segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Music is everything to me

Some people pray...
I turn up the radio!

sábado, 4 de setembro de 2010

Valery - Chapter 4

-Charles, tem alguém lá fora. Vá atender. Eu estou ocupada. – disse Marie
Eram 11H da manhã de um sábado. Eu ainda estava deitado, de pijamas. Na noite passada, fiquei acordado até tarde fazendo desenhos de Jennyfer em meu quarto.

Desci a escada, e vi que Edgar estava assistindo televisão. Geralmente, ele saía de casa cedo para beber ou fazer qualquer outra coisa do tipo. Ele tem mudado desde que Valery apareceu para nós.

Ela era, realmente, uma benção para todos, menos para minha mãe que, até agora, não teve nenhum contato com ela. Era como se não tivesse feito nenhuma diferença em sua vida por Valery estar morando conosco.

-Já vai. – gritei para que a pessoa lá fora parasse de tocar a campainha.

Tropecei no desnível do chão, e me apoiei no trinco, abrindo a porta.

-Oi – disse Jennyfer.

-Ah, oi, Jennyfer. – eu estava meio inclinado, quase no chão, aos seus pés – Desculpe, eu caí.

Ela deu um riso.

-Tudo bem.

Sorri em resposta.

-Mas, o que a trouxe aqui? Como...

-Eu perguntei pra D. Jannet onde você morava, se é isso que você ia perguntar e, eu queria vir falar com você!

Falar comigo? Senti uma pontada de felicidade dentro de mim. Jennyfer viera até aqui só pra falar comigo.

-Ah sim, claro. – olhei a casa pela brecha da porta e vi que estava arrumada – quer entrar? – “que pergunta idiota” pensei.

Jennyfer foi entrando, e eu olhei para o céu, agradecendo seja lá pra quem fosse.

Meu pai continuava assistindo TV ali perto da sala onde estávamos. Minha mãe estava na cozinha, imagino que fazendo o almoço.

-Você se importa de ficar aqui? Eu preciso me arrumar... Acabei de acordar. –sorri, colocando a mão atrás da cabeça.

-Não, não tem problema. – afirmou Jennyfer.

Levei-a para a sala aonde meu pai se encontrava. Falei que ela era uma amiga minha da escola e pedi, bem no ouvido dele para que ela não ouvisse, que ele não falasse nada que a assustasse. Meu pai costumava fazer isso quando eu, milagrosamente, levava algum amigo pra casa.

Ela sentou-se no sofá ao seu lado e ficou observando o ambiente. Ela não parecia sem graça, com vergonha, como eu estaria se fosse ela. Senti-me péssimo por deixá-la lá sozinha, mas eu tinha que tomar banho, escovar os dentes e qualquer coisa que me fizesse ficar mais apresentável, não para meus pais, mas para ela.

Subi as escadas tão rapidamente que acho que bati o recorde de degraus subidos em um pulo. Uma antiga brincadeira minha com Clair.

Em um segundo, eu já estava no banheiro. Tentei não cantar, Jennyfer poderia rir de mim. No silêncio, parei de me enxaguar para tentar ouvir alguma coisa lá embaixo.

Passei alguns segundos assim e... Nada.

Se eu fosse fazer uma lista dos 10 melhores banhos que eu já tomei na minha vida, esse estaria, com muita certeza, em primeiro lugar. Minha pele já estava vermelha de tanto que eu esfregava o sabonete e, eu comecei a acreditar naquela história que o cabelo cai se você passar shampoo e condicionador muitas vezes em um dia. Eu contei, pelo menos, 3 vezes. Fiquei com medo de que fosse verdade.

Escovei os dentes, fiz a barba bem devagar para que não deixasse machucados, penteei o cabelo, procurei alguma roupa que não estivesse suja e me calcei.

Fui saindo do quarto e fiquei parado perto da escada, tentando ouvir o que eles conversavam. De início, Edgar deve ter feito as perguntas mais clichês possíveis: “Qual o seu nome?”, “Quantos anos você tem?”, “Você é amiga do Charles desde quando?”, “Vocês são só amigos mesmo ou...?” e, a pior pergunta possível, “Você está estudando muito? Já sabe que curso quer fazer na faculdade?”. Eu, particularmente, daria um tiro em casa pessoa que me fizesse essa pergunta, se eu estivesse estudando.

A única coisa que eu consegui ouvir, foi Edgar falando, mais uma vez, sobre Richard Walker. Ele não cansava de contar a história de que ele é um ladrão e que deveria estar preso e não nas manchetes de jornal.

Jennyfer não parecia interessada – ficar interessado nisso, é impossível – pois ela só concordava com rápidos “Hm”. Resolvi descer logo e livrá-la daquilo.

Bem no final da escada, quase no campo de visão de Jennyfer e Edgar, parei e voltei pro meu quarto, mais precisamente pro banheiro.

Esqueci de passar o perfume.

-

-Ah, Charles. Você demorou meu filho. – disse Edgar, afundado em sua poltrona – eu estava aqui conversando com sua amiga... – ele olhou para Jennyfer e esperou que ela dissesse seu nome –... Jennyfer que, aliás, é muito simpática.

Estranhei o comportamento de Edgar, estranhei sua voz, estranhei suas palavras, estranhei-o todo. Há tempos que ele não gosta de outra pessoa, que não seja ele mesmo.

E, às vezes, nem isso.

Nesse momento, estou imaginando de onde ele tirou essa idéia de que Jennyfer seja simpática – não que eu não a ache simpática. Ela é muito mais que isso – mas, se eu estou certo do que eu ouvi, Jennyfer não fez mais nada do que responder às perguntas diretas de Edgar e concordar com “Hm”. Meu pai deve estar de bom humor ou pensando que Jennyfer é uma chance para mim.

Edgar desde cedo quis que eu namorasse alguém.

Jennyfer mostrou-se sem graça. Era de se esperar.

-É... Eu sei pai. – eu estava igualmente sem graça – então, vamos sair? – perguntei para Jennyfer. Na verdade, eu não sabia para onde iríamos. Eu não sabia nem o que ela tinha ido fazer em minha casa, mas seja lá o que fosse eu iria gostar. Imaginei que ela tinha pensado em alguma coisa para fazermos juntos.

-Ah sim, claro. – Jennyfer respondeu de supetão. Ela parecia estar louca para sair daquele sofá e da companhia de meu pai. Ele conseguia ser realmente muito chato com suas histórias.

-Vocês não vão ficar pro almoço? – disse Edgar.

-Eu... Eu não quero atrapalhar. – Jennyfer estava mais vermelha do que nunca.

-Claro que não, minha filha. Pode ficar. Será uma honra. – Edgar estava, com certeza, muito diferente – Marie?

-Eu estou terminando, se você não se importa de esperar. – a voz de Marie emanou do fundo da cozinha.

-Você não quer ir lá pro meu quarto? – tentei perguntar isso sem que parecesse que eu, talvez, tivesse outros interesses além de simplesmente mudar o ambiente para podermos conversar.

-Pode ser. – ela respondeu, levantando-se. Eu podia ouvir um grito de “Aleluia” em seu pensamento. – com licença.

-Pois não. – Edgar fez um gesto com a mão, indicando que ela poderia sair.

Eu não sabia muito bem se deveria ir na frente, esperá-la ou dar minha mão a ela. Bem, eu não tinha muito tempo pra pensar nisso então, desastrosamente, peguei sua mão e a levei para a escada.

-Ch...Cha...

-Ah, você tem uma irmãzinha? – perguntou Jennyfer.

Valery estava diante de nós, segurando meu caderno de desenhos. Como ela pegou isso? Eu o deixei no meu... No nosso quarto. Esqueci que minhas coisas não estão mais tão seguras com Valery lá.

Ela tentava falar meu nome mas nunca passava da primeira sílaba.

-É... Minha irmã.

-Qual o seu nome, bebêzinha linda?

-Ela não sabe fa...

-Eu sei, só estou tentando brincar com a criança, Charles. – Jennyfer me fitou com seus olhos verdes.

Eu sou muito brincalhão, principalmente com Valery, mas coisas do tipo “Quantos aninhos você tem? Me mostra com os dedinhos, mostra”, “Cadê o Charles? Achou”, “Cadê o au-au? A neném tem medo do au-au?”, simplesmente, não eram pra mim.

-Desculpe. – tentei me redimir. Parece que não tive sucesso nisso. – E o nome dela é Valery...

-Lindo nome, Valery! Seu nome é muito lindo, bebê.

-Cha...Char... – Valery erguia seus braços, em sinal de que queria que eu a carregasse.

Abaixei-me e peguei em sua cintura. Ela fez um gesto relutante. Ela queria mesmo era ficar no chão.

-Acho que ela quer entregar isso para você, Charles. – disso Jennyfer, referindo-se ao caderno nas mãos de Valery.

Peguei-o e, rapidamente, pensei em guardá-lo. Definitivamente, eu não queria ver minha cara caso Jennyfer visse meus desenhos... Seus desenhos.

-Posso ver? – Jennyfer perguntou, apontando pro caderno que estava indo direto pro meu bolso de trás.

Valery deu uma risada feliz. Até parece que ela sabia o que ela tinha feito comigo e achara graça disso.

Se ela fosse alguns anos mais velha, não duvidaria muito disso e, teria volta.

-Não é nada... Só um caderno... – Jennyfer fez um rápido e desanimado “Ah!”. – Mas... Pode ver. Claro!

Comecei a rezar mentalmente.

-Você que os fez?

O que eu esperava era “o que o meu rosto está fazendo em quase todas as folhas do caderno?”. Mas isso, parecia bem melhor.

-Sim... Eu deveria ter perguntando pra você se...

-Estão lindos. Muito lindos mesmo. – ela folheava as folhas devagar - Sabe, eu não sou muito boa em desenhos, mas admiro quem faz. Principalmente quem desenha paisagens e coisas da natureza.

Paisagens? Olhei para Valery, esperando que ela entendesse a minha cara de “Você perdeu!”. Jennyfer só havia visto os primeiros desenhos. Nenhum desenho dela.

-Sim, eu que fiz. Obrigado.

Jennyfer me olhava com uma cara animada. A cada desenho que ela via, ela olhava para minhas mãos como se estivesse imaginando “Como é que ele faz isso?”. Sentia-me ainda mais animado que ela por saber que ela estava gostando.

-Charles, venha almoçar com a sua amiga. Traga Valery também.

-Vamos? – convidei Jennyfer.

Nos sentamos à mesa. Marie não parecia muito feliz. Ela colocou os pratos na mesa e não se sentou no seu lugar de sempre.

-Você não vai comer com a gente, mãe?

-Não. Eu já almocei. Tenho mais o que fazer. – ela respondeu rispidamente.

-Tudo bem. Ah, mãe, essa é Jennyfer. Esqueci de lhe apresentar... É uma amiga minha.

-Prazer. – disse Marie, retirando-se para o seu quarto.

Jennyfer ficou calada. Ela mal abrira a boca para responder ao comprimento, quando Marie saiu.

Tentando acabar com o clima estranho que minha mãe deixou, comecei a me servir.

