barulho da máquina de costura que ecoou em nossa casa, foi quando Clair reparou alguma coisa em sua roupa antes de sair pela última vez em sua vida.
Marie simplesmente não falava mais com outras pessoas, não sorria mais, não ouvia música no rádio enquanto cozinhava. Ela tornou-se uma pessoa seca, e esforçava-se para esconder isso.
Edgar devia estar cuidando de Valery. O médico foi lá novamente hoje de manhã, antes de eu vir para cá. Ele ficou surpreso com a rapidez que a febre dela passou e com o comportamento dela. Disse ser um comportamento bastante avançado para uma criança de sete ou oito meses. Valery já até arriscava dar alguns longos passos sozinha e falar coisas além de incompreensíveis barulhos de bebês.
Ah, como eu queria chegar logo em casa e abraçá-la. Com ela, eu esquecia todos os problemas, mesmo que ela fosse um desses.
-
O tempo passou. Já estava no final do dia e eu finalmente terminaria meu primeiro, e intediante, dia de emprego. Jannet disse que a escola só funcionava de manhã. Haviam poucas turmas de tarde e eu não precisaria trabalhar nesse turno, somente quando eu fosse chamado para isso.
Tive que esperar até o último aluno e o último professor sair da escola para eu ir embora também.
Tranquei o portão com a chave que estava no trinco desde o início. Vi outros funcionários trancando portas e janelas lá dentro da escola. Espero que eles tenham outra forma de saída, porque eu já estava indo embora.
De início eu estava sozinho, até que ouvi a voz doce me chamando.
-Espere-me, por favor.
Jennyfer andava logo atrás de mim com seus cadernos nos braços. Ela estava mais bonita ainda agora que éramos só nós dois na rua. Minha atenção estava totalmente em seu rosto. Não tive que esperar muito até que ela chegasse do meu lado.
-Meu pai me ligou dizendo que não poderia me pegar, terei que ir de ônibus. Ainda bem que te encontrei. Eu posso andar com você, não posso? – Jennyfer tinha uma carinha de coitada estampada em seu rosto. Mesmo que eu quisesse, era impossível dizer não.
-Claro que pode! – respondi.
-Obrigada. – disse Jennyfer
“Pra você, eu faço tudo! Não precisa agradecer.” Pensei e, como sempre, muito exagerado.
Calado. Sem falar nenhuma palavra. Esse era o meu estado no exato momento.
-Seu nome é Charles, certo? – perguntou Jennyfer, quebrando o silêncio.
-Sim. E o seu? – “Que pergunta idiota, Charles! Ela vai pensar que você não prestou atenção nela hoje de manhã” pensei novamente comigo mesmo.
-Jennyfer! – risos – Eu lhe disse hoje de manhã! Você não se lembra?
Idiota. Eu sou um completo idiota!
-Ah, sim. Eu lembro – coloquei uma mão atrás da cabeça e dei um sorriso meio forçado – Jennyfer Lee, 1º ano! – completei.
-Isso mesmo!
E agora? O que eu falo? – eu estava desesperado e não conseguia pensar em nada para falar.
-Você estuda lá desde criança? – “Ãn? Eu perguntei mesmo isso? Idiota, idiota, idiota”.
-Não, entrei esse ano. Eu não sou daqui. Sou de Franklin, Tennessee. Conhece?
-Não, eu não sou muito de viajar.
-Ah!
Jennyfer e eu estávamos completamente sem assunto. Encontrei-me de cabeça baixa chutando uma pedra do chão.
-A parada de ônibus é longe daqui? – mais uma vez, Jennyfer estava lutando contra o silêncio entre nós dois, ou simplesmente sendo educada com um estranho. Prefiro a primeira opção.
-Estamos quase chegando. – respondi.
-Ainda bem, não aguento mais andar com esse tênis, já entra água nele quando eu piso em uma poça.
Olhei para os seus pés, mas, antes disso, vi seu corpo por inteiro. Ela era realmente linda. Seus cabelos ruivos passavam um pouco dos ombros, sua altura era quase igual à minha, não passava de 1, 60, ela não era gorda nem magra. Normal. Mas eu não me importava com isso. Vestia-se de forma diferente das outras meninas. Não usava maquiagem muito forte, roupas femininas demais, brincos grandes, etc. Eu gosto de meninas assim. Além de tudo isso, é claro que não pude deixar de notar como seu corpo é bonito.
-Haha – eu ri – os meus também já estão assim – na verdade, eu só me lembro deles sendo assim. – Chegamos.
-Ah, finalmente.
Sentamos no banco do ponto de ônibus. Um homem estava sentado lá sozinho. Ele parecia ser normal, exceto pelas suas roupas sujas. O ônibus de Jennyfer era diferente do meu, por isso, espero que os nossos cheguem ao mesmo tempo ou o dela chegue primeiro, pois aquela área era perigosa e eu não queria deixá-la sozinha.
-Vi a sua briga, discussão, que seja, com o George hoje no intervalo.
-Ah, você viu? Eu fui ridículo. – tentei parecer envergonhado.
-Que nada. Você falou o que muitos não teriam coragem de dizer a ele. Você foi corajoso. Gosto de meninos assim.
Seria isso um sinal para mim? Uma chance? Como eu devo interpretar isso? Que confusão.
-George zoa com todos naquela escola, mas nunca olha para si mesmo. Idiota. Eu o odeio.
Perguntei-me o porquê dela odiá-lo! Será que ele já fez algo ruim a ela?
-Ele te fez alguma coisa? Posso te defender, se você quiser. – eu sempre muito afobado, querendo me intrometer em tudo.
-Sim, eu tenho alguns problemas e ele... Não interessa agora. Obrigada, Charles, mas não precisa. – ela sorriu e seu sorriso era lindo – vamos mudar de assunto?
Eu espero que ela comece um novo assunto, porque se depender de mim vai sair mais alguma besteira da minha boca.
-Sabe, até que você é legal! Gostei de você. – disse Jennyfer
Senti uma felicidade me invadindo por completo.
-Ah... Obrigado... Você também... Eu gostei de você!
Jennyfer ria alto agora.
-Está com vergonha? – risos – Desculpe. Não precisa ficar com vergonha de mim.
Dei um sorriso amarelo. Sem graça.
Jennyfer então se levantou do banco para ver se o ônibus estava chegando.
-Ainda vai demorar. – disse ela
-Alguns motoristas de ônibus estão em greve. – o homem que estava sentado na parada antes da gente chegar, manifestou-se pela primeira vez desde que sentamos lá.
Automaticamente, nós dois viramos o rosto para ele.
Ele tinha uma longa barba, olheiras profundas e fedia à cerveja. Suas roupas, como eu já disse, eram velhas, rasgadas e sujas. Ele estava descalço e com uma garrafa vazia na mão.
-Ah, eu não sabia disso. – disse Jennyfer – vou ver se tenho dinheiro pra um táxi então. Não quero chegar muito tarde em casa.
O homem pareceu interessar-se mais em Jennyfer quando ela colocou a mão na bolsa e abriu sua carteira. Seus olhos estavam totalmente na carteira. No dinheiro.
-Moça, você pode me dar um dinheiro? É que ontem eu fui pra alguma festa, não sei... E acordei aqui. E como você pode ver, estou acabado. Sem nada.
-Ah, claro! Ér... Vou ver se eu tenho dinheiro sobrando.
-Obrigado.
Eu não tinha dinheiro no bolso, somente o suficiente para pagar o ônibus. Eu rezava para que ele não me pedisse dinheiro também, não queria parecer um pobre na frente de Jennyfer.
-Ah, moço... Eu não tenho. Só o dinheiro pra eu pegar um táxi. Desculpa.
-Tudo bem, não tem problema.
O celular de Jennyfer tocou e ela o atendeu. Era seu pai.
-Alô? Pai, eu ainda estou aqui na parada de ônibus. Não, eu não estou sozinha. Eu não vou demorar mais, vou pegar um táxi. Sim, eu lhe ligo quando chegar em casa. Beijos.
-Esse seu celular é muito bonito. – disse o homem.
Jennyfer e eu achamos isso muito estranho. Ela ficou meio sem jeito.
-Obrigada...
-Eu poderia pagar um táxi pra mim também com ele, sabia? Você não quer me dar?
Isso já foi demais. Aquele cara queria roubar o celular dela. Eu tinha que fazer alguma coisa.
-Não, ela não quer. – levantei-me, cheguei perto de Jennyfer e falei baixo em seu ouvido – vamos sair daqui. Agora.
Ela entendeu e nós começamos a dar os primeiros passos a caminho do outro lado da rua.
-Calma! Vocês já estão indo embora? Mas por quê? Esperem-me!
O homem levantou-se e alguma coisa caiu de seu bolso. Um saco plástico transparente. Tinha algum tipo de pó branco dentro dele, mas que agora estava esparramado no chão.
A raiva era nítida em seu rosto.
-Viram o que vocês fizeram? Agora vocês vão ter que pagar por isso, meus amigos.
É claro! Ele era John, um antigo dono de um dos melhores bares daqui. Há uns tempos ele começou a usar drogas e viciou-se. Desde então, ele vive nas ruas bebendo e se drogando. Quando precisa, rouba para poder comprar seu vício.
-Vamos embora! – falei para Jennyfer
-Não tão cedo! – John puxou um canivete do bolso e nos ameaçou com ele – Vamos, passem tudo que vocês tiverem.
Ficamos parados perplexos. Eu nunca tinha sido assaltado e sempre tive medo que isso acontecesse comigo. Eu tinha que mostrar coragem para Jennyfer, mas eu não sabia mesmo o que fazer.
-Vocês me ouviram. Vamos, eu quero tudo! E nada de gracinhas ou alguém vai sair machucado daqui.
Como eu fui burro por não ter percebido logo de início quem era aquele cara. Por isso, estávamos nessa enrascada agora.
Jennyfer não demonstrava estar com medo. Parecia até que estava mais calma do que eu. Ela começou a tirar o tênis, imaginei que ela fosse mesmo querer se livrar logo dele, colocar os brincos, pulseiras, cordão, tudo dentro da sua bolsa para entregar a John.
Nesse pouco tempo, observei que a perna de John estava manca e que ele era feio e magro. Sua aparência era de alguém doente. Imagino que são esses os efeitos das drogas, além de muitos outros.
Eu poderia facilmente segurá-lo por trás e pegar o canivete da sua mão. Ele não poderia lutar contra mim. Eu sou nitidamente mais forte.
-Você também. Dê-me seu tênis, sua roupa e dinheiro. E se tiver celular, também quero. E é bom que você seja rápido.
Abaixei-me para desamarrar o cadarço do tênis. Fui devagar, olhando para sua perna manca, para eu saber aonde eu deveria chutar. Jennyfer esticara seu braço e entregara sua bolsa a ele que parecia uma criança recebendo doces enquanto olhava tudo de valor que tinha lá dentro. Essa era a hora certa.
Agachei-me e dei uma rasteira no ponto que eu acreditava ser o mais fraco de sua perna. Ele perdeu o equilíbrio e caiu deixando o canivete escapar de sua mão. Peguei o canivete e o joguei para longe. Não gosto de usar nada em uma briga além das minhas próprias mãos.
-O que você fez? – Jennyfer perguntou
-Salvei nossas coisas, ué.
John estava no chão. Sem seu canivete, ele não era nada. Não estava lúcido e era uma pessoa fraca por conta das drogas e do álcool.
-Pegue sua bolsa e seu tênis. Vamos embora daqui. – falei para Jennyfer.
Saímos correndo e rindo.
-Você é louco, Charles! Obrigada!
-Não precisa agradecer! E seus tênis? Você deixou lá! Quer que eu volte pra pegar?
-Não! Deixa lá pro nosso amigo. Eu não gostava mais deles mesmo.
Nós dois riamos e corríamos sem parar. Era tão bom.
Chegamos a um ponto de táxi e Jennyfer abriu sua bolsa para pegar a carteira.
-Devo a você, hein! – disse ela enquanto pegava o dinheiro.
-Que nada!
-Então, te vejo amanhã na escola? – perguntou Jennyfer
-Claro! É só você não chegar atrasada de novo.
-Engraçado.
Beijamos um o rosto do outro e nos despedimos. Ela entrou no táxi e saiu.
Olhei para a rua e para as pessoas. Perto delas, eu era um rei. Era a pessoa mais feliz dentre todas. Dois beijos em um dia. O que mais eu poderia pedir?
-
Cheguei em casa e vi Edgar com Valery sentados na porta.
-Como foi no trabalho?
-Melhor impossível – eu estava me referindo à Jennyfer, mas tudo bem. Eu não iria explicar agora o quão intediante foi ficar sentado naquele portão.
-Que bom, meu filho!
Peguei Valery no colo e brinquei um pouco com ela. Era impressionante como ela estava crescendo. Em apenas dois dias, ela já parecia bem maior desde o dia em que nós a encontramos. Deve ser loucura da minha cabeça. Isso é impossível.
Entrei em casa, passei pela sala e vi Marie assistindo televisão. Dei bom dia a ela e fui para o meu quarto.
Estava louco para desenhar.
Meu caderno estava bem em cima da minha cama, peguei-o e comecei a passar todas as imagens que eu tinha de Jennyfer em minha memória. Queria poder registrar isso e ver sempre que eu sentir falta de seu lindo rosto. Passei o dia e a tarde inteira no meu quarto desenhando.
Clair diria que eu estava apaixonado. E talvez eu esteja mesmo.