Valery estava na cadeirinha de criança, próxima à mesa. Edgar na ponta e eu na lateral, do lado de Jennyfer. No começo ela esperou que meu pai se servisse. Ele olhou para mim e eu entendi que ele estava querendo dizer que eu devia serví-la. Enquanto comíamos, Valery se esforçava para falar nossos nomes, mas, como sempre, só saía a primeira sílaba. Jennyfer parecia impressionada com o comportamento de Valery. Ela ficava em silêncio na mesa e comia tudo que meu pai lhe dava, sem precisar forçá-la. Valery não chorava, não reclamava e nem parecia estar com preguiça. Muito pelo contrário, Valery estava sempre cheia de energia. Isso chamou a atenção de Jennyfer, porque ela não tirava o olho da minha irmã.

-

-Aonde é o banheiro? – perguntou Jennyfer.

Tínhamos acabado de almoçar. Jennyfer me ajudara a lavar as louças enquanto Edgar descansava em sua poltrona juntamente à Valery.

-Na porta à esquerda, do lado da escada. – respondi.

-Obrigada.

Percebi que Jennyfer havia comido bastante no almoço mas, mesmo assim, eu não vou ao banheiro assim tão rápido. Mas tudo bem. Talvez ela só queira se ver no espelho ou algo do tipo.

Passaram-se alguns minutos e ela continuava lá.

Pensei em ir lá bater na porta, perguntar se estava tudo bem mas, antes que eu fizesse alguma coisa, ela já estava saindo.

-Eu precisava... Retocar a maquiagem. – ela estava de cabeça baixa e mexendo no canto do olho enquanto dizia isso.

-Tudo bem. – respondi.

-Então, o que vamos fazer?

-Ah, não sei... Eu pensei que talvez pudéssemos andar um pouco. Tem um lago aqui perto, muito bonito, se você quiser ver...

-Ótimo.

-Eu só preciso fazer uma coisa. Já volto

Corri até o banheiro e escovei os dentes. Confesso que tinha esperanças de que fosse acontecer alguma coisa e, caso acontecesse, eu devia estar preparado, não é?

Quando voltei, ela estava com Valery no colo.

-Podemos levá-la? – perguntou Jennyfer

Fiquei um pouco desanimado com a ideia. Eu tinha pensando em sairmos só nós dois mas, se bem que Valery não atrapalharia em nada.

Será que aquela história de que mulheres gostam de homens com crianças é verdade?

-Claro. Só vou avisar meu pais.

Andei até a mesa onde meu pai estava e gritei para que ele e Marie ouvissem:

-Pai, mãe. Vou sair com a Jennyfer, nós vamos para o lago aqui perto. Estou levando a Valery.

-Não demore. – Marie ordenou de longe.

-Tudo bem. – respondi. – Então – olhei para Jennyfer – vamos?

Ela andou até a porta com Valery nos braços.

-Ah e, não esqueça de levar seu caderno e um lápis. Você vai desenhar pra mim, Charles. Entenda isso como uma ordem.

-Tudo bem, mãe!

-Respeito, menino! – Jannyfer me deu um tapinha nas costas.

-Desculpa.

Nós dois rimos.

Pegamos duas bicicletas e andamos até sairmos da estrada e chegarmos um pouco na cidade. Valery foi no banquinho para bebê que tinha na minha bicicleta. Quando chegamos lá, descemos e continuamos a pé. Eu não sei exatamente para onde estávamos indo, mas não me importava também. Talvez a praça, não sei.

As pessoas olhavam para a gente, talvez comentando sobre eu, filho do falido Sr. Parker, estar andando com uma garota. Era só mais uma desculpa para fofocarem.

Enquanto andávamos pela calçada, eu arrumava Valery em meu colo, ela estava ficando cada vez mais pesada.

E a minha cabeça ia se inundando de perguntas. Por que ela foi falar comigo? O que ela queria? Será que ela também gosta de mim?

Está bem, eu tenho que parar de ser tão otimista assim.

-Então, como foi o trabalho hoje?

-Hoje é sábado. Eu não trabalho aos sábados.

-Ah, é mesmo...

Novamente, ela sorriu.

-Desculpe Charles. Eu sou péssima em puxar assunto com uma pessoa. Eu só fui até a sua casa por que... Eu queria te conhecer e te agradecer pelo que fez ontem.

Pelo o que vi, ela estava tão envergonhada e sem saber o que falar ou fazer quanto eu estava.

-Relaxa! Eu também não sou dos melhores.

-Bem que Valery poderia nos ajudar, não é?

-HAHA! É mesmo.

Não, ela não podia. Estávamos, realmente, bestas demais e totalmente sem assunto. Como é que um bebê nos ajudaria em uma conversa? Achei isso idiota, mas achei melhor não falar e simplesmente concordar.

-Que tal a gente se apresentar melhor? Nós nem nos conhecemos direito. – sugeri.

-Claro. Você começa!

-Bom, meu nome é Charles Parker! Tenho 16 anos, uma irmã chamada Valery, moro com meus pais e trabalho como porteiro em uma escola. Pronto. Nada de interessante. Agora você!

-Sem essa! Eu já sei disso tudo, Charles. Fale coisas como... Músicas, filmes, sonhos, gostos... Sei lá... Não sou a única que tem que pensar aqui.

-Está bem. Eu não ouço muita música porque não tenho meios para isso, mas, gosto de um rock. Filmes eu vejo bastante, principalmente terror e romances! Bem contraditório, não é? – Jennyfer estava com uma cara de confusa – Sonhos... Posso pular essa parte?

-Ah, não... Por que tu pularias?

-Eu só não gosto de falar sobre isso, sabe?

-Por favor. Eu quero conhecer você, Charles. Por favor.

-Minha cor favorita é preto, eu gosto de chocolate mais do que qualquer outra coisa, odeio trabalhar na terra, minha matéria favorita quando eu estudava era História, não sei dançar, não sei brincar com crianças e não sei o que fazer do meu futuro.

-Está bem, eu entendi. Não vou mais perguntar. Desculpe.

Essa é a hora em que você coloca as mãos na cabeça e pensa “Que porra que eu fiz?” Eu devia ter, sei lá, enrolado-a, contado qualquer sonho besta. Não precisava dar a desculpa de que eu não gosto de falar sobre isso. E agora? Será que ela está com raiva de mim?

Por não saber o que fazer, decidi contar logo, mesmo que, pra mim, seja difícil falar com alguém sobre minhas maiores vontades.

Eu sempre as guardei somente para mim e, às vezes, tentava escondê-las.

Eu sabia que elas nunca se realizariam, então, era melhor não sofrer desejando-as.

-Meu sonho era poder ter Clair de volta, era não ter sofrido tanto na vida, ter minha família unida, ser feliz, estudar, conhecer o mundo, desenhar tudo o que eu visse, mostrar pra todos, através dos meus desenhos, que o mundo ainda tem esperanças, queria poder ajudar quem eu amo, resolver os problemas delas, erguer a mão quando precisarem, eu quero amar alguém com todas as minhas forças, fazer uma pessoa feliz ao máximo e ficar feliz por isso, quero deixar alguma coisa aqui, nesta terra, quando eu partir...Eu queria mostrar para todos o que sinto a tanto tempo mas não mostrei por medo de parecer um louco.

Parei de falar e imaginei como seria a minha reação se alguém que eu mal conheço me falasse todas essas loucuras.

Acho que eu correria.

-Você deve estar me achado um louco...

-Estou mesmo, mas... Pessoas normais não são interessantes.

Ficamos em silêncio, um observando o outro.

Eu nunca tinha reparado no quanto seus olhos verdes são bonitos.

Estávamos tão próximos, que eu podia sentir o calor da sua respiração em mim.

-Char...

Se eu tinha alguma dúvida de que Valery não tentaria mais estragar alguma coisa entre eu e Jennyfer, estava totalmente enganado.

-Acho que ela quer ir ali ao mercado. – disse Jennyfer, afastando-se de mim.

Valery estava apontando freneticamente para um mercadinho da esquina. Na porta, havia bonecas. Isso deve ter chamado a sua atenção.

-Não, Valery! Agora não. Papai já comprou bastantes bonecas para você. – falei apontando o dedo indicador para ela. Meus pais faziam isso quando brigavam comigo.

Já era de se esperar que ela não fosse entender o que eu disse. Ela continuava mexendo seus braços e parecia que não ia parar até que fôssemos à loja.

-Vamos lá, Charles. Nós não precisamos comprar nada, ela pode ir só ver, não pode?

-Está bem, vamos.

Entramos no mercado, chamado “Josef’s Market”. Não era grande coisa, tinha só um caixa que era um cara gordo e mal humorado. A pintura da parede estava suja e o chão parecia que não via uma vassoura há muito tempo. Eu tinha que ter cuidado para que Valery não tocasse em nada. Tinha medo do que aquela sujeira poderia causar nela.

-Pronto, já olhamos as bonecas, Valery. Agora vamos, por favor! – falei com ela, esperando que estivesse sendo compreendido.

-Você não tem mesmo paciência com sua irmã, não é?

“Não, não é isso! Eu a amo. É só que... eu queria ficar somente com você! Por que você não entende logo isso, mulher” – quem sabe ela tenha ouvido, porque eu gritava isso dentro de minha cabeça. E quando eu gritava, mesmo que em pensamento, era alto demais.

-Você quer um lanchinho, Valery? – disse Jennyfer para Valery, que continuava em meu colo, com uma vozinha fina.

Jennyfer pegou um pacote de biscoitos e um suco de caixinha. Eu disse que ia pagar, mas ela não deixou. Fomos até o caixa, que tinha o nome “Josef” escrito com pincel em sua camisa branca.

Ele não disse nada. Pegou nossas compras e verificou os preços. Jennyfer estava retirando o dinheiro da bolsa, quando uma mulher, com uma criança no colo, aproximou-se.

-Senhor, você não pode me ajudar aqui um pouquinho, por favor? Eu estou necessitada. Meu filho está doente. Por favor.

Pelo o que vi, ela estava, obviamente, falando com o Josef. Ele fechou a cara mais ainda – eu achava que isso era impossível – e respondeu:

-Eu já lhe disse que não tenho! Saia daqui e não volte mais! Vamos, saia!

A mulher saiu devagar, arrastando seus pés no chão imundo. A criança em seu colo me olhava com uns olhos tristes. Imaginava o quanto ela deve ter sofrido e ainda sofre.

-Desculpe. Esta vagabunda fica me infernizando aqui quase todos os dias, pedindo dinheiro. Não aguento mais! Qualquer dia desses, ainda chamo a polícia. Não suporto esse tipo de gente. Você não concorda comigo, moça? Esses urubus! Ficam se aproveitando dos outros.

-Não! Claro que não. Que ridículo. – Jennyfer expressava nojo do homem à sua frente - Olha, eu só quero comprar minhas coisas e ir embora, se não se importa.

-Tudo bem, tudo bem.

Jennyfer chegou perto de mim e disse bem baixo.

-Que horrível! Lembre-me de nunca mais vir aqui nesse mercado, Charles.

-Pode deixar. – disse – Jennyfer, você pode segurar Valery um pouco? Vou pegar um refrigerante pra mim.

-Claro

-Você quer mais alguma coisa?

-Não, obrigada.

Deparei-me com um pôster enorme da Coca-Cola bem na porta da geladeira. Era uma mulher de cabelos longos e pretos, com a barriga aparecendo, tomando uma daquelas garrafas de vidro da Coca-Cola. Abri a geladeira e, no meio de todas aquelas latinhas de Coca, achei a que eu queria: Sprite.

Andei lentamente até o caixa. Estava observando os 2 ou 3 corredores do mercado. Eram tão estreitos e sem muita opção de mercadoria. Virei meu rosto pro outro lado e vi o motivo de eu ter entrado ali: as bonecas na entrada. Já bem próximo ao caixa, vi que tinha mais uma pessoa junto à Jennyfer, Valery e o Josef. Era a mulher que estava pedindo ajuda ainda agora.

-Muito obrigada, Senhor Josef. Que Deus lhe pague. Muito obrigada.

-De nada, minha senhora. Vá com Deus.

A mulher estava saindo com duas sacolas em cada mão e seu filho com os bolsos cheios de chicletes e chocolates. Estranhei aquilo. Será que ela conseguiu dinheiro? Não, acho difícil. Então, por que o Josef mudara de ideia tão rapidamente?

Pagamos a conta e, pelo menos o refrigerante eu pude pagar. Abri a porta para a saída, deixando Jennyfer e Valery passarem.

-O que eu perdi? – perguntei, com o canudo em minha boca, tomando a Sprite.

-O quê?

-O que foi aquilo? Ele deu todas aquelas coisas para a mulher?

-Eu também não entendi. Meu celular tocou, fui atender e deixei Valery na bancada. Quando voltei, o Josef estava sorrindo feliz para Valery e seus olhos brilhavam. Então, ele chamou a mulher e disse que ela podia levar o que quisesse. Daí você chegou.

-Que estranho. – Olhei para Valery. Ela estava com o seu sorriso de sempre no rosto. Ela era tão linda. Senti vontade de abraçá-la. Às vezes, eu pensava que a minha constante e infinita vontade de abraçar Clair novamente, era passada para Valery toda vez que eu olhava seu sorriso contagiante.

-É... Mas, mudando de assunto. Meu estava me ligando. Disse para eu ir para a casa da minha tia, é bem aqui perto, posso ir andando.

-Vou com você.

-Não precisa, fica tranquilo.

-Tudo bem, mas você vai ficar me devendo dizer seus gostos, sonhos e tudo mais.

-E você acha que eu não te dizer? Sou de palavra! Ah e, esqueci de te dizer... Eu não vou mais estudar de manhã. Meu pai disse que se eu estudar de tarde, ele vai poder me pegar todos os dias na escola, sem ter alguma exceção que eu precise ir de ônibus e... Você já sabe. Meu pai quase teve um ataque do coração quando contei pra ele do assalto.

-Mas...

-Relaxa, nós ainda vamos nos ver, mas agora eu tenho que ir.

Jennyfer me beijou no rosto e eu a abracei forte. Esse era mais um momento que eu queria poder quebrar o relógio e, assim, parar o tempo.

-Tchau Valery. Cuida do seu irmãozinho. – ela de abaixou e beijou a bochecha de Valery.

-Tchau.

-

Cheguei em casa e ainda eram 4 horas da tarde. Não vi Edgar na sala e nem Marie na cozinha ou no seu quarto. Fui direto para o meu quarto, coloquei Valery em seu berço e deitei-me em minha cama. Fechei os olhos por uns minutos, tentando relaxar.

Logo que os fechei, vieram desenhos em minha cabeça. Peguei meu caderno e os passei para as folhas.

Jennyfer e Valery, Jennyfer em uma bela paisagem com os cabelos soltos, Jennyfer beijando o rosto de Valery... Jennyfer beijando minha boca...

Depois desse desenho, os outros só foram melhorando. Pra mim.

Quando vi, já eram quase 7 horas da noite. Desci, fiz alguma coisa para eu comer e voltei pro quarto. Valery estava dormindo.

Ouvi uma batida na porta.

Era Marie.

-Pode entrar, mãe.

-Com licença. – mamãe já estava de pijamas. Imagino que ela já tenha lavado as louças e rezado. Devia estar cansada para ir dormir tão cedo.

-Sem problemas, mãe! – tentei ser bom com ela. Ou isso, ou sua pseudo simpatia acabaria tão rápido quanto surgiu.

-Como foi seu dia hoje, meu filho? Você está namorando aquela garota?

-Foi bom, mãe! E bem que eu queria namorar com ela mas... Não deu ainda.

-Por quê? Ela não gosta de você?

-Não sei, mãe. Ela não se interessou ou só me quer como amigo, não sei! Nós ainda nem nos conhecemos direito.

-Que besteira! Você é lindo, Charles! Qualquer garota gostaria de estar no lugar dela. Pertinho de você.

Eu estava rindo por dentro.

-Obrigado, mãe! Mas não é assim que funciona... E... Por que você está falando disso?

-Nada... Eu só queria conversar um pouco com você. Tenho que participar da sua vida, não é?

-Sim...

-Então, boa noite... Vou dormir cedo hoje.

-Boa noite, mãe!

-Durma com Deus!

-Você também, mãe.

Ela estava fechando a porta, quando falei:

-Aonde está o papai?

-Ele saiu logo depois que você. Disse que alguém tinha que trabalhar na colheita agora que você é o porteiro da escola e não tem tempo pra isso. Desde que saiu, ainda não voltou.

-Tem certeza? Meu pai trabalhando na terra?

-Milagres acontecem, meu filho. Milagres acontecem! Boa noite.

-Boa noite. E mãe...

-Sim, meu filho.

-Foi bom conversar com você. Faça isso mais vezes!

Mesmo no escuro, pude ver sua expressão de plena felicidade.

-Farei sempre que puder. Eu te amo!

-Eu também te amo.

Marie saiu do quarto e fechou a porta. Fechei os olhos e me concentrei para agradecer a Deus por tudo que me estava acontecendo. Era como se tudo estivesse dando certo. Nenhum problema, nenhuma complicação... Nada.

Depois que Valery apareceu, minha vida só tem melhorado.

Uma luz forte no meio da escuridão que estava meu quarto, me fez abrir os olhos. Meu celular estava tocando.

Peguei-o e vi que tinha uma mensagem de um número desconhecido.

“Hey, Charles. Sou eu, Jennyfer. Tá td bem c vc? Gostei mto d termos saído hj! Temos q repetir + vzs! Mas nem sempre levar Valery... Eu fikei pensando sobre o que ela fez hj... foi bem estranho, vc ñ acha? E eu vi bem + do q desenhos de paisagens em seu caderno nakela hr. Bem, eu tenho q dormir. Boa noite! E, o q eu gosto? D 1 menino. Meu maior sonho? Fikr c ele! Espero q vc entenda! Ñ tô + te devendo respostas.

PS: peguei seu num. Com seu pai hj na sua ksa!

Bjs :*”

Por essa eu não esperava. Eu nem sabia o que pensar. Queria poder ir até a sua casa, se eu soubesse aonde é, e abraçá-la... Beijá-la, porque, agora eu sei que, ela gostaria de fazer o mesmo comigo. E não me importava se ela viu os desenhos... Ela gostou. Era bom demais pra ser verdade. Mas por que tanto interesse assim em Valery? E “Eu fikei pensando sobre o q ela fez hj” o que ela fez? Não entendi. Pensarei nisso mais tarde. Agora, eu só consigo pensar em dar vida a todas as coisas que eu me imaginei fazendo com Jennyfer em meus desenhos.

Se eu tivesse créditos para respondê-la, simplesmente diria:

”Eu te amo!” Pra mim, isso basta.

Deitei novamente na cama e dormi.

Foi a melhor noite da minha vida.

Nicolle Martins Ribeiro da Silva

Oceanos sempre nos dividiram

Mesmo que estivéssemos perto
Caminhos nossos destinos assumiram
Levando-me pro certo

Mas, aos anos, as diferenças sumiram.
Tirando-me, então, do errado.
Pois agora que todos fugiram
É muito bom estar do seu lado

Porque eu te amo, nunca soube.
Talvez seja seu sorriso. Faz-me feliz
Entendimento em mim nunca coube
Mas tua amizade é o que eu sempre quis

Eu só tenho a te agradecer
E te pedir, por favor,
Que nunca chegue a me esquecer
Por que eu... Vou aonde você for

An ocean has always been apart us, but it was never enough to take me out of your side. I've always insisted and persisted to stay with you, 'cause I know that it's the best for me, it makes me fine.
I don't know you at all, I'm not that your friend but, you can be sure that I love you and I'm gonna miss you so fucking hard!

I really love you <3

...

antes de eu ficar sem internet, me mudaram de turma lá na escola. Primeiro, e pensei que ia ser horrível. E foi '-' eu fiquei lá mó isolado, porque eu não conhecia ninguém, só alguns de vista. Mas depois, colocaram a Julya lá na sala tbm *-* eu não falava muito com ela antes, mas agora eu já falo e muito com ela e ela é pra mim como uma coisa frágil que pode quebrar a qualquer momento, ela é minha esperança de que tudo dê certo. De que eu vou ficar bem!
Daí a gente começou a falar com o novato lá hm julya nem queria falar com ele mas eu insisti porque eu queria fazer novos amigos '-' e entre os dois novatos, esse que a gnt falou era o menos estranho (mesmo ele sendo um pirralho, emo do interior hm HUASUAS). O outro novato ¬¬ eu quero que ele se foda _|_ o filho da puta me dedurou lá na sala TRÊS VEZES porque eu fiz uma paradinha muito doida lá e ... '-'
Tah, fiquei sem internet (Y), escrevi mais um capítulo do meu livro, fiz novos amigos, uma grande amiga minha foi embora pro canadá :\ (eu fui me despedir dela com um porta retrato com uma foto da gnt e uma poesia que eu fiz pra ela :D), escrevi maaais um capítulo do meu livro \o, falei com mais gente na escola, me senti melhor em relação às outras pessoas, me acostumei um pouco com a nova turma, morri de saudades dos meus amigos da internet, aprendi muitas coisas com novas pessoas, fiz 16 anos (droooga), e virei o cachorro de uma família estranha ._. isso não é legal u.u um dia serei promovido a filho '-' UHASUHAS
tah eu não sei como terminar esse post, ele tah uma droga '-' eu fiquei pensando em mil coisas pra escrever mas na hora só vem merda e
tchau

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Hope

At the very first time, I thought you were crazy.
At the second time, I still thought that you were crazy.
Now, I still think that you are crazy.
So please, don't stop beeing crazy :)
I love you that way!
You're the hope that I needed in my life!