A broken heart some twisted minds

I am goin' away for a while
But I'll be back, don't try to follow me
'Cause I'll return as soon as possible
See I'm trying to find my place But it might not be here where I feel safe
We all learn to make mistakes and run from them, from them with no direction we'll run from them, from them with no conviction
'cause I'm just one of those ghosts I'm travellin' endlessly don't need no roads in fact they follow me and we just go in circles
domingo, 11 de julho de 2010
I miss u
Solidão não é estar sozinho, mas sim estar no meio de muitas pessoas e sentir falta de uma.
When it Rains

And when it rains
On this side of town it touches everything
Just say it again and mean it
We don't miss a thing
You made yourself a bed at the bottom
Of the blackest hole (blackest hole)
And convinced yourself that it's not the reason
You don't see the sun anymore
And no, oh how could you do it?
Oh I, I never saw it coming
No oh, I need an ending
So why can't you stay just long enough to explain?
And when it rains
You always find an escape
just running away
From all of the ones who love you from everything
You made yourself a bed at the bottom
Of the blackest hole (blackest hole)
And you'll sleep till may
You'll say that you don't want to see the sun anymore
And no, oh, how could you do it?
Oh I, I never saw it coming
No oh, I need an ending
So why can't you stay just long enough to explain?
(Explain your side, take my side...)
Take these chances to turn it around
Take these chances we'll make it somehow
And take these chances and turn it around
Just turn it around
And no, oh, how could you do it?
Oh I, I never saw it coming
No oh, how could you do it
Oh I, I never saw it coming
No oh, how could you do it?
Oh I, I never saw it coming and
No oh, I need an ending
So why can't you stay just long enough to explain?
You can take your time, take my time
Paramore.
sábado, 10 de julho de 2010
LIFE
A vida é uma grande incógnita.
Não consigo encontrar um motivo, uma razão para eu existir. Para tudo existir.
Me dá dor de cabeça quando penso no nada. Quando penso em Deus. Quando penso nesta grande confusão que é a vida.
É tudo tão complexo, tão cheio de detalhes e consequências. Tudo tem um por quê e tudo tem uma consequência no final. Basta que façamos alguma coisa.
Tudo. Tudo no mundo já está definido, "anotado" e organizado. Desde o início dos tempos - se é que ele existe. Não adianta lutarmos, pensarmos, querermos. É um enorme e confuso ciclo que surgiu para nos confundir, nos testar.
Nada. Nada é por acaso.
E pergunto-me qual será a minha consequência por pensar essas coisas.
Não consigo encontrar um motivo, uma razão para eu existir. Para tudo existir.
Me dá dor de cabeça quando penso no nada. Quando penso em Deus. Quando penso nesta grande confusão que é a vida.
É tudo tão complexo, tão cheio de detalhes e consequências. Tudo tem um por quê e tudo tem uma consequência no final. Basta que façamos alguma coisa.
Tudo. Tudo no mundo já está definido, "anotado" e organizado. Desde o início dos tempos - se é que ele existe. Não adianta lutarmos, pensarmos, querermos. É um enorme e confuso ciclo que surgiu para nos confundir, nos testar.
Nada. Nada é por acaso.
E pergunto-me qual será a minha consequência por pensar essas coisas.
Mariam

Sonhando além das montanhas
Longe de sua realidade
Ouvindo lembranças estranhas
Mas sem saber a verdade
E tudo o que ela queria
Era poder tê-lo ao seu lado
Mas nenhum esforço ele faria
Deixando tal amor destroçado
Então, em um último suspiro ela correu
Por um caminho novo
Para ter o que é seu
Agora, não adianta mais escavar
Porque a profundidade de tal erro
Com a sua vida vai acabar
sexta-feira, 9 de julho de 2010
What I've done
02. Pegar num tubarão.
08. Cultivar e comer os teus próprios vegetais.
09. Dormir sob as estrelas.
10. Mudar a fralda a uma criança.
12. Ficar embriagado.
20. Pegar num cordeiro.
23. Falar com sotaque por um dia inteiro.
25. Ter dois hard drives para o computador.
26. Conhecer o teu país.
29. Dançar com um estranho.
38. Beijar na chuva.
41. Apaixonar-se e não ficar de coração partido.
43. Fazer uma arte marcial.
46. Ficar sem comer 5 dias.
47. Fazer um bolo sozinho.
48. Fazer uma tatuagem.
49. Receber flores sem razão.
52. Ter um caso de uma noite.
50. Fazer um piercing.
51. Andar a cavalo.
52. Fazer uma grande cirurgia.
59. Escrever a sua própria linguagem no computador.
62. Salvar a vida de alguém.
Valery - Chapter 2 [EDITADO]
Juro que é a última vez que eu edito o 2º capítulo AUSAUHSAS :)
Hoje de madrugada, eu posto o 3º capítulo *-*
Espero que gostem :)
CHARLES
-Vamos Charles, você consegue. – a voz mais doce do mundo tentava me encorajar.
-Não, eu tenho medo. – respondi.
-Mas você tem que superar esse medo, Charles! Vamos, eu estou aqui com você!
-Você promete que não vai me soltar? – perguntei.
-Prometo! Confie em mim, dê-me sua mão. – falando isso, ela esticou seu braço para que eu o pegasse.
Apertei a sua mão firme, e me esforcei para subir a árvore. Eu não acreditava que tinha chegado até ali. Estávamos quase no topo, eu podia sentir os galhos batendo em meu rosto. Minha vontade era de chorar e sair correndo, mas ela me acalmava e me fazia acreditar que eu conseguiria. Eu não queria decepcioná-la.
-Eu disse que você conseguiria Charles. – ela estava feliz agora.
-Consegui, porque você me ajudou.
-Não, Charles. Você fez isso sozinho. Você superou seu medo sozinho, eu não te ajudei nisso.
-É claro que você me ajudou. Você me deu sua mão e...
-Isso não é nada perto do que você fez. Olha, está vendo o Sol ali? – ela apontou para o céu bem longe, mas que parecia tão perto dali de cima. Ele era grande e de um laranja que me encantava. - É lindo, não é?
-Sim
-Então, toda vez que você estiver com medo de alguma coisa, lembre disso. Lembre dessa vista linda e pense nela como uma recompensa caso você tenha coragem. Você pode tudo, Charles, não importa o quão alto seja o seu problema.
Eu a abracei. Não conseguia pensar em mais nada pra dizer. Foi a forma que eu encontrei para lhe agradecer. As lágrimas invadiam meus olhos e minha barriga estava gelada. Aquele era o momento mais feliz da minha vida. Nunca queria esquecê-lo. Queria poder parar o tempo e ficar ali abraçado com ela e sentindo o calor de sua respiração, o carinho de suas mãos em meus cabelos. Parei por um segundo e deixei as palavras saírem como um soluço pela minha garganta.
-Eu te amo, Clair!
-Eu te amo mais, meu irmão.
-
Essa era a mais forte lembrança que eu tinha de Clair quando ainda era viva. Éramos pequenos, e ela sempre cuidou de mim, pois era dois anos mais velha. Ela me encorajava a fazer coisas que eu achava impossíveis ou que me traziam medo. Todo dia, quando eu acordo, olho para a janela e vejo o nascer do Sol. Fico lembrando dela, de como era bom tê-la comigo.
Quando eu quero um lugar pra ficar sozinho e me sentir em paz, procuro esta mesma árvore. Nós sempre subíamos nela para nos esconder de nossos pais ou admirar o Sol bem de cima da árvore.
Esse era um momento em que eu correra para a árvore. Precisava fugir da confusão que estava em minha casa, precisava pensar em tudo que estava acontecendo, na criança, no meu pai. Mas pensar sozinho. Fiquei ali na árvore. A chuva parara, e Marie deve ter desistido de convencer Edgar a devolver a criança, porque ela não mais socava a porta.
Minha cabeça parecia que ia explodir. Eu podia sentir as lágrimas presas em meus olhos e o zunido em meu ouvido causado pelo forte som dos trovões da chuva de hoje cedo.
Como meu pai encontrara aquela criança? – era só isso que eu conseguia pensar.
Nós estávamos discutindo do lado de fora de nossa casa. Uma forte chuva caía sobre nossas cabeças. Papai estava, mais uma vez, bêbado e, por isso, estava fora de si. Tanto que, quando ele viu o raio atingindo a floresta, pensou que fosse algum sinal... De Deus – como se isso fosse uma coisa supernormal - e correu em sua direção.
É impossível uma criança sobreviver sozinha em uma floresta com aquela chuva e aquele fogo que se iniciava.
Eu queria descobrir como ela estava ali, mas não tinha tempo para isso.
Sua semelhança com Clair me incomodava me deixava perturbado.
Voltei para casa. Marie havia saído. Edgar continuava trancado no quarto.
Deitei-me no sofá e pensei em dormir, mas Edgar gritou meu nome.
-Charles! Venha aqui! – ele me chamou
-Já estou indo, pai! – respondi.
A porta do quarto não estava mais trancada. Abri e vi Edgar deitado do lado da criança em minha cama. Ela brincava com os dedos dele, e ele sorria maravilhado.
Há tempos que eu não via meu pai feliz assim.
-Você sabe cuidar de crianças? – ele me perguntou, ainda com os olhos no bebê.
-Acho que sim. Por quê?
-Preciso sair. Tenho que comprar alguma coisa para ela comer e chamar um médico. Ela está ardendo em febre. Você acha que pode ficar aqui com ela enquanto isso?
Desde que Clair morrera, Edgar nunca mais fora cuidadoso comigo ou até consigo mesmo. Era estranho e bom ao mesmo tempo vê-lo se importando com a vida de alguém.
-Sim, eu posso! –respondi
-Tudo bem. Confio em você meu filho! – ele me chamara de filho. Só eu sei o quanto senti falta disso. – Não deixe que sua mãe chegue perto dela. Tenho que pensar no que irei fazer antes que ela tente devolver a sua irmã.
Minha irmã. Aquela criança que agora estava em meu colo, sorrindo para mim, era minha irmã. Definitivamente, meu pai estava decidido em ficar com ela.
Ele estava saindo, quando o chamei novamente.
-Pai!
-Sim?
-Você... Já... Pensou... No nome dela?
Não sei por que eu gaguejei. Eu só não queria demonstrar tanto interesse, tinha medo que meu pai se empolgasse mais ainda.
-Valery! Sim, esse vai ser seu nome. Valery!
Nunca tinha ouvido esse nome antes. É bonito, e ela parecia gostar quando falávamos seu novo nome. Franzi a testa. Imaginei que ele fosse chamá-la de Clair também.
Percebendo a confusão em meu rosto, ele continuou.
-Achei melhor não chamá-la de Clair.
Entendi o que ele quis dizer, e achei melhor não prolongar o assunto.
-Certo. Vá logo fazer o que o senhor tem que fazer que ficarei aqui com Valery.
Dizer esse nome soava... Bem.
Edgar saiu e agora estávamos somente eu e Valery.
Toda vez que eu a olhava, lembrava da minha irmã. Lembrava de quando éramos pequenos e brincávamos, conversávamos e guardávamos segredos. Doía-me no coração pensar que nunca mais vou tê-la novamente.
Marie voltou a casa e parou para me olhar segurando Valery.
-O que você está fazendo com essa criança? – perguntou.
-Papai saiu e pediu que eu cuidasse dela. – respondi
-Seu pai está louco. Esta criança não pode continuar em nossa casa. Mais cedo ou mais tarde sua família vai aparecer para pegá-la.
Eu concordava com o que ela dizia, mas, de alguma forma, o brilho nos olhos de Edgar me fizeram acreditar que Valery poderia trazer um pouco da felicidade que Clair sempre trouxe para nossa casa e, então, resolvi ser contra.
-A família dela agora é aqui conosco. – demonstrei segurança naquilo que eu dizia. Marie amedrontou-se com isso.
-Vocês estão loucos. – ela resmungou e saiu.
Mais tarde, Edgar chegou com um médico e sacolas de lojas de crianças. O médico a analisou e passou alguns remédios. Papai exigiu que ele fizesse o que fosse necessário para deixar Valery bem. Novamente, fiquei sozinho no quarto com Valery. Meu pai estava agora se despedindo do médico e arrumando as compras que ele fizera. Mamãe preferia ficar longe da menina, pois sabia que Edgar estava louco e ela tinha medo do que ele podia fazer, por isso mantinha-se em seu quarto. Por um segundo, esqueci de todas as dúvidas que eu tinha sobre aquele pequeno ser em meus braços. Ela tinha algum feitiço, alguma coisa que atuava sobre mim e me fazia amá-la. Comecei a admitir pra mim mesmo que ela era a minha irmã.
-Você é minha irmã. – eu disse a ela com um enorme sorriso no rosto. – Minha irmãzinha. – parei um pouco. Minha garganta estava presa. Minha voz saía fraca e eu estava soluçando em lágrimas – Sei que você não é a Clair e sei que não é mesmo minha irmã de sangue. E não me importa mais de onde você veio, ou quem são seus verdadeiros pais. Eu cuidarei de você. E estarei do seu lado sempre que você precisar. Serei seu irmão, seu amigo. Eu prometo... Eu prometo que nada... Nada de mal vai acontecer a você, Valery! – beijei a sua testa, e acho que ela entendeu o que eu havia dito, porque seus olhos estavam brilhando e seus pequenos dedos abraçaram a ponta do meu dedo em demonstração de carinho. Começara ali um sentimento novo dentro de mim.
Eu tinha uma nova irmã e eu faria tudo para que dessa vez desse certo.
-
-Como está a valery? – Edgar perguntara para mim, que ainda estava segurando-a.
-Está melhor – respondi – Sua febre já passou.