/ignorem Gomes ali no fundo -.-

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Internet

CARALHO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
precisava fazer isso HASHUASHuS, acreditem, eu dei um grito muito doido aqui quando mamãe me disse que a internet voltou ._.
bom, a filha da puta da paradinha lá que cuida do telefone e talz cortou a porra do telefone e internet dizendo que a gnt não pagou a conta maaaas a gnt pagou u_u daí fiquei quase um mês sem internet, telefone, TUDO D: e sem créditos porque, enfim... hm
só Deus sabe o quanto eu senti falta disso... mas só nos primeiros dias '-'
admito que, com o tempo, eu fui esquecendo um pouco a internet :B fui focando mais nos estudos (: e isso resultou no meu NOVE EM QUÍMICA! AH ÉÉÉÉÉÉÉÉÉ (meu malvado favorito feelings) UHASUHSAHUASH
ps: eu não colei na prova, acreditem!

bom, eu ia postar uma coisa ENORME falando de tudo que aconteceu nesses dias, mesmo que meu blog não seja algo do tipo como ér, dizer como foram meus dias e talz... massss eu tô MUITO cansado porque fiquei até 1H da manhã estudando pra prova de hoje (Y)
amanhã, se eu tiver tempo rs, eu posto (:

ps²: eu não senti falta da internet em si, mas senti falta dos meus amigos que eu conheço da internet (Y)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

help!

http://www.youtube.com/watch?v=03fJTE8vnFU

CADÊ OS PAIS DESSA MENINA?

MEU DEUS DO CÉU, PUTA QUE PARIU O_O EU NÃO QUERO MAIS TER FILHO NESSA ÉPOCA DE RETARDADOS!

/dps eu posto algo melhor sobre isso '-'

I miss my friends

And this is the worst thing in the whole world.

/I REALLY hate changes, even if I know they're good to me!

'cause we know it's falling and falls!

sábado, 7 de agosto de 2010

turn it off


Eu arranhei meus joelhos enquanto eu estava orando.
E encontrei um demônio no meu porto mais seguro.
Parece que está ficando mais difícil acreditar em qualquer coisa.
Do que se perder nos meus pensamentos egoístas.
Eu quero saber como seria.
Achar perfeição no meu orgulho.
Não ver nada na luz. Eu vou desligar, em todo o meu despeito.
Em todo o meu despeito, eu vou desligar.
E a pior parte é.
Antes que fique um pouco melhor.
Nós somos dirigidos a um penhasco.
E na queda livre.
Eu perceberei que estou melhor.
Ao atingir o fundo.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

I'll be alright

Às vezes você fica para baixo. Às vezes a vida joga sujeira nos seus olhos e isso arde e você não consegue ver por alguns minutos. Mesmo depois de limpar, seus olhos estão vermelhos e sua visão ruim. Mas eventualmente, por meio de lágrimas ou apenas do tempo.
Você começa a ver mais claramente do que antes. A vida não é sempre boa, e mesmo que hoje eu possa me sentir um pouco pesado e me sentir melancólico com algumas pessoas que eu amo, existe a promessa de que amanhã eu serei mais forte, mais paciente e melhor refinado.
Nós existimos para sermos passados pelo fogo, não deixados nele!

future

Tenho que aceitar as mudanças, ser forte, deixar de andar de cabeça baixa.
Então, acostumarei-me com tudo de novo e tornarei o novo, meu passado verdadeiro.
Por mais que me doa, que permaneça em mim 24H, eu aprenderei a me acostumar com ela.
Dessa vez, vou saber aproveitar as opurtunidades que me foram dadas e mostrarei a todos, quem realmente sou, o que eu realmente posso fazer e o que eu realmente quero.

Talvez, seja a hora de mudar.

Mudar pra melhor!

terça-feira, 3 de agosto de 2010

I need to confess...

I'm not alright
I'm broken inside
Broken Inside


'Cuz honestly, I'm not that strong

domingo, 1 de agosto de 2010

Vacations

Bom, eu passei o dia inteiro - na verdade, a semana inteira - pensando no que eu iria postar sobre as férias, mas como são 1:02 da manhã e eu tô com MUITO sono (o que eu tenho que dar graças a Deus por isso, pois sempre fico muito ansioso e não consigo dormir), não vou postar nada grande.
Só dizer que essas foram, definitivamente, as melhores férias (não sou do tipo de pessoa que sempre diz isso a cada novo período de férias)! E, agora, eu sei que as melhores férias são aquelas pequenas, pois tudo de bom (se tiver algo de bom) acontece rápido, em datas próximas, e a gente nunca tem um dia chato, um dia pra "descansar" (não quero descansar), um dia pra reclamar "ah, que férias chatas".
Eu me diverti bastante, aprendi bastante, matei a saudade de várias pessoas, saí muito e fiquei muito em casa com os meus amigos!
É, eu gostei :)

Nerd mode on agora -n

Adeus, blog :( /não gosto de dar "adeus" e

Faltam 29 dias pro meu aniversário

sábado, 31 de julho de 2010

Won't you lead me?


Guie-me com mãos fortes.
Fique firme quando eu não conseguir.
Não me deixe morrendo por amor, caçando sonhos, o que será de nós?
Mostre-me que és capaz de lutar, que eu ainda sou o amor da sua vida.
Eu sei que chamamos isso aqui de nosso lar, mas eu ainda me sinto sozinho.

Oh father, show me the way!

sexta-feira, 30 de julho de 2010

-Yes, I do!

Do you care if I don't know what to say?

That there's someone out there who feels just like me.
With every single letter in every single word, there will be a hidden
message about a boy that loves a girl.

ninguém precisa nos entender +1

worthwhile


-Do you believe?
-In what?
-In love?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

No, I won't give in

"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante,

chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a

peça termine sem aplausos."

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Virgo

Virgem é o segundo signo de elemento Terra e é regido pelo planeta Mercúrio. As pessoas que nascem quando o Sol passa pelo signo da Virgem são práticas, metódicas, analíticas e caracterizam-se por um grande perfeccionismo, tanto no que respeita às próprias ações e talentos, quanto aos dos outros. São conhecidas por sua facilidade para memorizar detalhes de objetos e atitudes que observam em seu meio ambiente. São, também, bastante críticas, e nada escapa ao olhar arguto e perspicaz de um nativo de Virgem. Muitas vezes, ouvimos Virginianos se queixando de sua forma rápida de avaliar situações e pessoas, por se sentirem invadidos pela quantidade de detalhes que conseguem perceber e que não esquecem. A praticidade e um certo ceticismo são marcantes nos nativos desse signo. Acreditam no que vêem e naquilo que é executado de forma terrena e realista. A característica mais notável dos Virginianos é sua disposição para o trabalho e a dedicação aos outros; costumam não medir esforços na prestação de serviços. Amam a rotina, gostam da pontualidade e é através de tarefas muitas vezes repetidas que podem crescer em seus empregos e funções. São inteligentes mas de uma forma prática; não são teóricos e costumam realizar as ideias de outros signos de forma decidida e com grande habilidade. Muitos profissionais da área da saúde, tais como médicos, enfermeiros, analistas laboratoriais e veterinários podem ser do signo de Virgem ou ter seus Ascendentes ou a Lua nesse signo.

ELEMENTO: Terra
VERBO: Trabalhar, Analisar
PALAVRAS CHAVE: Perfeccionismo
DIA DA SEMANA: Quarta-Feira
NÚMERO: Quatro

sábado, 24 de julho de 2010

Shooting Stars

Eu passei alguns dos melhores dias da minha vida essa semana com pessoas que eu nunca imaginei que fosse gostar tanto.
Foram dias normais, como qualquer outro.
Shopping (muitas vezes), praia, piscina, filme em casa... Coisas que eu poderia fazer com qualquer pessoa e em qualquer momento, mas que tornaram-se dias especiais pelas pessoas que estavam comigo.
É impressionante como a gente cresce e muda. Como a cada ano nós somos pessoas diferentes do ano passado, e que precisamos ser conhecidos e conquistar as pessoas novamente.
De todas as vezes que essas pessoas especiais vieram aqui na minha cidade, essa foi a melhor. Essa foi a fase em que, mais uma vez, nos conhecemos melhor. Crescemos. Tivemos coisas mais interessantes para fazer e conversar. Aprendemos um com o outro e, com certeza, deixamos falta para todos.
Mesmo sem eu conhecê-las tão bem, ou elas me conhecerem, eu tenho certeza da falta que elas estão e ainda vão me fazer. Eu tenho certeza do meu amor por elas e de que vai durar por muito tempo, não importa a distância.
Eu não preciso saber a cor favorita delas, a comida favorita, o que mais gosta de fazer, o que menos gosta de fazer, situações da vida delas, segredos... Nada.
Saber isso tudo, é bom, mas não significa que só assim que se forma uma amizade verdadeira.
Eu não sei quase nada delas mas elas são as pessoas que mais me fazem falta e as únicas que me fizeram chorar por saudade.
Deixaram em mim um vazio, um aperto no coração, mas que é preenchido a cada minuto pela esperança de que a gente possa viver tudo o que vivemos nessa semana novamente. Várias vezes.
Eu amo muito vocês, Natália e Amanda.
As melhores primas do mundo <3

"Can we pretend that airplanes in the night sky are like shooting stars! I can realy use a wish right now, wish right now, wish righ now!"

where will it ends?

Sorte de hoje: Ninguém pode voltar e criar um novo início, mas todo mundo pode começar hoje e criar um novo final.

Antisocial


Não gosto de lugares lotados. Odeio chegar atrasado e ter que cumprimentar todo mundo. Carnaval pra mim é tentativa de suicídio. Só converso com quem eu conheço e gosto. Não suporto gente que fala demais (além de mim quando me empolgo com alguém que eu gosto). Prefiro ficar em casa do que sair pra balada. Tenho poucos amigos. As pessoas acham que eu sou cara fechada. Não gosto de festas, sou antissocial.

/antes que alguém me mate dizendo que o título tah escrito errado... É INGLÊS, SUA ANTA! /falei

terça-feira, 20 de julho de 2010

Friend's Day


Amigos são coragem nos momentos difíceis,
Aão luz nos momentos de desânimo.
São estrelas e, ser estrela nesse mundo de cometas, é um
desafio, mas, acima de tudo, é uma recompensa.
É nascer e ter vivido e não apenas...
... Existido

Foto: Eu e Lallys *-* Minha melhor amiga (:
Eu poderia fazer um post grande e emocionante e
preguiça '-'
mas acho que só isso basta =)
Eu te amo, Lallys <3

/e esse post não foi só pra ti, hein '-' é pra todos os amigos e

Feliz Dia dos Amigos, galere :)

domingo, 18 de julho de 2010

PARAMORE!

Eu estava na comunidade da melhor banda do mundo, Paramore, e vi um tópico que criaram com a discografia/videografia da banda para pessoas que quisessem conhecê-la e talz! Resolvi então postá-la aqui! Espero que gostem :)
Eu ia adicionar mais algumas coisas, como explicar as histórias dos clips e outras coisas mais, mas tô com preguiça rs

WE ARE PARAMORE!

All We Know Is Falling

Disco de estréia da banda Paramore. Foi gravado em Orlando, EUA. Na época, Jeremy Davis resolveu deixar a banda, por isso, o albúm refletiu sobre a perda do integrante, como explica Hayley Williams: "O sofá (na capa do All We Know Is Falling) com ninguém lá e a sombra à curta distância, é sobre Jeremy nos deixando e nós nos sentindo como se tivesse um espaço vazio".All We Know Is Falling foi lançado em 24 de julho de 2005 e alcançou a posição #30 no Heatseekers Chart da Billboard.
A banda então lançou seu primeiro single: Pressure. O vídeo representa a pressão de ser um adolescente. O vídeo foi dirigido por Shane Drake.
http://www.youtube.com/watch?v=y-MaaxgdUT4


Emergency foi o segundo single de All We Know Is Falling. Também dirigido por Shane Drake. O vídeo mostra a banda toda "ensanguentada" tocando a música.
http://www.youtube.com/watch?v=mgJ8BZi3vTA

All We Know foi o último single do CD, o clipe mostra o grupo tocando em uma pequena sala escura, se apresentando e interagindo com os fãs.

http://www.youtube.com/watch?v=4EHIpDcZvB0
 
The Summer Tic EP


É um EP, que foi vendido durante a Warped Tour 2006 pela gravadora Fueled by Ramen. O EP contava com 4 faixas: Emergency (com screamos do guitarrista Josh Farro); Oh, Star; Stuck on You (cover da banda The Failure) e This Circle.

RIOT!
 
No começo de 2007 Paramore começou a gravar seu 2° álbum de estúdio: RIOT!. Em 12 de Junho de 2007 foi lançado e pegou a posição #20 na Billboard 200 e #24 nas paradas do Reino Unido. O nome RIOT! singifica "uma súbita explosão de emoção descontrolada", e era uma palavra que "resumia tudo".

O primeiro single foi uma das musicas de maior sucesso da banda: Misery Business. É dirigido por Shane Drake, que também dirigiu os vídeos de "Pressure" e "Emergency". O clipe é voltado sobre a vida no colégio. O single alcançou a posição #26 na Billboard Hot 100.
 http://www.youtube.com/watch?v=aCyGvGEtOwc


Hallelujah foi o segundo single do álbum. O clipe é semelhante ao de All We Know.

http://www.youtube.com/watch?v=_TYlOXVdVcQ

Crushcrushcrush, uma música de grande sucesso da banda, é lançada mundialmente como single dia 15 de Janeiro de 2008. O Clipe mostra a banda tocando em um ambiente desértico e três pessoas a espiar neles com binóculos. O vídeo foi dirigido por Shane Drake.
 http://www.youtube.com/watch?v=ei8hPkyJ0bU


O quarto e último single de RIOT! foi That's What You Get. O clipe mostra a banda performando junto com os amigos com clips de uma relação de dois amantes. Video dirigido por Marcos Siega. O single conseguiu na Billboard Hot 100 posição #66.

http://www.youtube.com/watch?v=1kz6hNDlEEg

Live in the UK 2008


Live in the UK 2008 é um álbum ao vivo. O álbum é uma edição estritamente limitada, com apenas três apresentações ao vivo em Manchester, Brixton e Birmingham. Originalmente, haveria uma opção em cada um dos concertos de escolher qual o álbum ao vivo que poderia ser comprado. Isto foi mudado somente no álbum de Manchester ao vivo que está disponível em cada turnê. Os álbuns ao vivo de Brixton e de Birmingham tiveram que ser comprados desde 5 de Fevereiro.
Os fãs poderiam ou reservar o álbum online por concerto ao vivo ou poderiam comprar o álbum do próprio concerto. Havia uma opção para comprar o álbum por si só, ou comprá-lo com a reliberação do compacto "Misery Business" no Reino Unido. Os duzentos primeiros que reservaram o álbum com os compactos online receberam uma versão assinada de "Misery Business", ao mesmo tempo que compram os compactos num concerto significava que cada pessoa tivesse a chance de 20% de receber uma cópia assinada.

Twilight Soundtrack

A banda teve participação na trilha sonora de Crepúsculo. O single proncipal da trilha sonora foi Decode, canção da banda.
O clipe mostra uma performance da banda numa floresta escura e sombria em Nashville (cidade de origem da banda), Tennessee.
 http://www.youtube.com/watch?v=RvnkAtWcKYg&playnext_from=TL&videos=fCOAb3me5Do&feature=rec-LGOUT-exp_fresh%2Bdiv-1r-5-HM

Outra canção chamada I Caught Myself também entrou na trilha sonora do filme.


The Final RIOT!


É o segundo álbum ao vivo de Paramore. O DVD foi filmado no dia 12 de Agosto de 2008, no Congress Theater em Chicago como parte da The Final RIOT! Tour.
Foi lançado em 25 de novembro de 2008. O CD/DVD tem 15 faixas.

brand new eyes


É o terceiro álbum de estúdio da banda, lançado em 29 de setembro de 2009. É o novo rumo que Paramore está tomando. O álbum conseguiu posição #2 na Billboard 200.
A canção Ignorance é o primeiro single do álbum. O video mostra Hayley Williams cantando no meio do grupo e sendo ignorada pelos demais.
http://www.youtube.com/watch?v=OH9A6tn_P6g


Brick by Boring Brick é lançado como segundo single do Brand New Eyes. O clipe mostra a banda em uma espécie de "terra de conto de fadas", segundo Jeremy (baixista da banda).
 http://www.youtube.com/watch?v=A63VwWz1ij0


O terceiro single do álbum é um dos mais lindos e que fez mais sucesso, principalemente no brasil, da banda. The only Exception. O vídeo foi lançado em 17 de Fevereiro de 2010, mas vazou antes.

http://www.youtube.com/watch?v=-J7J_IWUhls

Sai o quarto single de brand new eyes: Careful. O clipe mostra a banda em shows, bastidores, em momentos divertidos nos ensaios e em diversos lugares, é semelhante ao All We Know e Hallelujah. O video era esperado para dia 5 de Julho, mas foi lançado antes, dia 7 de Junho.

http://www.youtube.com/watch?v=f5howHv3F54

sábado, 17 de julho de 2010

fall

E o que eu posso pensar agora?
Mais uma vez, eu continuo tropeçando em tudo na vida!
Tropeço por me arrepender de quase tudo que eu fiz, tropeço por não ter feito muita coisa, tropeço por errar, por acertar, por não tentar!
Se eu pudesse, eu mudaria essa situação!
Não acredito que pensam que eu gosto disso, que eu me acostumei com isso!
Eu não os odeio de verdade, eu os quero bem e queria que fôssemos mais unidos.
Talvez, eu só esteja com um certo interesse.
Porque o que eu quero, é alguém pra quem eu possa correr e abraçar.
Alguém que só vai me ouvir, não vai chamar a minha atenção por eu estar errado.
As pessoas a quem eu naturalmente deveria correr, são as que eu mais me afasto.
O que me resta, então?

I've been trying hard to do what's right

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ignorance is your new best friend

Eu não tô procurando nada com a porra desse blog.
Não quero que muitas pessoas olhem e, se olharem, aceito críticas mas que sejam críticas que me ajudem a melhorar! Que a pessoa saiba do que está falando!
Eu posto O QUE EU QUISER NESSA MERDA!
Eu escrevo O QUE EU QUISER!
Não preciso copiar ninguém! Não copio ninguém! Principalmente Paramore! ¬¬
Se eu um dia copiar, ninguém tem nada a ver com isso! Eu não sou famoso, não ganho nada com isso aqui, então não tem importância se eu copiar! (EU NÃO COPIEI)
Eu não sou poeta... Poeta profissional! Não sei de caralho nenhum de literatura! Tenho 15 anos e tô no 1º ano do ensino médio! O máximo que eu sei de literatura, é o que o meu professor ensina em sala e quando eu presto atenção!
Não tenho que escrever perfeitamente bem, porque eu não sou e nem nunca disse que sou poeta!
Eu escrevo o que eu quero e quando tenho vontade! No máximo, o que eu faço é escrever um monte de versos e colocar palavras que rimem no final! Não metrifico, não faço nada!
Se você tem conhecimentos em literatura, ÓTIMO! Use isso pra você ou, se quiser, critique os outros de uma forma boa! Use para ajudar, para passar seu conhecimento e não pra mostrar "eu sou melhor que você" porque tu vai estar sendo um IDIOTA!
Eu estou expressando coisas minhas aqui nesse blog, e isso ninguém tem que julgar bom ou ruim!
FODAM-SE TODOS U_U

é


"Next time you point a finger I'LL POINT YOU TO THE MIRROR!"

terça-feira, 13 de julho de 2010

canureadmymindd



On the corner of main street
Just tryin' to keep it in line
You say you wanna move on and
You say I'm falling behind

Can you read my mind?
Can you read my mind?

[...]

Oh well I don't mind
If you don't mind
Cause I don't shine
If you don't shine
Before you jump
Tell me what you find
When you read my mind

[...]

Put your back on me
Put your back on me
Put your back on me

The stars are blazing
Like rebel diamonds
Cut out of the sun
When you read my mind

segunda-feira, 12 de julho de 2010

English

EYE: Interjeição de dor: EYE que dor de cabeça!
HIM: Órgão: Eye que dor no HIM!
FAIL: Oposto de bonito: ele é FAIL.
RIVER: Pior que FAIL: ele é O RIVER.
CAN'T: Oposto de frio: a água está CAN'T.
MORNING: Nem CAN'T, nem frio: a água está MORNING.
WINDOW: Usado em despedidas: Bom, já vou WINDOW!
FRENCH: Dianteira: sai da FRENCH, por favor.
HAND: Entregar-se, dar-se por vencido: você se HAND?
FEEL: Barbante: me dá um pedaço desse FEEL para eu amarrar aqui.
MICKEY: Afirmativo de queimadura: MICKEY may.
BOTTOM: Colocar: Eles BOTTOM tudo no lugar errado.
MONDAY: Vocabulário usado para ordenar: Ontem MONDAY lavar o carro.
MUST GO: Signifiga mastigar: Ele colocou a pastilha na boca e MUST GO.
PART: Lugar para onde mandamos as pessoas: Vá para o raio que o PART!
SO FREE: Expressão que denota sofrimento: Como eu SO FREE pra ganhar esse dinheiro.
HELLO: Esbarrar: Ele HELLO o braço na parede.
GOOD: Bolinha usada pra jogar: Eu gosto de jogar bolinha de GOOD.

UHASHUASUASUHASHUAS AAAAH EURI MUITO UHSAUSUHASHUASHUASHUAS rs

Valery - Chapter 3

Acho que meu relógio está atrasado. Hoje não é madrugada do dia 9 de julho UHASHUASUHAS /eu disse que ia postar nesse dia xD
Espero que gostem :)

-

A escola continuava quase do mesmo jeito de quando eu estudava lá. Não faz muito tempo, uns três anos. Logo após a morte de Clair.


Ainda tinha a mesma pintura cinza sem graça, os mesmos bancos velhos na porta, e eu ainda tropeçava no mesmo ponto do asfalto mal feito.

Era estranho chegar lá sem a mochila nas costas, os cadernos nas mãos e Clair do meu lado. Dessa vez, eu ficaria somente até ali, naquele portão velho.

-Hey, Charles, bom dia. Você chegou cedo! – Jannet passou do meu lado com o seu carro modelo 2005.

-Bom dia, Jannet. – retribuí com um sorriso no rosto – eu não sabia que horas eu tinha que chegar, e não queria me atrasar.