-Ótimo.
-O que o médico disse? – perguntei
-Nada demais. Ela ficará bem, teve sorte de ser encontrada por nós e viva. Ele acredita que ela tenha mais ou menos sete meses. Ela já é bem grandinha, não acha?
-Sim. Eu já imaginara isso. – Valery não parecia exatamente uma criança normal para sua idade. Ela era muito inteligente, e grande. - E o que são essas coisas? – apontei para as sacolas em cima da mesa
-Ah, sim. Você já as viu. Hm, são coisas que eu comprei para ela. Afinal, não posso deixá-la sem roupas novas, brinquedos e essas coisas de criança.
Ele tinha razão. Nós encontramos Valery usando somente uma toalha dourada e que estava suja por conta da chuva. De alguma forma, ela cheirava a cinzas. Eu a havia guardado em meu armário. A achei diferente, bonita, interessante. É a única coisa que temos do dia em que encontramos Valery. Foi bom eu tê-la guardado. Meu pai nem percebera.
Enquanto falava sobre as compras, ele tirava as coisas das sacolas e ia me mostrando. Ele estava tão feliz, mas eu ainda perguntava-me aonde ele tinha arranjado dinheiro para tudo isso. Nós não éramos mais aquela família Parker que esbanjava dinheiro por aí.
-Pai... – eu já ia perguntar como ele pagara por tudo isso, mas ele me interrompeu.
-Não, Charles! Agora não. Sei o que você vai falar. Está tudo bem, okay? Eu sei o que eu faço.
Simplesmente abaixei a cabeça. Não queria mais um problema na minha cabeça agora. Espero que ele não tenha se envolvido em problemas também.
-Aonde ela vai dormir? – perguntei
-Ainda não pude comprar um berço para ela. Ela pode dormir na sua cama, você dorme no sofá.
É, essa idéia não me parecia muito boa, mas eu a aceitaria.
-Vamos dormir. Amanhã nós vamos providenciar os documentos de Valery. Quero tudo certinho para a minha filha.
-Pai, calma! Não podemos nos apressar assim. E se os pais dela voltarem? – eu não me preocupava mais em saber quem eram seus pais ou coisa do tipo, mas eu não podia descartar a possibilidade de que ela poderia ir embora a qualquer momento. Eu tinha que manter os pés no chão, diferente do meu pai que andava com a cabeça nas nuvens.
-Eles não vão voltar. Ela é minha.
Falando isso, ele pegou Valery e a acomodou em minha cama e colocou algumas coisas ao redor dela, como uma barreira, impedindo que ela caísse. Saí imediatamente do quarto. Olhei para o sofá e a TV ligada. A última vez que eu dormi ali, Clair ainda estava viva.
-Assassinatos, enchentes, política. – repeti os principais temas das manchetes do jornal que estavam passando na tv. – será que vai ser sempre a mesma coisa? – mudei de canal. Estava passando a apresentação de alguma banda ao vivo. Não sei qual era, mas era boa.
-
Acordei em um pulo. Pensei que estivesse atrasado. Não queria ter que ouvir minha mãe reclamando mais uma vez que eu tinha acordado tarde.
Comecei com a minha rotina. Calça velha, botas, camisa suja e meu macacão surrado por cima.
-Você já está pronto? – fui surpreendido pelo meu pai. Ele estava todo arrumado. O cabelo penteado, a barba feita. Ele até estava vestindo uma camisa nova. Mas, pronto pra quê?
-Ãn? – perguntei
-Nós vamos ao cartório, esqueceu? Arrume-se rápido.
Eu tinha esquecido completamente disso. Na verdade, não me lembro de como eu dormi. Lembro que tinha uma banda... Uma música e...
-Já estou indo.
Arruimei-me e, em alguns minutos, eu já estava entrando no carro com papai e Valery. Era uma caminhonete velha. Eu mal podia entrar nela, porque a porta estava presa ao carro. Tinha que fazer força para que abrisse. Os bancos já não pareciam exatamente bancos. Eles estavam rasgados e sujos. Totalmente deformados. O som era um modelo bem antigo, ainda tinha entrada para toca-fitas. Não sei como aquele monte de metal, como eu costumava chamá-lo, continuava funcionando.
-Não vamos avisar a mamãe que estamos saindo? – perguntei, já dentro do carro.
-Não! Deixe-a enlouquecer mais um pouco.
Tentei esconder, mas não consegui. Eu ri do que Edgar falou. Ele percebeu e respondeu com uma risada alta.
Liguei o som. A música que estava tocando, me parecia familiar.
Sim, era a música de ontem à noite, na TV. Lembrei dela, pois uma frase me chamou a atenção. “It’s not faith if you use your eyes” É como se a cantora da banda soubesse que eu estava precisando de uma mensagem como essa.
A música acabou e eu não soube de quem era. A rádio não anuncionou o nome da banda. Imaginei que não fosse um single, ou coisa do tipo. Deve ter sido algo aleatório que tocara na rádio.
Tive que me contentar com o country local.
Edgar estava concentrado enquanto dirigia, mas mesmo assim começou a conversar comigo.
-Charles, quando chegarmos lá, você procura não chamar muita a atenção das pessoas. Você sabe como essa região que nós moramos é pequena e as pessoas gostam de fofocar. Não quero ninguém falando da minha filha.
Concordei imediatamente, e aproximei minha mão do rádio, tentando aumentá-lo novamente, Edgar tinha abaixado o volume para falar comigo.
Ele me impediu disso e continuou falando.
-Você se lembra do Phil? Meu amigo, ele foi a nossa casa quando... Quando a Clair...
-Sim, eu lembro! – achei melhor responder logo. Era difícil para ele ter que falar desse assunto.
-Então, você se lembra em que ele trabalha? – Edgar não olhava para mim, ele simplestemente falava como se já soubesse a resposta.
-Acho que sim... Alguma coisa no cartório, não é?
-É, e é nesse mesmo cartório em que estamos indo.
Por que ele estava me falando sobre esse seu... Amigo? Eu nem lembrava direito dele. Na verdade, meu pai não tinha muitos amigos, a maioria eram interesseiros, e, os que ele tinha, perdera depois que ele começou a beber.
-Andei pensando no que você me disse ontem. Sei que vai ser difícil ficar com a Valery, por isso terei que tomar algumas atitudes.
Pronto! Eu já sabia o que ele iria fazer... Ele vai...
-Eu vou pagar para esse meu amigo me dar os documentos necessários para que eu tenha a guarda dela.
Era exatamente isso que eu imaginava. Deixei que ele continuasse.
-Quero que guarde esse segredo. Ninguém pode saber principalmente Marie.
-Tudo bem pai, eu manterei segredo. Só preciso que você me garanta uma coisa.
-Qualquer coisa, Charles.
-De onde você está tirando todo esse dinheiro?
Ele ficou nervoso. Se antes ele não olhava em meu rosto, agora menos ainda. Esperei, até que ele me respondesse.
-Pai?
-Eu... Eu consegui. Não importa como, está bem? Está tudo sobre controle.
Alguma coisa me fazia querer acreditar nele, mas sempre desconfiando. Meu pai nunca me deu motivos para desconfiar dele, ele sempre foi muito honesto, mesmo agora que é o maior bêbado da cidade.
-Eu vou confiar em você, pai! Mas... Por favor, não se meta em mais um problema.
-Tudo bem. Obrigado, filho! Eu sabia que podia contar com você! – ele afagou meus cabelos e continuou falando – você vai ver como vai ser bom termos mais uma pessoa na família. Eu lhe garanto.
Concordei com um sorriso e aumentei a música novamente. No fundo, eu tinha medo das conseqüências das ações do meu pai, mas eu continuaria com ele, é muito bom tê-lo novamente.
-
Depois de alguns minutos na estrada, chegamos ao cartório. Era um antigo prédio do governo. Antes era uma lanchonete, ou coisa do tipo, não sei. Ele ficava no meio de uma feira, não era muito adequado um cartório ali, no meio daquela bagunça. Mas o povo não parecia se importar. Ele era o único que tinha ali por perto e até que era grande para o número de pessoas da região. A placa com a palavra “CARTÓRIO” escrita em letras grandes, chamava a atenção de todos que a viam.
-Saia do carro e pegue a sua irmã. Eu vou na frente, tentar falar com o Phil.
Suspirei como quem desaprova o que ele estava prestes a fazer, mas acho que ele não viu. Valery estava dormindo e, quando eu a peguei no meu colo, continuou assim. Não sei como aquela barulheira toda e aquele odor horrível não a acordavam. Eu estaria, no mínimo, chorando bem alto. Se fosse criança, é claro.
Entrei no cartório. A fila estava enorme. Parecia que todos tinham ido lá hoje. Edgar estava logo no começo da fila. Fui até lá.
-Obrigado, Phil. Eu sabia que você me ajudaria.
Papai estava falando com o amigo dele, e entregando a ele um maço de dinheiro. Estranhei que as outras pessoas não tenham visto.
-Pai...
-Ah sim, Charles... Está aqui, Phil. Esta é a Valery. Linda, não?
-Sim, sim. Muito linda. – Phil imitou uma voz engraçada e mexeu nos cachinhos de Valery em meu colo.
-Eu preciso ficar aqui com ela? – perguntei.
-Não. Já está tudo resolvido. O Phil aqui vai conseguir tudo que eu preciso, não é? – meu pai parecia um... Criminoso... Ele tinha... Malícia em sua voz. No final das contas, agora, ele não passava de um criminoso mesmo.
-Você pode se sentar ali, garoto! – Phil apontou pra mim um banco no final da fila.
-Obrigado.
O banco estava um pouco longe. As pessoas na fila me encaravam enquanto eu andava em direção a ele. Não me importava muito. Sabia que não estavam olhando para mim, e sim para o anjo em meus braços. Segui andando até chegar ao meu destino.
-Você vai sentar aqui? – uma vez feminina aparecera do nada.
-É eu iria, mas... Você pode se sentar, sem problemas. – respondi imediatamente sem nem olhar quem era.
-Obrigada.
Agora, era inevitável não olhar quem era. Dona...
-Charles! Eu não tinha visto que era você. Como você está? – Dona Jannet perguntara.
Fiquei calado. Olhar para ela me lembrava da escola.
-Esqueci, você não é de falar muito. Quem é esta menina linda? – D. Jannet falava agora com a atenção em Valery.
-É minha irmã – respondi
-E ela tem nome? – perguntou D. Jannet
-Valery!
-Hm... Disciplina, lealdade...
-O quê?
-Não nada... Eu só estava pensando no significado do nome dela... É um ótimo nome.
-Meu pai quem escolheu.
-Ele está aqui com você?
-Sim nós... Ér... Viemos renovar a carteira de identidade dele. Ele usa a mesma desde os 20 anos, por aí – menti, tentando não chamar a atenção para Valery, como meu pai havia me dito. – E você? – perguntei, tentando mudar o rumo da conversa.
-Bem, eu acabei de chegar aqui na cidade, você sabe. Preciso organizar alguns documentos. – ela me analisava de ponta a cabeça e continuava falando – Sabe Charles, eu gostei muito de você.
Estranhei isso. Eu nem a conhecia direito e ela já gostava de mim. Pensei em ser educado e dizer o mesmo.
-Obrigado. Também gostei de você Don... Jannet. – lembrei que ela não gostava de ser chamada de Dona.
-Eu gostaria muito de ajudá-lo, sabe?
Ajudar-me? Em que? Se ela falasse sobre a escola... Eu...
-Percebi que você não gosta de tocar nesse assunto. E vou respeitar. Mas pensei que talvez pudesse lhe ajudar em alguma coisa. Trabalhar na fazenda não é certo, não é bom para você.
Ela tinha razão. Nunca gostei de ficar ali no meio da terra e dos bichos. Arrependo-me muito de ter saído da escola para trabalhar. Mas minha família vem sempre em primeiro lugar, mesmo que não seja tão bem estruturada. Eu continuaria trabalhando para ajudá-la.
-Eu agradeço, mas, já lhe disse que não tem nada que você possa me ajudar.
-Ontem, no meu primeiro dia na escola, a diretora me disse que estavam precisando de um porteiro. O antigo aposentou-se e não havia ninguém para preencher a vaga dele. Não é grande coisa, eu sei. Mas talvez, ali, no meio dos alunos, do âmbito escolar, você aprenda alguma coisa ou pense em voltar. Sem contar que o salário fixo ajudará ainda mais na sua renda familiar.
Nunca me imaginei sendo porteiro. Nem sabia que eu tinha idade para trabalhar sério. Mas, mesmo que a escola fosse um trauma para mim, fiquei animado com a idéia de trabalhar lá.
-Eu... Eu vou pensar.
-Tudo bem. Só não demore. Alguém pode preencher a vaga. – ela sorriu ao dizer isso.
Papai estava voltando. O tempo deve ter passado muito rápido e eu nem percebi.
-Tenho que ir, Jannet. – beijei seu rosto e saí.
-Qualquer coisa, me procure na escola.
-Pode deixar.
Já estava na porta do carro quando Edgar chegou logo atrás de mim.
-Quem era aquela mulher conversando com você? – ele perguntou
-Não era ninguém. Só alguém que conheci na fila. Nada demais.
-Ela fez perguntas sobre a Valery?
-Não. Eu nem a conhecia, pai. Pode ficar tranquilo.
-Ótimo. Vamos embora.
Valery estava acordada, eu nem tinha percebido. Devo ter me concentrado demais na conversa com a Jannet. Ela agora estava fazendo alguns barulhos e apontando para meu... Nosso pai.