-Entendo – ela estava agora saindo do carro já estacionado. – Encontrou algum velho amigo?

Estávamos andando, em direção ao portão principal da escola. Olhei ao redor, e não encontrei ninguém.

-Não! Eu não tinha muitos amigos aqui. Andava mais com a Clair. – respondi, e esqueci que ela não sabia quem era a minha irmã.

-Clair era sua amiga? – perguntou

-Minha irmã...

-Ah, você tem outra irmã? Ela ainda estuda aqui?

Pensei se seria bom dizer logo o que acontecera com Clair. Tinha esperanças de que Jannet não fosse me fazer mais perguntas sobre o assunto.

-Ela... A Clair já morreu. – respondi de cabeça baixa.

Esperei pela resposta dela, mas não veio, ao invés disso, uma mulher que vestia um tipo de uniforme aproximou-se de nós. Agradeci mentalmente por ela nos interromper e me livrar de mais um “eu sinto muito pela sua perda, Charles”. Eu já havia me cansado disso.

-Bom dia, D. Jannet. – a mulher agora estava falando diretamente com Jannet, ela tinha um ar superior e, para ela, eu parecia invisível. – Você já organizou seus documentos no cartório? – perguntou.

-Bom dia, Sra. Smith. Sim, já fui ao cartório e fiz tudo o que tinha que fazer. – Jannet respondeu. Nós dois percebemos que, agora, a Sra. Smith estava olhando para mim.

-Muito bem. E, quem é este rapaz? – perguntou Sra. Smith

-Este é Charles. Um amigo meu e ex-aluno da sua escola. Ele gostaria de preencher a vaga de porteiro. Soube que você estava procurando por um.

Sra. Smith estava agora me analisando de ponta a cabeça. Seus olhos eram arregalados e pareciam não dormir a dias. Era difícil ter que encarar seu rosto tão de perto.

-Você já trabalhou antes, garoto? – perguntou

Ela estava falando comigo? Estranhei, pois antes eu nem parecia estar ali entre ela e Jannet. Eu não sei por que, mas me senti nervoso perto da Sra. Smith.

-Ér, mais ou menos. Eu...

-Ele já trabalhou para mim. Tenho certeza de que irá gostar dele, Sra. Smith.

Esse era um momento importante para mim. Não sei o motivo de eu estar tão tenso. Não era uma coisa que eu estivesse esperando há tanto tempo para conseguir. Foi algo repentino, que surgiu ontem. Eu não morreria se não tivesse esse emprego. Mas eu queria tanto estar ali na escola, no meio dos estudantes, dos livros. Para mim, conseguir permanecer em uma escola era um desafio. Era mais um medo que eu tinha que enfrentar e que Clair se sentiria orgulhosa de mim. A cada dia que eu saísse da escola, do meu trabalho, eu teria a mais deslumbrante vista do Sol: o sorriso de Clair em minha mente.

-Ótimo. Pelo menos agora não é um porteiro velho e arrogante. Você pode pegar sua farda amanhã. Hoje você começa com essa roupa que você está mesmo. Só o que você precisa fazer é ficar ali sentado na porta – ela apontara para o grande portão na entrada principal da escola. Ele era de ferro e sua pintura já estava gasta demais - abrindo e fechando o portão para as pessoas passarem. Não deixe as crianças saírem, não saia do seu posto, não fume, não beba, não converse muito com os alunos, pois alguns pais não gostam que seus filhos se relacionem com funcionários, enfim, não faça nada de errado. Você receberá seu salário no dia 5 de cada mês comigo mesma no meu escritório, você é um ex-aluno, não é? Então já deve conhecer a escola. Meu nome é Elizabeth Smith, diretora daqui. Tudo resolvido?

Não sei se eu tinha entendido todas as ordens que ela me deu. E não sei se eu me acostumaria com ordens. É bom que o salário valha à pena e que eu não tenha que cruzar muitas vezes com essa... Elizabeth. Ela fala demais. Deixou-me confuso.

-Sim, sim... Tudo bem.

-Certo! Você pode começar agora, então. Eu vou indo que eu tenho muito que fazer.

Elizabeth saiu rebolando pela minha frente – se é que ela sabe rebolar, ela parecia desconfortável naquele salto alto e eu tinha a impressão de que a qualquer momento ela iria cair – Jannet olhou para mim com um sorriso no canto da boca. Imaginei que ela estivesse rindo do mesmo motivo que eu estava internamente.

-Bom você entendeu não é? – perguntou Jannet – Eu vou pegar alguns livros que eu esqueci no carro e você pode começar seu trabalho, Charles. Amanhã eu lhe apresento a escola, tudo bem?

-Sim, tudo bem. Obrigado, Jannet. Nem sei como lhe agradecer. Muito obrigado – eu realmente, era muito grato a ela por me dar essa oportunidade – eu só não sei se quero conhecer a escola. Ainda não. É... Me trás algumas lembranças que... Eu preferia esquecer.

-Tudo bem, eu entendo. Não precisa agradecer. Você já me retribui com essa sua felicidade contagiante, Charles. Então, bom trabalho.

-Obrigado.

Jannet fez uma cara como quem diz “eu disse que não precisava agradecer” e saiu em direção ao seu carro.

Fui para o portão da escola e sentei-me no banco. Imaginei logo de início que seria preciso um concerto nele, pois ele ficava balançando, quicando de um lado para o outro e o acento já estava desparafusado.

De onde eu estava não era possível ver muito da escola, ainda tinha um longo corredor em direção às salas e tudo o mais. Confesso que tinha uma leve vontade de ir lá, mas, além de eu ter que permanecer no meu posto, não sei se eu estava pronto para isso.

Jannet já havia entrado para dar suas aulas. Ela era professora de História.

Quando eu estudava, essa era a minha matéria favorita. Aquelas “notícias antigas” como meu velho professor costumava brincar ao referir-se à sua matéria, me encantavam e me faziam imaginar milhões de sociedades diferentes ao mesmo tempo. Sempre gostei de aprender sobre novas culturas.

Era apenas o início do dia. Muitos alunos passaram e passam por mim agora. Era gratificante receber um “Bom dia” dos adolescentes, e estranho ouvir um “Bom dia, tio” das crianças.

Perdi a conta de quantos alunos passaram por aquele portão. Vinte, trinta, quarenta... Mil. Não sei. Neste momento, depois de quase uma hora no abre-e-fecha do portão, a entrada de alunos cessou.

Acredito eu, que todos estavam em suas salas. As aulas haviam começado.

Coloquei a mão no bolso à procura do meu caderno. Ele não estava lá. Devo ter esquecido em casa por conta da ansiedade que eu estava hoje cedo. Essa é a primeira vez que isso acontece.

Pensei em desenhar a escola, as pessoas, a farda dos alunos, qualquer coisa pra passar o tempo mais rápido.

Observei, então, que mais um carro estava parado diante de mim. Era um carro comum, popular, mas parecia ser bem conservado.
No momento, alguém estava saindo do banco do carona. Era uma menina. Não me lembro de tê-la visto na cidade. Ela era diferente, bonita demais. Acanhei-me com a sua beleza, pois ela já estava bem à minha frente, rindo.

-Bom dia. Meu nome é Jennyfer, Jennyfer Lee, 1º ano. Eu cheguei tarde demais? – perguntou.

-Sim... Quer dizer... Não... Você... Pode entrar. – por que mesmo eu gaguejei ao falar?

Jennyfer estava rindo de mim.

-Ah, obrigada. – ela disse isso e deu um beijo em meu rosto.

-De nada. – foi só o que eu consegui falar.

Seus cabelos estavam agora batendo em meu rosto, estava virando para entrar na escola. Ela disse 1º ano, não foi? Deve ter a minha idade, ou 15 anos no máximo. Há tempos que eu não me interesso por uma garota. Não tinha muito contato com outras pessoas enquanto eu trabalhava na fazenda, principalmente com garotas bonitas como ela. A última menina que eu gostei, foi a Nichole, na 6ª série, um ano antes de eu sair da escola. Nós brincávamos juntos e eu a defendia. Os outros meninos da turma zoavam com ela, por ela ser gorda e não conseguir ler em voz alta quando a professor pedia. Eu não me importava com isso. Pra mim, Nichole era a menina mais linda, engraçada, inteligente, amiga e interessante do mundo. Mas meu pequeno-grande amor acabou quando ela foi embora ao final do ano. Seu pai fora transferido para trabalhar em outra cidade.

Jennyfer tinha uma beleza única. Uma voz doce, olhos verdes, cabelos ruivos e ela me transmitia uma tranquilidade que nenhuma outra pessoa além de Clair e Valery me transmitiam. Eu sei, foram poucos segundos em sua presença, mas foi o bastante para eu me interessar por ela. Pelo menos por sua beleza.

-

Passaram-se 3 horas, imagino que agora seja o intervalo das aulas. Quarenta minutos de intervalo, se é que não foi mudado. Na minha época, eram os melhores quarenta minutos que eu passava entre aquelas paredes beges claro.

Todos estavam descendo pela escada para irem lanchar. Meus olhos scaneavam o local à procura de Jennyfer. Não encontrei nada. Só o que vi foi um menino, gordo, no chão. Resolvi ajudá-lo.

-Está tudo bem? Você se machucou? – perguntei – pode levantar?

-Sim, estou bem. Largue-me. Eu me levanto sozinho! – o menino respondeu rispidamente.

-Como você quiser.

Ele estava se levantando, parecia ter dificuldades para isso. Seu lanche estava esmagado no chão. Sua farda estava completamente suja. Seus óculos quebrados e seu cabelo bagunçado. Ele não pode ter simplesmente escorregado na escada sozinho.

-Ei você aí! – ouvi alguém me chamando, eu acho – quer que a gente te jogue no chão também, é?

Virei o rosto para ver quem era.

George Walker. Filho de Richard Walker. Meu pai gostaria de estar aqui no meu lugar para dar-lhe uns murros e um recado para seu pai.

Com o meu rosto virado para o dele, pude ouvir risos.

-Charles Parker! Filho do maior perdedor da região. Como vai seu pai? Quer que eu dê algumas moedas para ele comprar mais bebida? – todos agora estavam rindo. O menino que eu tentei ajudar, ainda estava no chão e calado. – Vai dizer que você voltou a estudar? Cansou de trabalhar na terra?

Suas palavras, por mais ofensivas que fossem não me abalavam. Aprendi a lidar com pessoas como ele desde muito cedo.

-Ele está bem, obrigado. E não precisamos do seu dinheiro, Walker. – eu o encarava bem de perto – voltar a estudar? Ainda não. Mas pelo menos eu estudei pra poder voltar um dia, não é? Você continua aqui e... Quando que você pegou em um livro mesmo? – pude ouvir os “uooou” que seus amigos faziam agora.

-Quer dar uma de machão agora, é? Cale sua boca, seu perdedor, ou eu acabo logo com você.

Sua mão estava fechada em um punho. Não era grande coisa. Trabalhando na terra eu ganhei músculos, força, coisa que George não chegava perto. Se ele resolvesse me bater, eu estaria preparado para revidar.