-Não, querida! Papai vai dirigir agora. – ele respondeu ao gesto dela.
Coloquei-a no banquinho de criança e prendi o cinto. Eu queria voltar logo para casa e pensar na proposta que eu recebera.
-
-Aonde vocês foram? – Marie estava à porta esperando por nós.
-No comércio. Faltavam coisas demais na dispensa. – Edgar respondeu.
-Mentirosos. Todos vocês.
-Bom dia, mãe.
-Não me venha com essa agora, Charles! Eu não estou de bom humor.
Pensei... Quando que ela estava de bom humor? Nunca. Minha mãe agora só andava emburrada, e piorou depois que Valery chegou.
Entreguei Valery ao meu pai e fui atrás de minha mãe. Ela tinha ido, como sempre, para seu quarto. Passavam mil ideias sobre o que ela tanto fazia lá. Depois eu as organizaria e descobriria exatamente o que era.
-Mãe... Posso falar com a senhora?
-Se for sobre essa... Essa menina... Não!
-Não é. É sobre... Um emprego.
Seu rosto mudou totalmente. Ela estava agora interessada no que eu tinha pra falar.
-Emprego? Que emprego?
-Na escola. Eu conheci uma pessoa que trabalha lá e ela me disse que tinha uma vaga de emprego.
-Vaga de...?
Eu sabia que ela não aceitaria. Que ela diria que era mixaria ou que eu merecia mais. Mas eu não tinha outra opção. Não conseguiria manter uma mentira, como dizer que era outro emprego, por tanto tempo.
-Porteiro.
-Quanto é o salário?
Eu definitivamente não esperava essa pergunta. Não agora, pelo menos.
-Não sei ainda. Mas ela me disse que serei bem pago. E seria bom. É um salário fixo... Trarei mais dinheiro para casa.
Ela parou por um segundo. Estava me analisando e pensando no que dizer.
-Por mim tanto faz. Você já pode cuidar da sua vida sozinho. Só seja responsável.
Inacreditável. Quem era aquele ser angelical no corpo da minha mãe?
-Obrigado, mãe! Muito obrigado.
-Ta, saia daqui! Quero ficar sozinha no meu quarto.
Saí imensamente feliz. Eu sabia que nada me impediria de ter esse emprego. No começo eu nem o queria, mas pensei melhor e será bom pra mim. Aliás, sinto falta da escola e Edgar deixava-me fazer tudo que eu quero.
Amanhã será um grande dia. Eu irei para a escola, para o meu primeiro emprego.
Hoje de madrugada, eu posto o 3º capítulo *-*
Espero que gostem :)
CHARLES
-Vamos Charles, você consegue. – a voz mais doce do mundo tentava me encorajar.
-Não, eu tenho medo. – respondi.
-Mas você tem que superar esse medo, Charles! Vamos, eu estou aqui com você!
-Você promete que não vai me soltar? – perguntei.
-Prometo! Confie em mim, dê-me sua mão. – falando isso, ela esticou seu braço para que eu o pegasse.
Apertei a sua mão firme, e me esforcei para subir a árvore. Eu não acreditava que tinha chegado até ali. Estávamos quase no topo, eu podia sentir os galhos batendo em meu rosto. Minha vontade era de chorar e sair correndo, mas ela me acalmava e me fazia acreditar que eu conseguiria. Eu não queria decepcioná-la.
-Eu disse que você conseguiria Charles. – ela estava feliz agora.
-Consegui, porque você me ajudou.
-Não, Charles. Você fez isso sozinho. Você superou seu medo sozinho, eu não te ajudei nisso.
-É claro que você me ajudou. Você me deu sua mão e...
-Isso não é nada perto do que você fez. Olha, está vendo o Sol ali? – ela apontou para o céu bem longe, mas que parecia tão perto dali de cima. Ele era grande e de um laranja que me encantava. - É lindo, não é?
-Sim
-Então, toda vez que você estiver com medo de alguma coisa, lembre disso. Lembre dessa vista linda e pense nela como uma recompensa caso você tenha coragem. Você pode tudo, Charles, não importa o quão alto seja o seu problema.
Eu a abracei. Não conseguia pensar em mais nada pra dizer. Foi a forma que eu encontrei para lhe agradecer. As lágrimas invadiam meus olhos e minha barriga estava gelada. Aquele era o momento mais feliz da minha vida. Nunca queria esquecê-lo. Queria poder parar o tempo e ficar ali abraçado com ela e sentindo o calor de sua respiração, o carinho de suas mãos em meus cabelos. Parei por um segundo e deixei as palavras saírem como um soluço pela minha garganta.
-Eu te amo, Clair!
-Eu te amo mais, meu irmão.
-
Essa era a mais forte lembrança que eu tinha de Clair quando ainda era viva. Éramos pequenos, e ela sempre cuidou de mim, pois era dois anos mais velha. Ela me encorajava a fazer coisas que eu achava impossíveis ou que me traziam medo. Todo dia, quando eu acordo, olho para a janela e vejo o nascer do Sol. Fico lembrando dela, de como era bom tê-la comigo.
Quando eu quero um lugar pra ficar sozinho e me sentir em paz, procuro esta mesma árvore. Nós sempre subíamos nela para nos esconder de nossos pais ou admirar o Sol bem de cima da árvore.
Esse era um momento em que eu correra para a árvore. Precisava fugir da confusão que estava em minha casa, precisava pensar em tudo que estava acontecendo, na criança, no meu pai. Mas pensar sozinho. Fiquei ali na árvore. A chuva parara, e Marie deve ter desistido de convencer Edgar a devolver a criança, porque ela não mais socava a porta.
Minha cabeça parecia que ia explodir. Eu podia sentir as lágrimas presas em meus olhos e o zunido em meu ouvido causado pelo forte som dos trovões da chuva de hoje cedo.
Como meu pai encontrara aquela criança? – era só isso que eu conseguia pensar.
Nós estávamos discutindo do lado de fora de nossa casa. Uma forte chuva caía sobre nossas cabeças. Papai estava, mais uma vez, bêbado e, por isso, estava fora de si. Tanto que, quando ele viu o raio atingindo a floresta, pensou que fosse algum sinal... De Deus – como se isso fosse uma coisa supernormal - e correu em sua direção.
É impossível uma criança sobreviver sozinha em uma floresta com aquela chuva e aquele fogo que se iniciava.
Eu queria descobrir como ela estava ali, mas não tinha tempo para isso.
Sua semelhança com Clair me incomodava me deixava perturbado.
Voltei para casa. Marie havia saído. Edgar continuava trancado no quarto.
Deitei-me no sofá e pensei em dormir, mas Edgar gritou meu nome.
-Charles! Venha aqui! – ele me chamou
-Já estou indo, pai! – respondi.
A porta do quarto não estava mais trancada. Abri e vi Edgar deitado do lado da criança em minha cama. Ela brincava com os dedos dele, e ele sorria maravilhado.
Há tempos que eu não via meu pai feliz assim.
-Você sabe cuidar de crianças? – ele me perguntou, ainda com os olhos no bebê.
-Acho que sim. Por quê?
-Preciso sair. Tenho que comprar alguma coisa para ela comer e chamar um médico. Ela está ardendo em febre. Você acha que pode ficar aqui com ela enquanto isso?
Desde que Clair morrera, Edgar nunca mais fora cuidadoso comigo ou até consigo mesmo. Era estranho e bom ao mesmo tempo vê-lo se importando com a vida de alguém.
-Sim, eu posso! –respondi
-Tudo bem. Confio em você meu filho! – ele me chamara de filho. Só eu sei o quanto senti falta disso. – Não deixe que sua mãe chegue perto dela. Tenho que pensar no que irei fazer antes que ela tente devolver a sua irmã.
Minha irmã. Aquela criança que agora estava em meu colo, sorrindo para mim, era minha irmã. Definitivamente, meu pai estava decidido em ficar com ela.
Ele estava saindo, quando o chamei novamente.
-Pai!
-Sim?
-Você... Já... Pensou... No nome dela?
Não sei por que eu gaguejei. Eu só não queria demonstrar tanto interesse, tinha medo que meu pai se empolgasse mais ainda.
-Valery! Sim, esse vai ser seu nome. Valery!
Nunca tinha ouvido esse nome antes. É bonito, e ela parecia gostar quando falávamos seu novo nome. Franzi a testa. Imaginei que ele fosse chamá-la de Clair também.
Percebendo a confusão em meu rosto, ele continuou.
-Achei melhor não chamá-la de Clair.
Entendi o que ele quis dizer, e achei melhor não prolongar o assunto.
-Certo. Vá logo fazer o que o senhor tem que fazer que ficarei aqui com Valery.
Dizer esse nome soava... Bem.
Edgar saiu e agora estávamos somente eu e Valery.
Toda vez que eu a olhava, lembrava da minha irmã. Lembrava de quando éramos pequenos e brincávamos, conversávamos e guardávamos segredos. Doía-me no coração pensar que nunca mais vou tê-la novamente.
Marie voltou a casa e parou para me olhar segurando Valery.
-O que você está fazendo com essa criança? – perguntou.
-Papai saiu e pediu que eu cuidasse dela. – respondi
-Seu pai está louco. Esta criança não pode continuar em nossa casa. Mais cedo ou mais tarde sua família vai aparecer para pegá-la.
Eu concordava com o que ela dizia, mas, de alguma forma, o brilho nos olhos de Edgar me fizeram acreditar que Valery poderia trazer um pouco da felicidade que Clair sempre trouxe para nossa casa e, então, resolvi ser contra.
-A família dela agora é aqui conosco. – demonstrei segurança naquilo que eu dizia. Marie amedrontou-se com isso.
-Vocês estão loucos. – ela resmungou e saiu.
Mais tarde, Edgar chegou com um médico e sacolas de lojas de crianças. O médico a analisou e passou alguns remédios. Papai exigiu que ele fizesse o que fosse necessário para deixar Valery bem. Novamente, fiquei sozinho no quarto com Valery. Meu pai estava agora se despedindo do médico e arrumando as compras que ele fizera. Mamãe preferia ficar longe da menina, pois sabia que Edgar estava louco e ela tinha medo do que ele podia fazer, por isso mantinha-se em seu quarto. Por um segundo, esqueci de todas as dúvidas que eu tinha sobre aquele pequeno ser em meus braços. Ela tinha algum feitiço, alguma coisa que atuava sobre mim e me fazia amá-la. Comecei a admitir pra mim mesmo que ela era a minha irmã.
-Você é minha irmã. – eu disse a ela com um enorme sorriso no rosto. – Minha irmãzinha. – parei um pouco. Minha garganta estava presa. Minha voz saía fraca e eu estava soluçando em lágrimas – Sei que você não é a Clair e sei que não é mesmo minha irmã de sangue. E não me importa mais de onde você veio, ou quem são seus verdadeiros pais. Eu cuidarei de você. E estarei do seu lado sempre que você precisar. Serei seu irmão, seu amigo. Eu prometo... Eu prometo que nada... Nada de mal vai acontecer a você, Valery! – beijei a sua testa, e acho que ela entendeu o que eu havia dito, porque seus olhos estavam brilhando e seus pequenos dedos abraçaram a ponta do meu dedo em demonstração de carinho. Começara ali um sentimento novo dentro de mim.
Eu tinha uma nova irmã e eu faria tudo para que dessa vez desse certo.
-
-Como está a valery? – Edgar perguntara para mim, que ainda estava segurando-a.
-Está melhor – respondi – Sua febre já passou.
-Ótimo.
-O que o médico disse? – perguntei
-Nada demais. Ela ficará bem, teve sorte de ser encontrada por nós e viva. Ele acredita que ela tenha mais ou menos sete meses. Ela já é bem grandinha, não acha?
-Sim. Eu já imaginara isso. – Valery não parecia exatamente uma criança normal para sua idade. Ela era muito inteligente, e grande. - E o que são essas coisas? – apontei para as sacolas em cima da mesa
-Ah, sim. Você já as viu. Hm, são coisas que eu comprei para ela. Afinal, não posso deixá-la sem roupas novas, brinquedos e essas coisas de criança.
Ele tinha razão. Nós encontramos Valery usando somente uma toalha dourada e que estava suja por conta da chuva. De alguma forma, ela cheirava a cinzas. Eu a havia guardado em meu armário. A achei diferente, bonita, interessante. É a única coisa que temos do dia em que encontramos Valery. Foi bom eu tê-la guardado. Meu pai nem percebera.
Enquanto falava sobre as compras, ele tirava as coisas das sacolas e ia me mostrando. Ele estava tão feliz, mas eu ainda perguntava-me aonde ele tinha arranjado dinheiro para tudo isso. Nós não éramos mais aquela família Parker que esbanjava dinheiro por aí.
-Pai... – eu já ia perguntar como ele pagara por tudo isso, mas ele me interrompeu.
-Não, Charles! Agora não. Sei o que você vai falar. Está tudo bem, okay? Eu sei o que eu faço.
Simplesmente abaixei a cabeça. Não queria mais um problema na minha cabeça agora. Espero que ele não tenha se envolvido em problemas também.
-Aonde ela vai dormir? – perguntei
-Ainda não pude comprar um berço para ela. Ela pode dormir na sua cama, você dorme no sofá.
É, essa idéia não me parecia muito boa, mas eu a aceitaria.
-Vamos dormir. Amanhã nós vamos providenciar os documentos de Valery. Quero tudo certinho para a minha filha.
-Pai, calma! Não podemos nos apressar assim. E se os pais dela voltarem? – eu não me preocupava mais em saber quem eram seus pais ou coisa do tipo, mas eu não podia descartar a possibilidade de que ela poderia ir embora a qualquer momento. Eu tinha que manter os pés no chão, diferente do meu pai que andava com a cabeça nas nuvens.