-Ei, meninos! Podem parar. – Jannet encontrava-se no meio de nós dois, afastando-me de George – o que vocês pensam que estão fazendo? E você, Billy, porque está no chão? – Billy levantava-se com a ajuda de Jannet – Isso é uma escola! Não é lugar para brigas.

A ‘gangue’ de George já não estava mais lá. Era incrível como eles o apoiavam nos momentos difíceis.

-Desculpe D. Jannet. – disse George.

-Vá lanchar. O intervalo já está acabando. Vamos, antes que eu o leve para a sala da Sra. Smith. E você, Charles, volte para o portão se não quiser perder o emprego, por favor.

-Portão? – perguntou George, que continuava parado ao nosso lado.

-Você ainda está aqui, Walker? – perguntou D. Jannet

-Parker está trabalhando como porteiro, é isso? Porteiro! – risos – Bem pensado para um perdedor como você!

George percebeu a raiva nos olhos de D. Jannet e correu para longe.

-Desculpe-me, Jannet. Eu só estava tentando ajudar.

-Não tente ajudar, Charles. Faça o que você tem que fazer e pronto. Eu gosto muito de você, mas não costumo desobedecer a regras e nem gosto quando alguém desobedece. Você não pode nunca deixar o portão sozinho, entendido?

-Entendido. – abaixei a cabeça. Jannet subiu a escada e eu caminhei até meu único companheiro da escola: o portão velho.

Pude ver que Jennyfer estava ali perto, antes de Jannet sair, nos observando.

Será que ela viu a confusão toda? Será que eu estava bonito? Será que ela gostou do que eu falei? E se ela tiver ouvido sobre o meu pai?

Era estranho voltar a ter essas incertezas de adolescente. Seria mais difícil ainda ter que me acostumar com elas novamente.

O intervalo já estava acabando. Mais uma vez, estudantes e mais estudantes passavam pelos meus olhos. Virei a cara para não ter que encarar George novamente.

Ser porteiro é uma das coisas mais chatas que existem. E eu demorei pra perceber isso. Não aguento permanecer aqui sentado sem fazer nada. No momento, eu estaria em casa, fazendo o que eu sempre fiz, observando a natureza e desenhando. Nem um relógio eu tinha para poder saber quanto tempo faltava para eu ir embora.

No tédio que eu estava, meu pensamento foi longe.

Imaginei o que minha mãe estava fazendo em casa. Espero que seja qualquer outra coisa diferente de infernizar meu pai sobre devolver Valery, ou trancar-se em seu quarto. Era um mistério para mim e para Edgar – se bem que ele nem se importava com Marie – o que mamãe fazia lá dentro. Rezar já está muito clichê para mim. Ela não pode também viver rezando. Costurar? Não! O último barulho da máquina de costura que ecoou em nossa casa, foi quando Clair reparou alguma coisa em sua roupa antes de sair pela última vez em sua vida.

Marie simplesmente não falava mais com outras pessoas, não sorria mais, não ouvia música no rádio enquanto cozinhava. Ela tornou-se uma pessoa seca, e esforçava-se para esconder isso.

Edgar devia estar cuidando de Valery. O médico foi lá novamente hoje de manhã, antes de eu vir para cá. Ele ficou surpreso com a rapidez que a febre dela passou e com o comportamento dela. Disse ser um comportamento bastante avançado para uma criança de sete ou oito meses. Valery já até arriscava dar alguns longos passos sozinha e falar coisas além de incompreensíveis barulhos de bebês.

Ah, como eu queria chegar logo em casa e abraçá-la. Com ela, eu esquecia todos os problemas, mesmo que ela fosse um desses.

-

O tempo passou. Já estava no final do dia e eu finalmente terminaria meu primeiro, e intediante, dia de emprego. Jannet disse que a escola só funcionava de manhã. Haviam poucas turmas de tarde e eu não precisaria trabalhar nesse turno, somente quando eu fosse chamado para isso.

Tive que esperar até o último aluno e o último professor sair da escola para eu ir embora também.

Tranquei o portão com a chave que estava no trinco desde o início. Vi outros funcionários trancando portas e janelas lá dentro da escola. Espero que eles tenham outra forma de saída, porque eu já estava indo embora.

De início eu estava sozinho, até que ouvi a voz doce me chamando.

-Espere-me, por favor.

Jennyfer andava logo atrás de mim com seus cadernos nos braços. Ela estava mais bonita ainda agora que éramos só nós dois na rua. Minha atenção estava totalmente em seu rosto. Não tive que esperar muito até que ela chegasse do meu lado.

-Meu pai me ligou dizendo que não poderia me pegar, terei que ir de ônibus. Ainda bem que te encontrei. Eu posso andar com você, não posso? – Jennyfer tinha uma carinha de coitada estampada em seu rosto. Mesmo que eu quisesse, era impossível dizer não.

-Claro que pode! – respondi.

-Obrigada. – disse Jennyfer

“Pra você, eu faço tudo! Não precisa agradecer.” Pensei e, como sempre, muito exagerado.

Calado. Sem falar nenhuma palavra. Esse era o meu estado no exato momento.

-Seu nome é Charles, certo? – perguntou Jennyfer, quebrando o silêncio.

-Sim. E o seu? – “Que pergunta idiota, Charles! Ela vai pensar que você não prestou atenção nela hoje de manhã” pensei novamente comigo mesmo.

-Jennyfer! – risos – Eu lhe disse hoje de manhã! Você não se lembra?

Idiota. Eu sou um completo idiota!

-Ah, sim. Eu lembro – coloquei uma mão atrás da cabeça e dei um sorriso meio forçado – Jennyfer Lee, 1º ano! – completei.

-Isso mesmo!

E agora? O que eu falo? – eu estava desesperado e não conseguia pensar em nada para falar.

-Você estuda lá desde criança? – “Ãn? Eu perguntei mesmo isso? Idiota, idiota, idiota”.

-Não, entrei esse ano. Eu não sou daqui. Sou de Franklin, Tennessee. Conhece?

-Não, eu não sou muito de viajar.

-Ah!

Jennyfer e eu estávamos completamente sem assunto. Encontrei-me de cabeça baixa chutando uma pedra do chão.

-A parada de ônibus é longe daqui? – mais uma vez, Jennyfer estava lutando contra o silêncio entre nós dois, ou simplesmente sendo educada com um estranho. Prefiro a primeira opção.

-Estamos quase chegando. – respondi.

-Ainda bem, não aguento mais andar com esse tênis, já entra água nele quando eu piso em uma poça.

Olhei para os seus pés, mas, antes disso, vi seu corpo por inteiro. Ela era realmente linda. Seus cabelos ruivos passavam um pouco dos ombros, sua altura era quase igual à minha, não passava de 1, 60, ela não era gorda nem magra. Normal. Mas eu não me importava com isso. Vestia-se de forma diferente das outras meninas. Não usava maquiagem muito forte, roupas femininas demais, brincos grandes, etc. Eu gosto de meninas assim. Além de tudo isso, é claro que não pude deixar de notar como seu corpo é bonito.

-Haha – eu ri – os meus também já estão assim – na verdade, eu só me lembro deles sendo assim. – Chegamos.

-Ah, finalmente.

Sentamos no banco do ponto de ônibus. Um homem estava sentado lá sozinho. Ele parecia ser normal, exceto pelas suas roupas sujas. O ônibus de Jennyfer era diferente do meu, por isso, espero que os nossos cheguem ao mesmo tempo ou o dela chegue primeiro, pois aquela área era perigosa e eu não queria deixá-la sozinha.

-Vi a sua briga, discussão, que seja, com o George hoje no intervalo.

-Ah, você viu? Eu fui ridículo. – tentei parecer envergonhado.

-Que nada. Você falou o que muitos não teriam coragem de dizer a ele. Você foi corajoso. Gosto de meninos assim.

Seria isso um sinal para mim? Uma chance? Como eu devo interpretar isso? Que confusão.

-George zoa com todos naquela escola, mas nunca olha para si mesmo. Idiota. Eu o odeio.

Perguntei-me o porquê dela odiá-lo! Será que ele já fez algo ruim a ela?

-Ele te fez alguma coisa? Posso te defender, se você quiser. – eu sempre muito afobado, querendo me intrometer em tudo.

-Sim, eu tenho alguns problemas e ele... Não interessa agora. Obrigada, Charles, mas não precisa. – ela sorriu e seu sorriso era lindo – vamos mudar de assunto?

Eu espero que ela comece um novo assunto, porque se depender de mim vai sair mais alguma besteira da minha boca.

-Sabe, até que você é legal! Gostei de você. – disse Jennyfer

Senti uma felicidade me invadindo por completo.

-Ah... Obrigado... Você também... Eu gostei de você!

Jennyfer ria alto agora.

-Está com vergonha? – risos – Desculpe. Não precisa ficar com vergonha de mim.

Dei um sorriso amarelo. Sem graça.

Jennyfer então se levantou do banco para ver se o ônibus estava chegando.

-Ainda vai demorar. – disse ela

-Alguns motoristas de ônibus estão em greve. – o homem que estava sentado na parada antes da gente chegar, manifestou-se pela primeira vez desde que sentamos lá.

Automaticamente, nós dois viramos o rosto para ele.

Ele tinha uma longa barba, olheiras profundas e fedia à cerveja. Suas roupas, como eu já disse, eram velhas, rasgadas e sujas. Ele estava descalço e com uma garrafa vazia na mão.

-Ah, eu não sabia disso. – disse Jennyfer – vou ver se tenho dinheiro pra um táxi então. Não quero chegar muito tarde em casa.

O homem pareceu interessar-se mais em Jennyfer quando ela colocou a mão na bolsa e abriu sua carteira. Seus olhos estavam totalmente na carteira. No dinheiro.

-Moça, você pode me dar um dinheiro? É que ontem eu fui pra alguma festa, não sei... E acordei aqui. E como você pode ver, estou acabado. Sem nada.

-Ah, claro! Ér... Vou ver se eu tenho dinheiro sobrando.

-Obrigado.

Eu não tinha dinheiro no bolso, somente o suficiente para pagar o ônibus. Eu rezava para que ele não me pedisse dinheiro também, não queria parecer um pobre na frente de Jennyfer.

-Ah, moço... Eu não tenho. Só o dinheiro pra eu pegar um táxi. Desculpa.

-Tudo bem, não tem problema.

O celular de Jennyfer tocou e ela o atendeu. Era seu pai.

-Alô? Pai, eu ainda estou aqui na parada de ônibus. Não, eu não estou sozinha. Eu não vou demorar mais, vou pegar um táxi. Sim, eu lhe ligo quando chegar em casa. Beijos.

-Esse seu celular é muito bonito. – disse o homem.

Jennyfer e eu achamos isso muito estranho. Ela ficou meio sem jeito.

-Obrigada...

-Eu poderia pagar um táxi pra mim também com ele, sabia? Você não quer me dar?

Isso já foi demais. Aquele cara queria roubar o celular dela. Eu tinha que fazer alguma coisa.

-Não, ela não quer. – levantei-me, cheguei perto de Jennyfer e falei baixo em seu ouvido – vamos sair daqui. Agora.