-Eles não vão voltar. Ela é minha.
Falando isso, ele pegou Valery e a acomodou em minha cama e colocou algumas coisas ao redor dela, como uma barreira, impedindo que ela caísse. Saí imediatamente do quarto. Olhei para o sofá e a TV ligada. A última vez que eu dormi ali, Clair ainda estava viva.
-Assassinatos, enchentes, política. – repeti os principais temas das manchetes do jornal que estavam passando na tv. – será que vai ser sempre a mesma coisa? – mudei de canal. Estava passando a apresentação de alguma banda ao vivo. Não sei qual era, mas era boa.
-
Acordei em um pulo. Pensei que estivesse atrasado. Não queria ter que ouvir minha mãe reclamando mais uma vez que eu tinha acordado tarde.
Comecei com a minha rotina. Calça velha, botas, camisa suja e meu macacão surrado por cima.
-Você já está pronto? – fui surpreendido pelo meu pai. Ele estava todo arrumado. O cabelo penteado, a barba feita. Ele até estava vestindo uma camisa nova. Mas, pronto pra quê?
-Ãn? – perguntei
-Nós vamos ao cartório, esqueceu? Arrume-se rápido.
Eu tinha esquecido completamente disso. Na verdade, não me lembro de como eu dormi. Lembro que tinha uma banda... Uma música e...
-Já estou indo.
Arruimei-me e, em alguns minutos, eu já estava entrando no carro com papai e Valery. Era uma caminhonete velha. Eu mal podia entrar nela, porque a porta estava presa ao carro. Tinha que fazer força para que abrisse. Os bancos já não pareciam exatamente bancos. Eles estavam rasgados e sujos. Totalmente deformados. O som era um modelo bem antigo, ainda tinha entrada para toca-fitas. Não sei como aquele monte de metal, como eu costumava chamá-lo, continuava funcionando.
-Não vamos avisar a mamãe que estamos saindo? – perguntei, já dentro do carro.
-Não! Deixe-a enlouquecer mais um pouco.
Tentei esconder, mas não consegui. Eu ri do que Edgar falou. Ele percebeu e respondeu com uma risada alta.
Liguei o som. A música que estava tocando, me parecia familiar.
Sim, era a música de ontem à noite, na TV. Lembrei dela, pois uma frase me chamou a atenção. “It’s not faith if you use your eyes” É como se a cantora da banda soubesse que eu estava precisando de uma mensagem como essa.
A música acabou e eu não soube de quem era. A rádio não anuncionou o nome da banda. Imaginei que não fosse um single, ou coisa do tipo. Deve ter sido algo aleatório que tocara na rádio.
Tive que me contentar com o country local.
Edgar estava concentrado enquanto dirigia, mas mesmo assim começou a conversar comigo.
-Charles, quando chegarmos lá, você procura não chamar muita a atenção das pessoas. Você sabe como essa região que nós moramos é pequena e as pessoas gostam de fofocar. Não quero ninguém falando da minha filha.
Concordei imediatamente, e aproximei minha mão do rádio, tentando aumentá-lo novamente, Edgar tinha abaixado o volume para falar comigo.
Ele me impediu disso e continuou falando.
-Você se lembra do Phil? Meu amigo, ele foi a nossa casa quando... Quando a Clair...
-Sim, eu lembro! – achei melhor responder logo. Era difícil para ele ter que falar desse assunto.
-Então, você se lembra em que ele trabalha? – Edgar não olhava para mim, ele simplestemente falava como se já soubesse a resposta.
-Acho que sim... Alguma coisa no cartório, não é?
-É, e é nesse mesmo cartório em que estamos indo.
Por que ele estava me falando sobre esse seu... Amigo? Eu nem lembrava direito dele. Na verdade, meu pai não tinha muitos amigos, a maioria eram interesseiros, e, os que ele tinha, perdera depois que ele começou a beber.
-Andei pensando no que você me disse ontem. Sei que vai ser difícil ficar com a Valery, por isso terei que tomar algumas atitudes.
Pronto! Eu já sabia o que ele iria fazer... Ele vai...
-Eu vou pagar para esse meu amigo me dar os documentos necessários para que eu tenha a guarda dela.
Era exatamente isso que eu imaginava. Deixei que ele continuasse.
-Quero que guarde esse segredo. Ninguém pode saber principalmente Marie.
-Tudo bem pai, eu manterei segredo. Só preciso que você me garanta uma coisa.
-Qualquer coisa, Charles.
-De onde você está tirando todo esse dinheiro?
Ele ficou nervoso. Se antes ele não olhava em meu rosto, agora menos ainda. Esperei, até que ele me respondesse.
-Pai?
-Eu... Eu consegui. Não importa como, está bem? Está tudo sobre controle.
Alguma coisa me fazia querer acreditar nele, mas sempre desconfiando. Meu pai nunca me deu motivos para desconfiar dele, ele sempre foi muito honesto, mesmo agora que é o maior bêbado da cidade.
-Eu vou confiar em você, pai! Mas... Por favor, não se meta em mais um problema.
-Tudo bem. Obrigado, filho! Eu sabia que podia contar com você! – ele afagou meus cabelos e continuou falando – você vai ver como vai ser bom termos mais uma pessoa na família. Eu lhe garanto.
Concordei com um sorriso e aumentei a música novamente. No fundo, eu tinha medo das conseqüências das ações do meu pai, mas eu continuaria com ele, é muito bom tê-lo novamente.
-
Depois de alguns minutos na estrada, chegamos ao cartório. Era um antigo prédio do governo. Antes era uma lanchonete, ou coisa do tipo, não sei. Ele ficava no meio de uma feira, não era muito adequado um cartório ali, no meio daquela bagunça. Mas o povo não parecia se importar. Ele era o único que tinha ali por perto e até que era grande para o número de pessoas da região. A placa com a palavra “CARTÓRIO” escrita em letras grandes, chamava a atenção de todos que a viam.
-Saia do carro e pegue a sua irmã. Eu vou na frente, tentar falar com o Phil.
Suspirei como quem desaprova o que ele estava prestes a fazer, mas acho que ele não viu. Valery estava dormindo e, quando eu a peguei no meu colo, continuou assim. Não sei como aquela barulheira toda e aquele odor horrível não a acordavam. Eu estaria, no mínimo, chorando bem alto. Se fosse criança, é claro.
Entrei no cartório. A fila estava enorme. Parecia que todos tinham ido lá hoje. Edgar estava logo no começo da fila. Fui até lá.
-Obrigado, Phil. Eu sabia que você me ajudaria.
Papai estava falando com o amigo dele, e entregando a ele um maço de dinheiro. Estranhei que as outras pessoas não tenham visto.
-Pai...
-Ah sim, Charles... Está aqui, Phil. Esta é a Valery. Linda, não?
-Sim, sim. Muito linda. – Phil imitou uma voz engraçada e mexeu nos cachinhos de Valery em meu colo.
-Eu preciso ficar aqui com ela? – perguntei.
-Não. Já está tudo resolvido. O Phil aqui vai conseguir tudo que eu preciso, não é? – meu pai parecia um... Criminoso... Ele tinha... Malícia em sua voz. No final das contas, agora, ele não passava de um criminoso mesmo.
-Você pode se sentar ali, garoto! – Phil apontou pra mim um banco no final da fila.
-Obrigado.
O banco estava um pouco longe. As pessoas na fila me encaravam enquanto eu andava em direção a ele. Não me importava muito. Sabia que não estavam olhando para mim, e sim para o anjo em meus braços. Segui andando até chegar ao meu destino.
-Você vai sentar aqui? – uma vez feminina aparecera do nada.
-É eu iria, mas... Você pode se sentar, sem problemas. – respondi imediatamente sem nem olhar quem era.
-Obrigada.
Agora, era inevitável não olhar quem era. Dona...
-Charles! Eu não tinha visto que era você. Como você está? – Dona Jannet perguntara.
Fiquei calado. Olhar para ela me lembrava da escola.
-Esqueci, você não é de falar muito. Quem é esta menina linda? – D. Jannet falava agora com a atenção em Valery.
-É minha irmã – respondi
-E ela tem nome? – perguntou D. Jannet
-Valery!
-Hm... Disciplina, lealdade...
-O quê?
-Não nada... Eu só estava pensando no significado do nome dela... É um ótimo nome.
-Meu pai quem escolheu.
-Ele está aqui com você?
-Sim nós... Ér... Viemos renovar a carteira de identidade dele. Ele usa a mesma desde os 20 anos, por aí – menti, tentando não chamar a atenção para Valery, como meu pai havia me dito. – E você? – perguntei, tentando mudar o rumo da conversa.
-Bem, eu acabei de chegar aqui na cidade, você sabe. Preciso organizar alguns documentos. – ela me analisava de ponta a cabeça e continuava falando – Sabe Charles, eu gostei muito de você.
Estranhei isso. Eu nem a conhecia direito e ela já gostava de mim. Pensei em ser educado e dizer o mesmo.
-Obrigado. Também gostei de você Don... Jannet. – lembrei que ela não gostava de ser chamada de Dona.
-Eu gostaria muito de ajudá-lo, sabe?
Ajudar-me? Em que? Se ela falasse sobre a escola... Eu...
-Percebi que você não gosta de tocar nesse assunto. E vou respeitar. Mas pensei que talvez pudesse lhe ajudar em alguma coisa. Trabalhar na fazenda não é certo, não é bom para você.
Ela tinha razão. Nunca gostei de ficar ali no meio da terra e dos bichos. Arrependo-me muito de ter saído da escola para trabalhar. Mas minha família vem sempre em primeiro lugar, mesmo que não seja tão bem estruturada. Eu continuaria trabalhando para ajudá-la.
-Eu agradeço, mas, já lhe disse que não tem nada que você possa me ajudar.
-Ontem, no meu primeiro dia na escola, a diretora me disse que estavam precisando de um porteiro. O antigo aposentou-se e não havia ninguém para preencher a vaga dele. Não é grande coisa, eu sei. Mas talvez, ali, no meio dos alunos, do âmbito escolar, você aprenda alguma coisa ou pense em voltar. Sem contar que o salário fixo ajudará ainda mais na sua renda familiar.
Nunca me imaginei sendo porteiro. Nem sabia que eu tinha idade para trabalhar sério. Mas, mesmo que a escola fosse um trauma para mim, fiquei animado com a idéia de trabalhar lá.
-Eu... Eu vou pensar.
-Tudo bem. Só não demore. Alguém pode preencher a vaga. – ela sorriu ao dizer isso.
Papai estava voltando. O tempo deve ter passado muito rápido e eu nem percebi.
-Tenho que ir, Jannet. – beijei seu rosto e saí.
-Qualquer coisa, me procure na escola.
-Pode deixar.
Já estava na porta do carro quando Edgar chegou logo atrás de mim.
-Quem era aquela mulher conversando com você? – ele perguntou
-Não era ninguém. Só alguém que conheci na fila. Nada demais.
-Ela fez perguntas sobre a Valery?
-Não. Eu nem a conhecia, pai. Pode ficar tranquilo.
-Ótimo. Vamos embora.
Valery estava acordada, eu nem tinha percebido. Devo ter me concentrado demais na conversa com a Jannet. Ela agora estava fazendo alguns barulhos e apontando para meu... Nosso pai.
-Não, querida! Papai vai dirigir agora. – ele respondeu ao gesto dela.
Coloquei-a no banquinho de criança e prendi o cinto. Eu queria voltar logo para casa e pensar na proposta que eu recebera.
-
-Aonde vocês foram? – Marie estava à porta esperando por nós.
-No comércio. Faltavam coisas demais na dispensa. – Edgar respondeu.
-Mentirosos. Todos vocês.
-Bom dia, mãe.
-Não me venha com essa agora, Charles! Eu não estou de bom humor.
Pensei... Quando que ela estava de bom humor? Nunca. Minha mãe agora só andava emburrada, e piorou depois que Valery chegou.
Entreguei Valery ao meu pai e fui atrás de minha mãe. Ela tinha ido, como sempre, para seu quarto. Passavam mil ideias sobre o que ela tanto fazia lá. Depois eu as organizaria e descobriria exatamente o que era.
-Mãe... Posso falar com a senhora?
-Se for sobre essa... Essa menina... Não!
-Não é. É sobre... Um emprego.
Seu rosto mudou totalmente. Ela estava agora interessada no que eu tinha pra falar.
-Emprego? Que emprego?
-Na escola. Eu conheci uma pessoa que trabalha lá e ela me disse que tinha uma vaga de emprego.
-Vaga de...?
Eu sabia que ela não aceitaria. Que ela diria que era mixaria ou que eu merecia mais. Mas eu não tinha outra opção. Não conseguiria manter uma mentira, como dizer que era outro emprego, por tanto tempo.
-Porteiro.
-Quanto é o salário?
Eu definitivamente não esperava essa pergunta. Não agora, pelo menos.
-Não sei ainda. Mas ela me disse que serei bem pago. E seria bom. É um salário fixo... Trarei mais dinheiro para casa.
Ela parou por um segundo. Estava me analisando e pensando no que dizer.
-Por mim tanto faz. Você já pode cuidar da sua vida sozinho. Só seja responsável.
Inacreditável. Quem era aquele ser angelical no corpo da minha mãe?
-Obrigado, mãe! Muito obrigado.
-Ta, saia daqui! Quero ficar sozinha no meu quarto.