Ela entendeu e nós começamos a dar os primeiros passos a caminho do outro lado da rua.

-Calma! Vocês já estão indo embora? Mas por quê? Esperem-me!

O homem levantou-se e alguma coisa caiu de seu bolso. Um saco plástico transparente. Tinha algum tipo de pó branco dentro dele, mas que agora estava esparramado no chão.

A raiva era nítida em seu rosto.

-Viram o que vocês fizeram? Agora vocês vão ter que pagar por isso, meus amigos.

É claro! Ele era John, um antigo dono de um dos melhores bares daqui. Há uns tempos ele começou a usar drogas e viciou-se. Desde então, ele vive nas ruas bebendo e se drogando. Quando precisa, rouba para poder comprar seu vício.

-Vamos embora! – falei para Jennyfer

-Não tão cedo! – John puxou um canivete do bolso e nos ameaçou com ele – Vamos, passem tudo que vocês tiverem.

Ficamos parados perplexos. Eu nunca tinha sido assaltado e sempre tive medo que isso acontecesse comigo. Eu tinha que mostrar coragem para Jennyfer, mas eu não sabia mesmo o que fazer.

-Vocês me ouviram. Vamos, eu quero tudo! E nada de gracinhas ou alguém vai sair machucado daqui.

Como eu fui burro por não ter percebido logo de início quem era aquele cara. Por isso, estávamos nessa enrascada agora.

Jennyfer não demonstrava estar com medo. Parecia até que estava mais calma do que eu. Ela começou a tirar o tênis, imaginei que ela fosse mesmo querer se livrar logo dele, colocar os brincos, pulseiras, cordão, tudo dentro da sua bolsa para entregar a John.

Nesse pouco tempo, observei que a perna de John estava manca e que ele era feio e magro. Sua aparência era de alguém doente. Imagino que são esses os efeitos das drogas, além de muitos outros.

Eu poderia facilmente segurá-lo por trás e pegar o canivete da sua mão. Ele não poderia lutar contra mim. Eu sou nitidamente mais forte.

-Você também. Dê-me seu tênis, sua roupa e dinheiro. E se tiver celular, também quero. E é bom que você seja rápido.

Abaixei-me para desamarrar o cadarço do tênis. Fui devagar, olhando para sua perna manca, para eu saber aonde eu deveria chutar. Jennyfer esticara seu braço e entregara sua bolsa a ele que parecia uma criança recebendo doces enquanto olhava tudo de valor que tinha lá dentro. Essa era a hora certa.

Agachei-me e dei uma rasteira no ponto que eu acreditava ser o mais fraco de sua perna. Ele perdeu o equilíbrio e caiu deixando o canivete escapar de sua mão. Peguei o canivete e o joguei para longe. Não gosto de usar nada em uma briga além das minhas próprias mãos.

-O que você fez? – Jennyfer perguntou

-Salvei nossas coisas, ué.

John estava no chão. Sem seu canivete, ele não era nada. Não estava lúcido e era uma pessoa fraca por conta das drogas e do álcool.

-Pegue sua bolsa e seu tênis. Vamos embora daqui. – falei para Jennyfer.

Saímos correndo e rindo.

-Você é louco, Charles! Obrigada!

-Não precisa agradecer! E seus tênis? Você deixou lá! Quer que eu volte pra pegar?

-Não! Deixa lá pro nosso amigo. Eu não gostava mais deles mesmo.

Nós dois riamos e corríamos sem parar. Era tão bom.

Chegamos a um ponto de táxi e Jennyfer abriu sua bolsa para pegar a carteira.

-Devo a você, hein! – disse ela enquanto pegava o dinheiro.

-Que nada!

-Então, te vejo amanhã na escola? – perguntou Jennyfer

-Claro! É só você não chegar atrasada de novo.

-Engraçado.

Beijamos um o rosto do outro e nos despedimos. Ela entrou no táxi e saiu.

Olhei para a rua e para as pessoas. Perto delas, eu era um rei. Era a pessoa mais feliz dentre todas. Dois beijos em um dia. O que mais eu poderia pedir?

-

Cheguei em casa e vi Edgar com Valery sentados na porta.

-Como foi no trabalho?

-Melhor impossível – eu estava me referindo à Jennyfer, mas tudo bem. Eu não iria explicar agora o quão intediante foi ficar sentado naquele portão.

-Que bom, meu filho!

Peguei Valery no colo e brinquei um pouco com ela. Era impressionante como ela estava crescendo. Em apenas dois dias, ela já parecia bem maior desde o dia em que nós a encontramos. Deve ser loucura da minha cabeça. Isso é impossível.

Entrei em casa, passei pela sala e vi Marie assistindo televisão. Dei bom dia a ela e fui para o meu quarto.

Estava louco para desenhar.

Meu caderno estava bem em cima da minha cama, peguei-o e comecei a passar todas as imagens que eu tinha de Jennyfer em minha memória. Queria poder registrar isso e ver sempre que eu sentir falta de seu lindo rosto. Passei o dia e a tarde inteira no meu quarto desenhando.

Clair diria que eu estava apaixonado. E talvez eu esteja mesmo.

A broken heart some twisted minds



I am goin' away for a while
But I'll be back, don't try to follow me
'Cause I'll return as soon as possible

See I'm trying to find my place But it might not be here where I feel safe
We all learn to make mistakes and run from them, from them with no direction we'll run from them, from them with no conviction

'cause I'm just one of those ghosts I'm travellin' endlessly don't need no roads in fact they follow me and we just go in circles

domingo, 11 de julho de 2010

I miss u

Solidão não é estar sozinho, mas sim estar no meio de muitas pessoas e sentir falta de uma.

When it Rains




And when it rains
On this side of town it touches everything
Just say it again and mean it
We don't miss a thing
You made yourself a bed at the bottom
Of the blackest hole (blackest hole)
And convinced yourself that it's not the reason
You don't see the sun anymore

And no, oh how could you do it?
Oh I, I never saw it coming
No oh, I need an ending
So why can't you stay just long enough to explain?

And when it rains
You always find an escape
just running away
From all of the ones who love you from everything
You made yourself a bed at the bottom
Of the blackest hole (blackest hole)
And you'll sleep till may
You'll say that you don't want to see the sun anymore

And no, oh, how could you do it?
Oh I, I never saw it coming
No oh, I need an ending
So why can't you stay just long enough to explain?

(Explain your side, take my side...)
Take these chances to turn it around
Take these chances we'll make it somehow
And take these chances and turn it around
Just turn it around

And no, oh, how could you do it?
Oh I, I never saw it coming
No oh, how could you do it
Oh I, I never saw it coming
No oh, how could you do it?
Oh I, I never saw it coming and
No oh, I need an ending
So why can't you stay just long enough to explain?

You can take your time, take my time

Paramore.

sábado, 10 de julho de 2010

LIFE

A vida é uma grande incógnita.
Não consigo encontrar um motivo, uma razão para eu existir. Para tudo existir.
Me dá dor de cabeça quando penso no nada. Quando penso em Deus. Quando penso nesta grande confusão que é a vida.
É tudo tão complexo, tão cheio de detalhes e consequências. Tudo tem um por quê e tudo tem uma consequência no final. Basta que façamos alguma coisa.
Tudo. Tudo no mundo já está definido, "anotado" e organizado. Desde o início dos tempos - se é que ele existe. Não adianta lutarmos, pensarmos, querermos. É um enorme e confuso ciclo que surgiu para nos confundir, nos testar.
Nada. Nada é por acaso.
E pergunto-me qual será a minha consequência por pensar essas coisas.

Mariam



Sonhando além das montanhas
Longe de sua realidade
Ouvindo lembranças estranhas
Mas sem saber a verdade

E tudo o que ela queria
Era poder tê-lo ao seu lado
Mas nenhum esforço ele faria
Deixando tal amor destroçado

Então, em um último suspiro ela correu
Por um caminho novo
Para ter o que é seu

Agora, não adianta mais escavar
Porque a profundidade de tal erro
Com a sua vida vai acabar

sexta-feira, 9 de julho de 2010

What I've done

01. Pagar bebiba pros seus amigos.
02. Pegar num tubarão.
03. Dizer “eu te amo” sentindo amor de verdade.
04. Abraçar uma árvore.
05. Achar que vai morrer.
06. Ficar acordado a noite inteira e ver o nascer do sol.
07. Não dormir por 24hrs.
08. Cultivar e comer os teus próprios vegetais.
09. Dormir sob as estrelas.
10. Mudar a fralda a uma criança.
11. Ver uma estrela cadente.
12. Ficar embriagado.
13. Doar coisas pra caridade.
14. Olhar para o céu e achar o cruzeiro do sul.
15. Ter um ataque de riso na pior altura possível.
16. Fazer uma luta de comida.
17. Apostar e perder.
18. Convidar um estranho para sair.
19. Fazer guerrinha de papel.
20. Gritar o mais alto que puder.
20. Pegar num cordeiro.
21. Andar de montanha russa.
22. Dançar como um louco e não se preocupar se estão olhando.
23. Falar com sotaque por um dia inteiro.
24. Estar mesmo feliz com a tua vida.
25. Ter dois hard drives para o computador.
26. Conhecer o teu país.
27. Cuidar de alguém embriagado.
28. Ter amigos fantásticos.
29. Dançar com um estranho.
30. Roubar uma placa/sinal de trânsito.
31. Fazer um passeio de noite na praia.
32. Ficar de coração partido mais tempo do que se esteve realmente apaixonado.
33. Sentar na mesa de um estranho num restaurante e comer com ele.
34. Imitar uma vaca.
35. Fingir que se é um super-heroi.
36. Cantar karaoke.
37. Mergulhar.
38. Beijar na chuva.
39. Brincar na lama.
40. Brincar na chuva.
41. Apaixonar-se e não ficar de coração partido.
42. Visitar locais ancestrais.
43. Fazer uma arte marcial.
44. Entrar num filme.
45. Ser penetra numa festa.
46. Ficar sem comer 5 dias.
47. Fazer um bolo sozinho.
48. Fazer uma tatuagem.
49. Receber flores sem razão.
50. Representar num palco.
51. Gravar música.
52. Ter um caso de uma noite.
53. Guardar um segredo.
54. Cantar bem alto no carro e não parar quando perceber que tem gente olhando.
55. Sobreviver a uma doença em que se podia ter morrido.
56. Perder dinheiro.
57. Cuidar de alguém com dor de cotovelo.
58. Fazer uma festa legal.
59. Partir o coração a alguém.
50. Fazer um piercing.
51. Andar a cavalo.
52. Fazer uma grande cirurgia.
53. Comer sushi.
54. Ter uma foto sua num jornal.
55. Mudar a opinião de alguém sobre alguma coisa em que acreditas profundamente.
56. Fazer de um inseto um animal de estimação.
57. Seleccionar um autor importante que não trabalhou na escola e lê-lo.
58. Comunicar com uma pessoa sem partilharem um língua comum.
59. Escrever a sua própria linguagem no computador.
60. Pensar que está vivendo um sonho.
61. Pintar o cabelo.
62. Salvar a vida de alguém.