Saí imensamente feliz. Eu sabia que nada me impediria de ter esse emprego. No começo eu nem o queria, mas pensei melhor e será bom pra mim. Aliás, sinto falta da escola e Edgar deixava-me fazer tudo que eu quero.
Amanhã será um grande dia. Eu irei para a escola, para o meu primeiro emprego.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Valery - Chapter 1 [EDITADO]
Juro que é a última vez que eu edito o 1º capítulo HAHA :)
Dessa vez, eu li várias vezes e corrigi todos os erros e acrescentei algumas coisas :)
Espero que gostem!! (:
“Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.
Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”
Prólogo: Eu não conseguia acreditar no que via. Ela estava ali, radiante, como eu nunca a vira. Sua aura me iluminava e me encantava. Não me importava que fosse o meu fim, eu estava imensamente feliz por finalmente saber a verdade. Eu a amava e a amarei mesmo agora no momento de minha morte. Valery!
Capítulo 1
Meus pés descalços machucavam-se no chão esburacado. Eu estava correndo desesperado, sozinho na noite, pelas ruas de Nashville. Não sabia muito bem para onde eu estava indo. Eu só sabia que tinha que chegar lá para ajudá-la e rápido.
Eu não consegui chegar a tempo. Clair estava ali no chão, morta. Corri para abraçar forte seu corpo sem alma, e fiquei lá abraçando-a, esperando que ela pudesse voltar.
Eu gritava seu nome, Clair, e pedia a Deus que ela me ouvisse e me respondesse, mas nada acontecia.
O tempo foi passando e eu continuava com ela em meus braços. Nada mais me importava. Eu ficaria ali até que eu a tivesse comigo novamente.
O chão começou a ceder. Parecia que estávamos em uma areia movediça. Enquanto íamos afundando, pude ver aquelas criaturas negras, encapuzadas se aproximando. Elas vieram para levar a minha irmã. Mas eu não permitiria isso.
-Saiam daqui! Deixem-nos em paz! – eu berrava, tentando afugentá-los.
Não adiantavam de nada as minhas súplicas.
O frio dominou meu corpo. A areia me afundava cada vez mais. As criaturas encapuzadas estavam agora ao nosso redor, falando coisas aos meus ouvidos e sugando minhas energias. O buraco da terra não tinha fim. Eu não tinha mais forças para segurá-la em meus braços. Eles a estavam levando.
-Não! Ela está viva! Deixem-na aqui comigo! – agora eu simplesmente sussurrava. Ela já estava longe, meus olhos fracos iam se fechando, sem forças...
-Charles, acorde!
Charles abriu os olhos. Mais uma vez, ele havia sonhado com a noite em que perdera sua irmã, e sabia que jamais esquecerá esse pesadelo. Ele ainda o perseguiria por muito tempo.
Agora, era mais uma manhã que sua mãe o acordava com socos na porta e gritos estridentes. Ele continuou ali, parado, observando o teto do quarto cheio de cupins. Era possível sentir o cheiro de mofo que estava em todo o seu pequeno e bagunçado quarto.
Vestiu a mesma camisa que havia vestido no dia anterior, e foi escovar os dentes. Sua mãe o chamou novamente e ele respondeu
-Eu já acordei, mãe! Já estou indo
Enquanto procurava seu caderno de desenhos, que ele nunca saía sem ele, no meio da bagunça que era seu quarto, Charles calçava suas botas e vestia um macacão velho e surrado por cima da camisa.
Não havia muitas coisas no quarto. Somente uma cama, um armário pequeno, um ventilador de teto e um banheiro que mais parecia uma caixa de tão pequeno que era.
Ainda meio sonolento, andou pela pequena casa até a mesa da cozinha e sentou-se perto de seu pai, enquanto sua mãe estava varrendo a casa.
-Bom dia, mãe. Bom dia, pai.
-Bom dia, meu filho – Disse Marie. Seu pai, Edgar, não fala nada.
Charles observa que seu pai estava segurando um jornal em suas mãos. Ele tentara ver a manchete principal, mas a única coisa que conseguira ver foi “Depois da falência da família Parker, Richard Walker é o novo...”
-Esse desgraçado. – Edgar resmungava enquanto lia o jornal.
-Vamos parar com isso! Não quero começar o dia com essas suas intrigas. – reclamou Marie. – Mas, você dormiu bem, meu filho?
Charles estranhou o comportamento de sua mãe. Há tempos que ela não parecia tão amigável e hospitaleira com as pessoas. Ele só imaginava o que havia acontecido para ela estar tão feliz assim, mas não deixava de aproveitar enquanto podia.
-Sim, e eu acordei com uma fome, mãe! Tem alguma coisa pra comer?
D. Marie demonstra certa tristeza ao ouvir isso, e responde em uma voz baixa a Charles.
-Nós não temos nada hoje, meu filho. Você vai ter que segurar um pouco.
Charles nada respondeu, ele já estava acostumado a passar o dia com fome.
-Claro que tem, mulher! Pare de mentir! – disse Edgar
-Não, Edgar. Nós não temos nada! Nossa colheita não tem produzido, e é culpa sua por sempre gastar em bebida. – reclamou Marie.
-Pare de reclamar! Você não sabe do está falando. – Edgar respondeu demonstrando raiva.
-Parem com isso! Eu não me importo se não tem comida. Posso ir trabalhar agora e arranjo alguma coisa pra comer. – Charles tentou evitar uma briga entre seus pais.
-Não meu filho! Você devia estar na escola! Não posso permitir que você trabalhe pelo seu pai, só porque ele não consegue superar uma coisa do passado.
Marie sabia o quanto seu marido sofreu com a perda da filha. Ele havia mudado muito após isso. E ela, depois da morte de Clair, demonstrava ter superado mais rápido. Por isso, sempre o acusava de ser fraco e não seguir a vida como ela fez.
Edgar, então, levanta-se e vai em direção a Marie. Charles sabia o que seu pai tinha em mente.
-Cale a boca! – Edgar estava agora com o punho fechado, prestes a golpear sua mulher.
-Não pai! Pare! – Charles segurou seu pai antes que ele fizesse alguma coisa.
Edgar empurra Charles e olha para a cara de Marie com desprezo.
Marie fica encolhida no chão. Ela tenta segurar o choro o máximo que ela pode. Edgar continua observando-a e Charles encosta-se ao lado dela.
-Vagabundo! Imprestável! Bêbado nojento! Saia daqui! Vá embora! – Marie parecia vomitar essas palavras, de tanto ódio que ela colocava em sua voz.
-Cale a boca! – disse Edgar aproximando sua mão para tentar bater nela novamente.
-Não! – Charles o impediu – Pare com isso pai! Você não vê o que está fazendo com a nossa família? Pare! Por favor!
-Família? De onde você tirou isso? Nós não somos mais uma família. – disse Edgar.
-Não, pai! Nós somos! Não é porque Clair morreu que...
-Nunca mais fale no nome dela! – Edgar interrompeu o que Charles ia falar.
-Ela é minha irmã! Eu também sofro por ela, pai!
Edgar emanava raiva. Era como ele ficava sempre que falavam de sua filha morta. Para ele, somente Clair era sua família. Como se ela fosse um laço que os unia e, depois de sua morte, ele soltou-se e acabou com tudo.
-Pra onde você vai? – Charles grita para seu pai que estava saindo pela porta da cozinha.
-Não tenho hora pra voltar! – Foi o que Edgar respondeu
Charles volta a atenção para sua mãe e a observa chorando. Em uma tentativa de consolá-la, ela diz que não precisa e se tranca em seu quarto.
Chateado com tudo isso, Charles sai pela porta esbarrando em tudo pela frente.
O Sol do lado de fora da casa, estava quente. Ali, na fazenda da família de Charles, ele parecia estar pior. Há tempos que Charles não possui bons instrumentos de trabalho ou até alguma coisa pra fazer na fazenda. Agora, ela era pequena e sem muitas plantações. Mas isso não o impedia de trabalhar. Charles já estava com os pés na terra, com uma enxada trabalhando na pequena plantação.
Passaram-se horas, e depois de ter arado a terra, colhido alguns ovos, um pouco de leite e alimentado os animais que, Charles encostou-se na grande árvore que ficava no nível mais alto da fazenda.
Naquele lugar, observando a paisagem, os animais, o lago e a imensidão do céu azul, Charles pegou seu caderno e um lápis no bolso e começou a desenhar tudo o que via.
Seu caderno era repleto de desenhos. Quase sempre, ele desenhava belas paisagens que ele encontrava na estrada, mas havia muitos desenhos de Clair, sua irmã. Ele poderia dizer cada detalhe dos dias que os desenhos foram feitos. Era uma forma que ele encontrara pra guardar coisas boas na memória. Os desenhos o faziam sentir-se especial. Não era só mais um passatempo. Ele era bom no que ele fazia, e o reconfortava saber que ele tem outras opções na vida além de trabalhar na terra.
No meio do seu mais novo desenho, ele errou uma coisa e revolveu parar. Pela primeira vez em tantos anos que ele desenhava Charles não sentiu vontade de continuar. Ele simplesmente não tinha mais motivação para isso. Talvez seja por conta do seu pai. Era triste vê-lo naquele estado. Antigamente, Edgar era a maior inspiração de Charles. Seu pai era como um herói para ele, pois sempre foi muito bem sucedido na vida, era um dos mais importantes e ricos fazendeiros da região. De repente, todo esse reinado caiu e o herói de Charles, morreu, deixando somente um pai alcoólatra.
Charles decidiu então, voltar para a terra. Ainda tinha muito que fazer.
Mal pegara na enxada novamente, quando uma mulher o interrompe buzinando de seu carro, e gritando pela sua atenção.
-Com licença, por favor, você pode me dar uma informação? – a mulher dentro do carro berrava para que Charles a ouvisse de longe.
Primeiramente, ele pensou em fingir que não estava ouvindo, mas percebeu que a mulher continuaria ali até que ele fosse falar com ela. Mesmo contra sua vontade, ele foi lá saber o que ela queria.
-Ah, obrigada! Pensei que você não estava me ouvindo!
-Você está procurando alguém? – Charles perguntou, sem saber exatamente o que falar com aquela desconhecida.
-Sim. Na verdade, não exatamente. Talvez! – ela parecia muito confusa. Percebendo isso, Charles inclinou-se um pouco para olhar dentro do carro e, ao ver embalagens de fast-food, livros, papéis e outras coisas que ele não conseguiu identificar porque ela levantara o vidro, concluiu que ela era mesmo confusa e desorganizada.
-Desculpe, eu sou nova aqui na cidade.
Charles não falou nada, só deu um sorrisinho com o canto da boca.
-Você não é de falar muito, é?
Ele permaneceu calado.
-Está bem, eu já entendi. Espero que você possa me ajudar. Bem, eu estou procurando uma escola, fiquei sabendo que é a única que tem por essa região. Eu sou professora, não sou daqui, fui transferida para trabalhar nessa escola, mas eu perdi as instruções para chegar lá. Você saberia me dizer onde ela fica, por favor?
Os pensamentos de Charles começaram a se misturar, a ficarem confusos. Ele sempre ficava assim quando falavam de escola com ele.
-Não, eu não sei senhora. – Charles respondeu de cabeça baixa. Ele estava mentindo.
-Não me chame de senhora, por favor! Deixa eu me apresentar. Meu nome é Jannet, prazer!
Jannet ofereceu sua mão a Charles. Ele apertou dizendo:
-Prazer, Jannet. Meu nome é Charles.
O motor do carro dela, até agora, estava ligado. Ela então o desligou. Charles pensou no motivo dela ter feito isso, já que ela estava a caminho da escola e só parara para pegar uma informação.
-Mas... Charles, não é?
Ele fez que ‘sim’ com a cabeça
-Quantos anos você tem, rapaz?
-16 – ele respondeu, sem entender a razão da pergunta.
-E você não sabe mesmo aonde é a escola? – Jannet perguntou, tentando tirar alguma informação de Charles.
-Bem, faz tempo que eu não vou lá.
-Você não estuda mais, é isso?
Ela não devia ter perguntado isso. A escola era mais uma das grandes feridas de Charles, e doía muito a ele ter que tocar nesse assunto.
-Olha, eu não sei aonde é a escola, ta bom? E eu tenho que trabalhar, se você não se importa.
Houve um momento de silêncio entre os dois. Jannet analisava bem a situação antes de falar alguma coisa.
-Eu posso lhe ajudar garoto! Posso falar com seus pais pra você voltar a estudar! Você não tem idade para trabalhar.
-Você não tem nada que me ajudar! Eu não estou sendo obrigado a nada, estou trabalhando porque quero.
Jannet surpreendeu-se com a resposta de Charles e, antes que pudesse falar alguma coisa, foi interrompida por um grito que vinha de longe.
-Charles! – D. Marie, mãe de Charles, gritava da porta da cozinha. – Entre depressa, que vai chover.
Charles virou-se para a mãe e gritou em resposta que já estava indo. Aliviado, despediu-se de Jannet.
-Tenho que ir. Boa sorte na escola e seja bem-vinda a Nashville. – Ele tentou ser simpático com ela.
-Obrigada, Charles. E pense no que eu lhe disse, por favor.
Charles não ouviu a última coisa que Jannet havia dito, pois já estava quase chegando a casa. Jannet ficou ali, observando-o com a enxada na mão, imaginando como seria se aquilo fosse um monte de livros e cadernos.
-Venha logo, menino! Você não pode pegar chuva! –Marie estava na porta esperando por Charles.
-Não levei o guarda-chuva, porque pensei que não fosse chover. O Sol estava fervendo hoje.
Charles foi entrando na casa, olhando para a sala à procura de seu pai.
-Papai já chegou? – perguntou esperançoso
-O que você acha? – respondeu Marie, que parecia estar chorando até agora.
-Porque ele se comporta assim, mãe? Será que ele nunca vai conseguir superar algo que aconteceu a tanto tempo?
-Não sei Charles. Mas nós temos que continuar nossas vidas, mesmo que seu pai não nos acompanhe nisso.
Charles não concordava com isso. Ele queria ajudar seu pai. Queria tirá-lo da tristeza em que ele se encontrava.
-Tudo bem. Vou pro meu quarto, descansar um pouco.
Ele mal sobe a escada, e volta.
Seu pai estava à porta, gritando.
-Marie! MARIE! Venha aqui agora, mulher! – Edgar, pai de Charles, gritava à porta.
Charles desceu a escada correndo e foi para fora da casa falar com seu pai.
-Pai, o que você está fazendo? – Seu pai estava tonto, descalço e sua roupa estava rasgada. Mais uma vez, ele havia se embriagado.
-Eu não estou fazendo nada! Só quero falar com a sua mãe! Onde ela está? – seu bafo entrava no nariz de Charles e o deixava enjoado.
-Vamos entrar pai, por favor.
-NÃO! Eu quero falar com a sua mãe. Eu preciso falar pra ela.
-Falar o que, pai? Fale lá dentro, vamos, por favor.
-A Clair, meu filho. Faz três anos que ela morreu! Minha filha morreu!
Charles parou por um segundo. Ele sabia que hoje fazia três anos que sua irmã havia morrido, mas preferia não ficar lembrando disso a todo momento. Ele não queria sofrer mais ainda.
-Você ainda se lembra dela, não é Charles? Sua irmãzinha. Eu a amava tanto, Clair, minha filha.
Marie apareceu na janela da casa, ela estava segurando um terço, rezando para que Edgar parasse. Ao vê-la, Edgar empurra Charles e grita mais alto.
-Nossa filha, Marie! Você não se lembra dela? Ela morreu e você não fez nada! É culpa sua.
Marie chorava ao ouvir aquelas palavras.
-E agora não me resta mais nada, sem minha princesa, minha filha. –As lágrimas de Edgar confundiam-se com a água da chuva, que estava piorando com fortes relâmpagos. –Senhor, devolva minha filha, meu senhor! Traga-a de volta para mim. – Edgar suplicava aos céus.
-Pare de dizer isso, pai! Todos nós sofremos com a morte de Clair, mas você tem que aceitar isso. Tem que deixar passar. – Charles tentava acalmar seu pai. –Vamos para casa descansar.
-Não! Eu vou ficar aqui. Vou esperar por ela! Deus vai me devolve-la, eu sei que vai! Minha filha, CLAIR! – ele gritava com todas as suas forças, como se esperasse que ela pudesse ouvir e responde-lo.
-Eu o ordeno Senhor, que devolva minha filha!
Charles, vendo o estado de loucura em que seu pai se encontrava, joga-se ao chão e tapa os ouvidos o máximo que podia.
Aos gritos de Edgar, a tempestade parecia piorar. Os relâmpagos pareciam vir em resposta às suas súplicas. Charles e seu pai estavam distantes um do outro quando um raio, o maior e mais radiante que eles já viram em suas vidas, atingiu a floresta próxima à fazenda.
Edgar fica encantado com a luz, e corre em sua direção.
-Pai, volte aqui! – Charles foi atrás dele, com os olhos na forte luz que emanava da floresta.
Enquanto os dois se aproximavam cada vez mais da floresta, Marie continuava observando-os até onde ela conseguia e, então, ajoelhou-se perto da imagem de cristo e rezou fervorosamente.
Charles encontrou seu pai ao chão próximo a um enorme fogo que se alimentava das árvores.
-Pai, pare!
-Não! Eu devo continuar aqui! Deus me ouviu! É a Clair, meu filho! Eu sei que é ela.
-Não! Não é a Clair! Ela morreu pai! Ela se foi e não vai voltar!
-Cale a boca! Você não sabe o que você está falando! Eu vou tê-la de volta.
Edgar entra no fogo e Charles se desespera ao ver que ele não estava voltando.
Depois de alguns minutos, a chuva volta forte e apaga o fogo. Edgar, então, aparece com algo na mão.
-É a Clair, meu filho! Eu te disse! Ela voltou pra mim.
Charles não podia acreditar no que via. Um bebê estava ali, no colo de seu pai, e ela era idêntica à sua irmã quando era criança.
O bebê, que estava manchada de sangue e enrolada em um pano dourado que cheirava a cinzas, tinha os olhos azuis mais profundos e lindos que qualquer outro na Terra. Seu cabelo loiro era de uma cor brilhante e tinha uns cachinhos perfeitos que parecia até impossível. Ela estava calma, não chorava, e sorria a todo o momento para Edgar, que estava maravilhado com sua beleza e semelhança a Clair.
Agora os três encontravam-se debaixo de uma forte chuva e Edgar preocupava-se em proteger a criança.
-Nós temos que sair daqui - disse Edgar
Charles, que estava confuso e extasiado, concordou sem nem pensar no que estava fazendo.
No caminho, Charles se lembrou do dia em que sua irmã morreu. Era uma sexta-feira. Ela tinha saído com uns amigos pra assistir um filme no cinema, que ficava longe de casa. Ela tinha ligado pra ele quando o filme começou. Disse que não ia demorar e que estava sentindo a falta dele (Charles e sua irmã eram muito amigos). Esse foi o último contato que ele teve com ela. Depois, a polícia não soube explicar o que realmente aconteceu, pois não houve sobreviventes. Algo perverso acabou com a vida de todos que estavam no cinema naquela noite. Clair se foi para sempre.
Eles chegaram a casa e encontraram Marie ainda rezando. Quando ela viu o que Edgar tinha nas mãos, ela não acreditou.
-O que é isso, homem? Quem é esta criança? O que você fez? - ela implorava por respostas.
-Saia daqui! Não encoste nela. Não encoste na minha filha. - Edgar respondia rispidamente
-Sua filha? Você está louco, Edgar? A Clair morreu! Entenda isso de uma vez! Devolva esta criança para quem você a roubou.
Edgar não quis ouvir o que sua mulher dizia e se trancou no antigo quarto de Clair que, mesmo pertencendo agora a Charles, ainda estava com as coisas dela.
Marie batia à porta do quarto e Charles saiu pela cozinha.
Dentre todos naquela casa, ele era o que mais sofria com a perda de sua irmã. E agora que ele teve alguns segundos para pensar no que acabara de acontecer, perguntou-se como é possível seu pai ter encontrado essa criança no meio da floresta em uma tempestade como aquelas. De onde ela surgiu e como ela ainda estava viva?
Charles balançou a cabeça, não queria ter que pensar nisso no momento. Ele estava ocupado com as fortes lembranças de Clair que o invadiam e o atormentava agora.
Dessa vez, eu li várias vezes e corrigi todos os erros e acrescentei algumas coisas :)
Espero que gostem!! (:
“Existe uma teoria que diz que, se um dia alguém descobrir exatamente para que serve o Universo e por que ele está aqui, ele desaparecerá instantaneamente e será substituído por algo ainda mais estranho e inexplicável.
Existe uma segunda teoria que diz que isso já aconteceu.”
Prólogo: Eu não conseguia acreditar no que via. Ela estava ali, radiante, como eu nunca a vira. Sua aura me iluminava e me encantava. Não me importava que fosse o meu fim, eu estava imensamente feliz por finalmente saber a verdade. Eu a amava e a amarei mesmo agora no momento de minha morte. Valery!
Capítulo 1
Meus pés descalços machucavam-se no chão esburacado. Eu estava correndo desesperado, sozinho na noite, pelas ruas de Nashville. Não sabia muito bem para onde eu estava indo. Eu só sabia que tinha que chegar lá para ajudá-la e rápido.
Eu não consegui chegar a tempo. Clair estava ali no chão, morta. Corri para abraçar forte seu corpo sem alma, e fiquei lá abraçando-a, esperando que ela pudesse voltar.
Eu gritava seu nome, Clair, e pedia a Deus que ela me ouvisse e me respondesse, mas nada acontecia.
O tempo foi passando e eu continuava com ela em meus braços. Nada mais me importava. Eu ficaria ali até que eu a tivesse comigo novamente.
O chão começou a ceder. Parecia que estávamos em uma areia movediça. Enquanto íamos afundando, pude ver aquelas criaturas negras, encapuzadas se aproximando. Elas vieram para levar a minha irmã. Mas eu não permitiria isso.
-Saiam daqui! Deixem-nos em paz! – eu berrava, tentando afugentá-los.
Não adiantavam de nada as minhas súplicas.
O frio dominou meu corpo. A areia me afundava cada vez mais. As criaturas encapuzadas estavam agora ao nosso redor, falando coisas aos meus ouvidos e sugando minhas energias. O buraco da terra não tinha fim. Eu não tinha mais forças para segurá-la em meus braços. Eles a estavam levando.
-Não! Ela está viva! Deixem-na aqui comigo! – agora eu simplesmente sussurrava. Ela já estava longe, meus olhos fracos iam se fechando, sem forças...
-Charles, acorde!
Charles abriu os olhos. Mais uma vez, ele havia sonhado com a noite em que perdera sua irmã, e sabia que jamais esquecerá esse pesadelo. Ele ainda o perseguiria por muito tempo.
Agora, era mais uma manhã que sua mãe o acordava com socos na porta e gritos estridentes. Ele continuou ali, parado, observando o teto do quarto cheio de cupins. Era possível sentir o cheiro de mofo que estava em todo o seu pequeno e bagunçado quarto.
Vestiu a mesma camisa que havia vestido no dia anterior, e foi escovar os dentes. Sua mãe o chamou novamente e ele respondeu
-Eu já acordei, mãe! Já estou indo
Enquanto procurava seu caderno de desenhos, que ele nunca saía sem ele, no meio da bagunça que era seu quarto, Charles calçava suas botas e vestia um macacão velho e surrado por cima da camisa.
Não havia muitas coisas no quarto. Somente uma cama, um armário pequeno, um ventilador de teto e um banheiro que mais parecia uma caixa de tão pequeno que era.
Ainda meio sonolento, andou pela pequena casa até a mesa da cozinha e sentou-se perto de seu pai, enquanto sua mãe estava varrendo a casa.
-Bom dia, mãe. Bom dia, pai.
-Bom dia, meu filho – Disse Marie. Seu pai, Edgar, não fala nada.
Charles observa que seu pai estava segurando um jornal em suas mãos. Ele tentara ver a manchete principal, mas a única coisa que conseguira ver foi “Depois da falência da família Parker, Richard Walker é o novo...”
-Esse desgraçado. – Edgar resmungava enquanto lia o jornal.
-Vamos parar com isso! Não quero começar o dia com essas suas intrigas. – reclamou Marie. – Mas, você dormiu bem, meu filho?
Charles estranhou o comportamento de sua mãe. Há tempos que ela não parecia tão amigável e hospitaleira com as pessoas. Ele só imaginava o que havia acontecido para ela estar tão feliz assim, mas não deixava de aproveitar enquanto podia.
-Sim, e eu acordei com uma fome, mãe! Tem alguma coisa pra comer?
D. Marie demonstra certa tristeza ao ouvir isso, e responde em uma voz baixa a Charles.
-Nós não temos nada hoje, meu filho. Você vai ter que segurar um pouco.
Charles nada respondeu, ele já estava acostumado a passar o dia com fome.
-Claro que tem, mulher! Pare de mentir! – disse Edgar
-Não, Edgar. Nós não temos nada! Nossa colheita não tem produzido, e é culpa sua por sempre gastar em bebida. – reclamou Marie.
-Pare de reclamar! Você não sabe do está falando. – Edgar respondeu demonstrando raiva.
-Parem com isso! Eu não me importo se não tem comida. Posso ir trabalhar agora e arranjo alguma coisa pra comer. – Charles tentou evitar uma briga entre seus pais.
-Não meu filho! Você devia estar na escola! Não posso permitir que você trabalhe pelo seu pai, só porque ele não consegue superar uma coisa do passado.
Marie sabia o quanto seu marido sofreu com a perda da filha. Ele havia mudado muito após isso. E ela, depois da morte de Clair, demonstrava ter superado mais rápido. Por isso, sempre o acusava de ser fraco e não seguir a vida como ela fez.
Edgar, então, levanta-se e vai em direção a Marie. Charles sabia o que seu pai tinha em mente.
-Cale a boca! – Edgar estava agora com o punho fechado, prestes a golpear sua mulher.
-Não pai! Pare! – Charles segurou seu pai antes que ele fizesse alguma coisa.
Edgar empurra Charles e olha para a cara de Marie com desprezo.
Marie fica encolhida no chão. Ela tenta segurar o choro o máximo que ela pode. Edgar continua observando-a e Charles encosta-se ao lado dela.
-Vagabundo! Imprestável! Bêbado nojento! Saia daqui! Vá embora! – Marie parecia vomitar essas palavras, de tanto ódio que ela colocava em sua voz.
-Cale a boca! – disse Edgar aproximando sua mão para tentar bater nela novamente.
-Não! – Charles o impediu – Pare com isso pai! Você não vê o que está fazendo com a nossa família? Pare! Por favor!
-Família? De onde você tirou isso? Nós não somos mais uma família. – disse Edgar.
-Não, pai! Nós somos! Não é porque Clair morreu que...
-Nunca mais fale no nome dela! – Edgar interrompeu o que Charles ia falar.
-Ela é minha irmã! Eu também sofro por ela, pai!
Edgar emanava raiva. Era como ele ficava sempre que falavam de sua filha morta. Para ele, somente Clair era sua família. Como se ela fosse um laço que os unia e, depois de sua morte, ele soltou-se e acabou com tudo.
-Pra onde você vai? – Charles grita para seu pai que estava saindo pela porta da cozinha.
-Não tenho hora pra voltar! – Foi o que Edgar respondeu
Charles volta a atenção para sua mãe e a observa chorando. Em uma tentativa de consolá-la, ela diz que não precisa e se tranca em seu quarto.
Chateado com tudo isso, Charles sai pela porta esbarrando em tudo pela frente.
O Sol do lado de fora da casa, estava quente. Ali, na fazenda da família de Charles, ele parecia estar pior. Há tempos que Charles não possui bons instrumentos de trabalho ou até alguma coisa pra fazer na fazenda. Agora, ela era pequena e sem muitas plantações. Mas isso não o impedia de trabalhar. Charles já estava com os pés na terra, com uma enxada trabalhando na pequena plantação.
Passaram-se horas, e depois de ter arado a terra, colhido alguns ovos, um pouco de leite e alimentado os animais que, Charles encostou-se na grande árvore que ficava no nível mais alto da fazenda.
Naquele lugar, observando a paisagem, os animais, o lago e a imensidão do céu azul, Charles pegou seu caderno e um lápis no bolso e começou a desenhar tudo o que via.
Seu caderno era repleto de desenhos. Quase sempre, ele desenhava belas paisagens que ele encontrava na estrada, mas havia muitos desenhos de Clair, sua irmã. Ele poderia dizer cada detalhe dos dias que os desenhos foram feitos. Era uma forma que ele encontrara pra guardar coisas boas na memória. Os desenhos o faziam sentir-se especial. Não era só mais um passatempo. Ele era bom no que ele fazia, e o reconfortava saber que ele tem outras opções na vida além de trabalhar na terra.
No meio do seu mais novo desenho, ele errou uma coisa e revolveu parar. Pela primeira vez em tantos anos que ele desenhava Charles não sentiu vontade de continuar. Ele simplesmente não tinha mais motivação para isso. Talvez seja por conta do seu pai. Era triste vê-lo naquele estado. Antigamente, Edgar era a maior inspiração de Charles. Seu pai era como um herói para ele, pois sempre foi muito bem sucedido na vida, era um dos mais importantes e ricos fazendeiros da região. De repente, todo esse reinado caiu e o herói de Charles, morreu, deixando somente um pai alcoólatra.
Charles decidiu então, voltar para a terra. Ainda tinha muito que fazer.
Mal pegara na enxada novamente, quando uma mulher o interrompe buzinando de seu carro, e gritando pela sua atenção.
-Com licença, por favor, você pode me dar uma informação? – a mulher dentro do carro berrava para que Charles a ouvisse de longe.
Primeiramente, ele pensou em fingir que não estava ouvindo, mas percebeu que a mulher continuaria ali até que ele fosse falar com ela. Mesmo contra sua vontade, ele foi lá saber o que ela queria.
-Ah, obrigada! Pensei que você não estava me ouvindo!
-Você está procurando alguém? – Charles perguntou, sem saber exatamente o que falar com aquela desconhecida.
-Sim. Na verdade, não exatamente. Talvez! – ela parecia muito confusa. Percebendo isso, Charles inclinou-se um pouco para olhar dentro do carro e, ao ver embalagens de fast-food, livros, papéis e outras coisas que ele não conseguiu identificar porque ela levantara o vidro, concluiu que ela era mesmo confusa e desorganizada.
-Desculpe, eu sou nova aqui na cidade.
Charles não falou nada, só deu um sorrisinho com o canto da boca.
-Você não é de falar muito, é?
Ele permaneceu calado.
-Está bem, eu já entendi. Espero que você possa me ajudar. Bem, eu estou procurando uma escola, fiquei sabendo que é a única que tem por essa região. Eu sou professora, não sou daqui, fui transferida para trabalhar nessa escola, mas eu perdi as instruções para chegar lá. Você saberia me dizer onde ela fica, por favor?
Os pensamentos de Charles começaram a se misturar, a ficarem confusos. Ele sempre ficava assim quando falavam de escola com ele.
-Não, eu não sei senhora. – Charles respondeu de cabeça baixa. Ele estava mentindo.
-Não me chame de senhora, por favor! Deixa eu me apresentar. Meu nome é Jannet, prazer!
Jannet ofereceu sua mão a Charles. Ele apertou dizendo:
-Prazer, Jannet. Meu nome é Charles.
O motor do carro dela, até agora, estava ligado. Ela então o desligou. Charles pensou no motivo dela ter feito isso, já que ela estava a caminho da escola e só parara para pegar uma informação.
-Mas... Charles, não é?
Ele fez que ‘sim’ com a cabeça
-Quantos anos você tem, rapaz?
-16 – ele respondeu, sem entender a razão da pergunta.
-E você não sabe mesmo aonde é a escola? – Jannet perguntou, tentando tirar alguma informação de Charles.
-Bem, faz tempo que eu não vou lá.
-Você não estuda mais, é isso?
Ela não devia ter perguntado isso. A escola era mais uma das grandes feridas de Charles, e doía muito a ele ter que tocar nesse assunto.
-Olha, eu não sei aonde é a escola, ta bom? E eu tenho que trabalhar, se você não se importa.
Houve um momento de silêncio entre os dois. Jannet analisava bem a situação antes de falar alguma coisa.
-Eu posso lhe ajudar garoto! Posso falar com seus pais pra você voltar a estudar! Você não tem idade para trabalhar.
-Você não tem nada que me ajudar! Eu não estou sendo obrigado a nada, estou trabalhando porque quero.
Jannet surpreendeu-se com a resposta de Charles e, antes que pudesse falar alguma coisa, foi interrompida por um grito que vinha de longe.
-Charles! – D. Marie, mãe de Charles, gritava da porta da cozinha. – Entre depressa, que vai chover.
Charles virou-se para a mãe e gritou em resposta que já estava indo. Aliviado, despediu-se de Jannet.
-Tenho que ir. Boa sorte na escola e seja bem-vinda a Nashville. – Ele tentou ser simpático com ela.
-Obrigada, Charles. E pense no que eu lhe disse, por favor.
Charles não ouviu a última coisa que Jannet havia dito, pois já estava quase chegando a casa. Jannet ficou ali, observando-o com a enxada na mão, imaginando como seria se aquilo fosse um monte de livros e cadernos.
-Venha logo, menino! Você não pode pegar chuva! –Marie estava na porta esperando por Charles.
-Não levei o guarda-chuva, porque pensei que não fosse chover. O Sol estava fervendo hoje.
Charles foi entrando na casa, olhando para a sala à procura de seu pai.
-Papai já chegou? – perguntou esperançoso
-O que você acha? – respondeu Marie, que parecia estar chorando até agora.
-Porque ele se comporta assim, mãe? Será que ele nunca vai conseguir superar algo que aconteceu a tanto tempo?
-Não sei Charles. Mas nós temos que continuar nossas vidas, mesmo que seu pai não nos acompanhe nisso.
Charles não concordava com isso. Ele queria ajudar seu pai. Queria tirá-lo da tristeza em que ele se encontrava.
-Tudo bem. Vou pro meu quarto, descansar um pouco.
Ele mal sobe a escada, e volta.
Seu pai estava à porta, gritando.
-Marie! MARIE! Venha aqui agora, mulher! – Edgar, pai de Charles, gritava à porta.
Charles desceu a escada correndo e foi para fora da casa falar com seu pai.
-Pai, o que você está fazendo? – Seu pai estava tonto, descalço e sua roupa estava rasgada. Mais uma vez, ele havia se embriagado.
-Eu não estou fazendo nada! Só quero falar com a sua mãe! Onde ela está? – seu bafo entrava no nariz de Charles e o deixava enjoado.
-Vamos entrar pai, por favor.
-NÃO! Eu quero falar com a sua mãe. Eu preciso falar pra ela.
-Falar o que, pai? Fale lá dentro, vamos, por favor.
-A Clair, meu filho. Faz três anos que ela morreu! Minha filha morreu!
Charles parou por um segundo. Ele sabia que hoje fazia três anos que sua irmã havia morrido, mas preferia não ficar lembrando disso a todo momento. Ele não queria sofrer mais ainda.
-Você ainda se lembra dela, não é Charles? Sua irmãzinha. Eu a amava tanto, Clair, minha filha.
Marie apareceu na janela da casa, ela estava segurando um terço, rezando para que Edgar parasse. Ao vê-la, Edgar empurra Charles e grita mais alto.
-Nossa filha, Marie! Você não se lembra dela? Ela morreu e você não fez nada! É culpa sua.
Marie chorava ao ouvir aquelas palavras.
-E agora não me resta mais nada, sem minha princesa, minha filha. –As lágrimas de Edgar confundiam-se com a água da chuva, que estava piorando com fortes relâmpagos. –Senhor, devolva minha filha, meu senhor! Traga-a de volta para mim. – Edgar suplicava aos céus.
-Pare de dizer isso, pai! Todos nós sofremos com a morte de Clair, mas você tem que aceitar isso. Tem que deixar passar. – Charles tentava acalmar seu pai. –Vamos para casa descansar.
-Não! Eu vou ficar aqui. Vou esperar por ela! Deus vai me devolve-la, eu sei que vai! Minha filha, CLAIR! – ele gritava com todas as suas forças, como se esperasse que ela pudesse ouvir e responde-lo.
-Eu o ordeno Senhor, que devolva minha filha!
Charles, vendo o estado de loucura em que seu pai se encontrava, joga-se ao chão e tapa os ouvidos o máximo que podia.
Aos gritos de Edgar, a tempestade parecia piorar. Os relâmpagos pareciam vir em resposta às suas súplicas. Charles e seu pai estavam distantes um do outro quando um raio, o maior e mais radiante que eles já viram em suas vidas, atingiu a floresta próxima à fazenda.
Edgar fica encantado com a luz, e corre em sua direção.
-Pai, volte aqui! – Charles foi atrás dele, com os olhos na forte luz que emanava da floresta.
Enquanto os dois se aproximavam cada vez mais da floresta, Marie continuava observando-os até onde ela conseguia e, então, ajoelhou-se perto da imagem de cristo e rezou fervorosamente.
Charles encontrou seu pai ao chão próximo a um enorme fogo que se alimentava das árvores.
-Pai, pare!
-Não! Eu devo continuar aqui! Deus me ouviu! É a Clair, meu filho! Eu sei que é ela.
-Não! Não é a Clair! Ela morreu pai! Ela se foi e não vai voltar!
-Cale a boca! Você não sabe o que você está falando! Eu vou tê-la de volta.
Edgar entra no fogo e Charles se desespera ao ver que ele não estava voltando.
Depois de alguns minutos, a chuva volta forte e apaga o fogo. Edgar, então, aparece com algo na mão.
-É a Clair, meu filho! Eu te disse! Ela voltou pra mim.
Charles não podia acreditar no que via. Um bebê estava ali, no colo de seu pai, e ela era idêntica à sua irmã quando era criança.
O bebê, que estava manchada de sangue e enrolada em um pano dourado que cheirava a cinzas, tinha os olhos azuis mais profundos e lindos que qualquer outro na Terra. Seu cabelo loiro era de uma cor brilhante e tinha uns cachinhos perfeitos que parecia até impossível. Ela estava calma, não chorava, e sorria a todo o momento para Edgar, que estava maravilhado com sua beleza e semelhança a Clair.
Agora os três encontravam-se debaixo de uma forte chuva e Edgar preocupava-se em proteger a criança.
-Nós temos que sair daqui - disse Edgar
Charles, que estava confuso e extasiado, concordou sem nem pensar no que estava fazendo.
No caminho, Charles se lembrou do dia em que sua irmã morreu. Era uma sexta-feira. Ela tinha saído com uns amigos pra assistir um filme no cinema, que ficava longe de casa. Ela tinha ligado pra ele quando o filme começou. Disse que não ia demorar e que estava sentindo a falta dele (Charles e sua irmã eram muito amigos). Esse foi o último contato que ele teve com ela. Depois, a polícia não soube explicar o que realmente aconteceu, pois não houve sobreviventes. Algo perverso acabou com a vida de todos que estavam no cinema naquela noite. Clair se foi para sempre.
Eles chegaram a casa e encontraram Marie ainda rezando. Quando ela viu o que Edgar tinha nas mãos, ela não acreditou.
-O que é isso, homem? Quem é esta criança? O que você fez? - ela implorava por respostas.
-Saia daqui! Não encoste nela. Não encoste na minha filha. - Edgar respondia rispidamente
-Sua filha? Você está louco, Edgar? A Clair morreu! Entenda isso de uma vez! Devolva esta criança para quem você a roubou.
Edgar não quis ouvir o que sua mulher dizia e se trancou no antigo quarto de Clair que, mesmo pertencendo agora a Charles, ainda estava com as coisas dela.
Marie batia à porta do quarto e Charles saiu pela cozinha.
Dentre todos naquela casa, ele era o que mais sofria com a perda de sua irmã. E agora que ele teve alguns segundos para pensar no que acabara de acontecer, perguntou-se como é possível seu pai ter encontrado essa criança no meio da floresta em uma tempestade como aquelas. De onde ela surgiu e como ela ainda estava viva?
Charles balançou a cabeça, não queria ter que pensar nisso no momento. Ele estava ocupado com as fortes lembranças de Clair que o invadiam e o atormentava agora.
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